quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Estendi as mãos e ninguém me puxou



Texto Base: Salmos 69:1-17

   Quando penso em sofrimento lembro-me do Deserto, de Jó, de José e Jesus. Fico imaginando: 40 anos. É muito tempo esperando. Hoje em dia queremos tudo o mais rápido possível. Se pedirmos algo, desejamos que seja o mais rápido possível. Imagino Moisés esperando 40 anos para se apossar da terra prometida, guiando um povo incrédulo e muito provavelmente chato, e no final não poder entrar nela. 40 anos esperando.

   Fico imaginando também Jó, homem integro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal (Jó 1:1), mas que apesar disso, perdeu tudo, começou a viver como um moribundo pela terra, esquecido pelos seus e julgados pelos amigos. Deve ter sido uma peleja muito grande para entender tudo isso.
Imagino José, odiado pelos irmãos, vendido pela própria família, abandonado em uma cela, mas ainda assim firme. 

   Imagino também Jesus, o filho de Deus abandonado na hora mais angustiante para Ele. Esse sim era justo, este sim nos guia para a terra prometida. Ele teve que esperar 33 anos para que a vontade do Pai se cumprisse. Foi levado a um madeiro e morreu sem murmurar. 

***
   Às vezes andamos no deserto, sem nada, sofrendo calado. Caímos muitas vezes, mas conseguimos forças para nos levantarmos até o momento de cairmos novamente. Caído praticamente sem forças, força apenas para estender a mão. E com a mão estendidos, muitas, mas muitas vezes temos o sentimento que ninguém nos puxa. E não nos puxa mesmo. Sentimo-nos sós, abandonados, assim como Moisés, Jó, José e Jesus.

   Você já se sentiu abandonado? É um dos piores sentimentos. Moisés, Jó, José e Jesus uma hora ou outra em meio ao seu sofrimento se sentiram assim. É frustrante. Mas uma coisa aprendi em meio ao sofrimento. Quando não temos mais forças, quando nos sentimos abandonados, quando levantamos nossas mãos mais ninguém nos puxa, quando estamos caídos, não é em qualquer lugar que estamos, mas estamos caídos no colo do Pai.

   Nele podemos repousar, podemos descansar, podemos ter certeza que quando o sol raiar - demore o tempo que for - o choro vai cessar. Moisés morreu, mas guiou o povo até o lugar prometido, foi fiel a Deus, e viu a Sua Palavra se cumprir. Jó, mais do que receber tudo mais quanto tinha perdido, agora conhecia a Deus não só de ouvir falar, mas de vê-lo. José, abandonado, conseguiu unir forças e não abandonou o seu dom, pelo contrário, usou-o para salvar todo o Egito, e a sua família da fome, e foi honrado por Deus por isso. Jesus, ainda que abandonado na Cruz declarou que a vontade do Seu Pai fosse feita, e após morrer, cumpriu essa vontade ressuscitando; hoje Ele está ao lado do Pai nos esperando. 

   Conosco será assim também, basta crermos, continuarmos firmes, pois não estamos caídos em qualquer lugar, mas no Seu colo, o melhor lugar onde podemos esperar. E lembremo-nos: ainda que o mundo caia, Deus é Deus.


Ronnedy Paiva
Colunista