quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um Pai que Ouve - Estudo III (Parte II)

     Dando continuidade ao estudo da semana passada, falaremos sobre a oração. Antes de ler esse texto, leia a Parte I, caso ainda não tenha lido.


    Relembrando um pouco do que falamos no POST passado, a oração é de mui importância para o cristão. Jesus orava, logo, se queremos andar como Ele andou, devemos orar. 

    É mais que um dever orar, é uma honra, porém alguns a usam como uma mera desculpa para a sua preguiça e comodidade. Pessoas tem dito: "coloquei nas mãos de Deus, não preciso me preocupar/fazer nada", mas isso é uma falácia. Claro que devemos colocar nas mãos de Deus, mas devemos correr atrás daquilo que nos é proposto.

   Para melhor exemplificar, dividirei a oração em duas partes. (1) Oração em que recebemos a 'resposta ou a provisão' de Deus sem que façamos nada. Ex: orar por um enfermo. Nós, por nós mesmos (a não ser que sejamos médico e que tenha cura), não podemos curar. É somente Deus quem pode, então nós apenas oramos. (2) Oração que nos manda ir.

    Infelizmente oramos a Deus e esperamos que o nosso pedido cai de mão beijada, simplesmente porque não queremos sair do nosso lugar. Oramos pedindo um carro, por exemplo, mas não vamos trabalhar, não juntamos dinheiro, não vamos sequer ver um carro do nosso gosto. A oração não deve paralisar, pelo contrário, ela deve nos fazer agir, pois tem haver com AÇÃO.

    No filme "A Volta do Todo Poderoso", em certa cena a mulher do homem que foi escolhido para construir uma arca, foge com seus dois filhos porque não está aguentando a pressão de ver seu marido ser zoado por todos, dizendo que ele pirou. Mas essa mulher encontra Deus (embora ela não saiba que ele fosse), e eles conversam, então 'Deus' fala para ela mais o menos assim: "Se você pede a Deus paciência, Deus não vai te dar paciência, ele vai te dar a oportunidade de ser paciente [...] Se você pede a Deus que a sua familia seja mais unida, Deus não vai fazer sua família ficar mais unida, ele vai dar a oportunidade de vocês ficarem unidos.". E a oração dessa mulher era a união de sua família. 

    Outro exemplo que norteia essa ideia, é de dois homens que estavam concorrendo a uma mesma vaga de emprego. Um, era cristão, outro não. O cristão orava constantemente para que a vaga fosse sua, o não cristão se especializava e estudava. Na hora do patrão escolher quem contrataria, ele escolheu o não cristão. Desanimado o cristão orou "Deus, porque você não atendeu minha oração?", a resposta de Deus foi "ora filho, eu respondi sua oração, disse que se estudasse, a vaga seria sua".

    Muitos tendem a usar da oração como uma desculpa mesmo. Ou ainda, quando a resposta não vem, tendem a abandona-la. Então lembro-me de José. Esse homem foi vendido por seus irmãos, ficou preso um tempão, mas esperou em Deus, não desanimou, não deixou de usar o seu dom. Imagino quando ele orava, perguntando: "porque Deus?". Mas um dia ele foi honrado. Ele se tornou o segundo homem mais importante do Egito. Esse homem, se tivesse desistido, não teria salvo todo o seu povo da fome, inclusive sua família.

    O livro de Neemias conta- a história de um homem que orou, e após muito tempo orando, percebeu que ele mesmo era a resposta de sua oração. Então ele saiu de sua comodidade (servir e morar na casa do rei), e foi para a sua cidade guiar todo um povo para a reconstrução dos muros.

    Às vezes ouvimos Deus nos mandar ir, mas fingimos não escuta-lo, pois isso mexe com a nossa comodidade, e mexer no que nos deixa estáticos, não nos é de grande valia.

   Mas quando percebermos que oração não é somente falar, mas ouvir, talvez daremos mais importância a ela. Talvez escutemos a voz de Deus.



"Quando oro, falo com Deus. Quando leio a bíblia, Deus fala comigo. Um espírito dedicado à oração será um espírito pronto a escutar." (ANDREY MURRAY). 

    Por isso é necessário separar um tempo para ele. Quando fazemos isso, estamos dando daquilo que melhor temos, nosso tempo, para dedicar a Ele. Também precisamos separar um lugar. Jesus nos manda ir para o quarto, lugar de intimidade, lugar onde podemos ser nos mesmos diante de Deus. Também devemos perseverar, até receber uma resposta de Deus, ainda que essa seja não. Precisamos orar constantemente, tendo em mente que não é a nossa oração que é poderosa para fazer Deus ouvi-la, mas Ele é poderoso para ouvir a nossa oração.

Que assim possamos, orar em todo tempo Aquele que é digno de todas as nossas palavras. Pois Ele é fiel, Ele é poderoso, e Ele é nosso Pai para nos ouvir.

Que Deus nos abençoe.

Ronnedy Paiva
Colunista

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Leia também: Um Pai que Ama - Estudo I | Um Pai que Perdoa e a Igreja Machucada - Estudo II | Um Pai que Ouve - Estudo III (Parte I)

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