segunda-feira, 21 de abril de 2014

Um Pai que Perdoa e a Igreja Machucada – Estudo II

“Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22)
  • O que é perdão?
perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição. 

    O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.

    O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração, é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes, tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

- Winkipédia
    Paremos para pensar: Quem aqui já não errou? Quem já não perdoou? Quem já não precisou ser perdoado? A verdade é que somos seres deturpados, com a maldade intrínseca a nós, e que necessitamos de perdão e de perdoar.

Foto Google
    Uma antropóloga e etiologa chamada Dra. Jane Goodall, estudou em 1970 os chipanzés em seu ambiente natural, numa reserva na Tanzânia; através desse estudo, e levando em conta que eles são nossos parentes mais próximos (para a teoria da evolução de Charles Darwin), viu neles a prova de que éramos bons. Lançou então um livro defendendo a sua tese (In the Shadow of Man). Porém, três anos após a sua publicação, a população de chipanzés cresceu e a comida diminuiu. Resumindo, separados em dois grupos, um grupo começou a atacar o outro e a se matarem. Os mais fortes sobreviviam. Então a doutora viu que na verdade, não somos tão bons assim.¹

    Vemos através desse estudo que, mesmo na área do antropocentrismo, o homem (parente do chimpanzé) é mau. Diante disso podemos ter certeza de uma coisa, o homem não é bom por natureza nem para um evolucionista, nem para um criacionista. Somos originalmente ruins, e nós, teístas, temos mais convicção disso. 

    "Mas se fomos criados a imagem e semelhança de Deus, então, por consequência não deveríamos ser bons?", podemos nos perguntar. A verdade é que também temos propensão para o mau como Hobbes afirma. Não importa se somos cristãos ou não, somos todos propensos ao mau. Mas da onde veio esse mau? Há uma necessidade de sermos perdoados?
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” (Isaías 53:4-7).
    A nossa pecaminosidade é oriunda de Adão – ele quis ser como Deus. E nós somos descendência dele. Adão foi criado a imagem e semelhança de Deus, assim também nós somos. 
“Ser descendente de Adão e Eva é honra suficiente grande para que o mendigo mais miserável possa andar de cabeça erguida, e também vergonha suficiente grande para fazer vergar os ombros do maior imperador da Terra. Dê-se assim por satisfeito.” (Livro Príncipe Caspian – Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis).
    Com Adão herdamos esse pecado, então como Lewis coloca, é vergonha suficiente para vergar os ombros do mais nobre, mas da mesma forma, somos criação de Deus, e isso nos da a oportunidade de erguermos a cabeça, mesmo a de um mendigo. 

    O pecado então estrou em Adão, e consequentemente em todos nós, mas a nossa redenção veio por intermédio de Cristo (Rm 5:18). Ele morreu na Cruz para que fossemos perdoados e libertos desse pecado original. 

    Então sabendo disso, percebemos que todos nós somos errantes e constantemente temos que mudar nossos atos/atitudes, pois, a partir da aceitação de uma nova vida, temos um modelo a ser seguido: CRISTO! A aceitação de uma vida nova ínsita mudanças. Mudar para o velho não é mudar, é continuar na mesma.
“Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:1-4)

“Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo.” (1 Pedro 3:21)

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
    Precisamos constantemente ser transformados. Recebemos uma nova mentalidade nEle, onde o pecado é reconhecido e deve ser negado. Quando reconhecemos o que é agradável ao Senhor, vemos o quão pecador somos. Só uma pessoa realmente humilde e reconhecedora das mazelas humanas pode reconhecer isso, sabendo que ser cristão não nos dá imunidade ao pecado, e que uma hora ou outra iremos transgredir, pois damos vasão as nossas vontade carnais, porém, com Cristo, temos a garantia do perdão, mas para tanto, é necessário que haja a confissão e o arrependimento de coração dos nossos pecados.
“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.” (Hebreus 8:12) 
“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.” (Isaías 43:25)
    Há uma promessa: dos nossos pecados Ele não se lembra mais.
“Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.” (Miqueias 7:18-19)
    Deus não é um ser com problema de memória. Ele se faz esquecer propositalmente, pois da uma nova chance a nós. Quando algo é lançado no mar, dificilmente é achado. E ninguém em sã consciência vai nas profundezas do mar procurar algo que não tenha valor. Nisso está o suprassumo do amor.Ele nos perdoa e não se lembra mais. Mas para perdoar, é preciso pedir perdão.

    Precisamos ser perdoados porque somos maus por natureza, porque falhamos constantemente, porque somos egoístas e tendemos a tomar o lugar de Deus. É necessário chegar diante do Deus todo poderoso, reconhecendo as nossas falhas e dando a Ele o Seu lugar de honra, para que, através da confissão dos nossos pecados, Ele nos perdoe, e perdoados, perdoemos.
  • Porque perdoar?
"... e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores." (Mateus 6:12)
Pela confissão e liberação do perdão, começamos um processo de cura, de restauração. O Livro do Dr. Fred Luskin, O Poder do Perdão trata desse processo, quem quiser ler... 

    O perdão é necessário para que tenhamos comunhão com Deus e com os irmãos. Perdoar a nós mesmos é difícil, mas conseguimos conviver com nós mesmos, já com os outros é outra conversa, é mais 'ardido'. Mas é a partir daí que se começa o processo de cicatrização. As feridas vão se fechando, e por fim, ficam apenas as marcas, e essas marcas são uma das maiores provas de amor que se pode dar. (As chagas de Cristo).
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:35)
    Ou seja, devemos perdoar porque somos igualmente perdoados e nisso está o amor de Deus.  
“... o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia.” (Mateus 18:23-34)
     Repetindo, devemos perdoar porque somos igualmente perdoados. Devemos perdoar pois é um mandamento. Devemos perdoar porque isso é um subproduto do amor. E mais do que isso, devemos perdoar, pois vacilamos com Deus.

    Quantas vezes tampamos os ouvidos para a voz de Deus e colocamos um alto falante nas nossas vontades carnais? Muitas vezes sabemos que é errado e mesmo assim fazemos. Tendemos a tentar esconder de todos, mas esquecemos que o único que pode salvar e destruir (Tg 4:12) vê tudo. Como uma criança repreendida pelo pai, continuamos a fazer a mesma coisa de outrora sem dó nem piedade. 
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.” (Romanos 7:14-15)
     Quando pecamos, devemos nos dirigir a Deus, em secreto, e orar a Ele pedindo perdão. Também seria bom confessar a um amigo. Não há nada de errado com isso. 
“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5:15-16)
     É mais fácil não errarmos quando alguém sabe, pois é preciso prestar contas. Mas é necessário que o perdão que está em conta, não é o de alguém, mas o de Deus - e este temos garantido, mas de igual forma precisamos perdoar, por que Ele nos perdoa.

    A história do rei que perdoou o servo, mas que o servo não perdoou o seu próximo é a nossa história. Deus nos perdoou, e devemos perdoar. A prova desse perdão está em Cristo, que  mesmo após Pedro ter negado-O três vezes, Ele disse: 
 “... Jesus perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes?’ Disse ele: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo’. Disse Jesus: ‘Cuide dos meus cordeiros’. Novamente Jesus disse: ‘Simão, filho de João, você realmente me ama?’ Ele respondeu:  ‘Sim, Senhor tu sabes que te amo’. Disse Jesus: ‘Pastoreie as minhas ovelhas’. Pela terceira vez, ele lhe disse: ‘Simão, filho de João, você me ama?’ Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez ‘Você me ama?’ e lhe disse: ‘Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Cuide das minhas ovelhas.’ (João 21:15-17)
     Jesus tanto perdoou que botou aos cuidados de Pedro as Suas ovelhas. 

    A verdade é que não existe coisas imperdoáveis. O perdão é algo divino. Podemos ficar chateados, podemos não voltar à velha amizade, mas precisamos perdoar, porque somos muito perdoados também. E precisamos constantemente examinar nosso coração, olhar nossas obras e ver se, de igual modo, temos que pedir perdão. 

    Como Jesus fez, devemos fazer. Precisamos perdoar os amigos, , os inimigos, devemos perdoar as instituições eclesiásticas, devemos perdoar os patrões, a família, e tudo o que precisa de perdão. E também devemos pedir perdão tanto para Deus quanto para os outros, pois todos nós somos propensos ao mau, e consequentemente estamos falhando.

Que Deus nos perdoe; que nós perdoemos o próximo, e que sejamos todos abençoados!

Leia também: Um Pai que Ama - Estudo I

Ronnedy Paiva
Colunista

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¹ LISBOA, Victor. O ser humano é mau? Blog Papo de Homem, 2013. Disponível em: < http://www.papodehomem.com.br/ >.

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