segunda-feira, 21 de abril de 2014

Um Pai que Perdoa e a Igreja Machucada – Estudo II

“Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22)
  • O que é perdão?
perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição. 

    O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.

    O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração, é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes, tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

- Winkipédia
    Paremos para pensar: Quem aqui já não errou? Quem já não perdoou? Quem já não precisou ser perdoado? A verdade é que somos seres deturpados, com a maldade intrínseca a nós, e que necessitamos de perdão e de perdoar.

Foto Google
    Uma antropóloga e etiologa chamada Dra. Jane Goodall, estudou em 1970 os chipanzés em seu ambiente natural, numa reserva na Tanzânia; através desse estudo, e levando em conta que eles são nossos parentes mais próximos (para a teoria da evolução de Charles Darwin), viu neles a prova de que éramos bons. Lançou então um livro defendendo a sua tese (In the Shadow of Man). Porém, três anos após a sua publicação, a população de chipanzés cresceu e a comida diminuiu. Resumindo, separados em dois grupos, um grupo começou a atacar o outro e a se matarem. Os mais fortes sobreviviam. Então a doutora viu que na verdade, não somos tão bons assim.¹

    Vemos através desse estudo que, mesmo na área do antropocentrismo, o homem (parente do chimpanzé) é mau. Diante disso podemos ter certeza de uma coisa, o homem não é bom por natureza nem para um evolucionista, nem para um criacionista. Somos originalmente ruins, e nós, teístas, temos mais convicção disso. 

    "Mas se fomos criados a imagem e semelhança de Deus, então, por consequência não deveríamos ser bons?", podemos nos perguntar. A verdade é que também temos propensão para o mau como Hobbes afirma. Não importa se somos cristãos ou não, somos todos propensos ao mau. Mas da onde veio esse mau? Há uma necessidade de sermos perdoados?
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” (Isaías 53:4-7).
    A nossa pecaminosidade é oriunda de Adão – ele quis ser como Deus. E nós somos descendência dele. Adão foi criado a imagem e semelhança de Deus, assim também nós somos. 
“Ser descendente de Adão e Eva é honra suficiente grande para que o mendigo mais miserável possa andar de cabeça erguida, e também vergonha suficiente grande para fazer vergar os ombros do maior imperador da Terra. Dê-se assim por satisfeito.” (Livro Príncipe Caspian – Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis).
    Com Adão herdamos esse pecado, então como Lewis coloca, é vergonha suficiente para vergar os ombros do mais nobre, mas da mesma forma, somos criação de Deus, e isso nos da a oportunidade de erguermos a cabeça, mesmo a de um mendigo. 

    O pecado então estrou em Adão, e consequentemente em todos nós, mas a nossa redenção veio por intermédio de Cristo (Rm 5:18). Ele morreu na Cruz para que fossemos perdoados e libertos desse pecado original. 

    Então sabendo disso, percebemos que todos nós somos errantes e constantemente temos que mudar nossos atos/atitudes, pois, a partir da aceitação de uma nova vida, temos um modelo a ser seguido: CRISTO! A aceitação de uma vida nova ínsita mudanças. Mudar para o velho não é mudar, é continuar na mesma.
“Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:1-4)

“Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo.” (1 Pedro 3:21)

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
    Precisamos constantemente ser transformados. Recebemos uma nova mentalidade nEle, onde o pecado é reconhecido e deve ser negado. Quando reconhecemos o que é agradável ao Senhor, vemos o quão pecador somos. Só uma pessoa realmente humilde e reconhecedora das mazelas humanas pode reconhecer isso, sabendo que ser cristão não nos dá imunidade ao pecado, e que uma hora ou outra iremos transgredir, pois damos vasão as nossas vontade carnais, porém, com Cristo, temos a garantia do perdão, mas para tanto, é necessário que haja a confissão e o arrependimento de coração dos nossos pecados.
“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.” (Hebreus 8:12) 
“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.” (Isaías 43:25)
    Há uma promessa: dos nossos pecados Ele não se lembra mais.
“Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.” (Miqueias 7:18-19)
    Deus não é um ser com problema de memória. Ele se faz esquecer propositalmente, pois da uma nova chance a nós. Quando algo é lançado no mar, dificilmente é achado. E ninguém em sã consciência vai nas profundezas do mar procurar algo que não tenha valor. Nisso está o suprassumo do amor.Ele nos perdoa e não se lembra mais. Mas para perdoar, é preciso pedir perdão.

    Precisamos ser perdoados porque somos maus por natureza, porque falhamos constantemente, porque somos egoístas e tendemos a tomar o lugar de Deus. É necessário chegar diante do Deus todo poderoso, reconhecendo as nossas falhas e dando a Ele o Seu lugar de honra, para que, através da confissão dos nossos pecados, Ele nos perdoe, e perdoados, perdoemos.
  • Porque perdoar?
"... e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores." (Mateus 6:12)
Pela confissão e liberação do perdão, começamos um processo de cura, de restauração. O Livro do Dr. Fred Luskin, O Poder do Perdão trata desse processo, quem quiser ler... 

    O perdão é necessário para que tenhamos comunhão com Deus e com os irmãos. Perdoar a nós mesmos é difícil, mas conseguimos conviver com nós mesmos, já com os outros é outra conversa, é mais 'ardido'. Mas é a partir daí que se começa o processo de cicatrização. As feridas vão se fechando, e por fim, ficam apenas as marcas, e essas marcas são uma das maiores provas de amor que se pode dar. (As chagas de Cristo).
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:35)
    Ou seja, devemos perdoar porque somos igualmente perdoados e nisso está o amor de Deus.  
“... o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia.” (Mateus 18:23-34)
     Repetindo, devemos perdoar porque somos igualmente perdoados. Devemos perdoar pois é um mandamento. Devemos perdoar porque isso é um subproduto do amor. E mais do que isso, devemos perdoar, pois vacilamos com Deus.

    Quantas vezes tampamos os ouvidos para a voz de Deus e colocamos um alto falante nas nossas vontades carnais? Muitas vezes sabemos que é errado e mesmo assim fazemos. Tendemos a tentar esconder de todos, mas esquecemos que o único que pode salvar e destruir (Tg 4:12) vê tudo. Como uma criança repreendida pelo pai, continuamos a fazer a mesma coisa de outrora sem dó nem piedade. 
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.” (Romanos 7:14-15)
     Quando pecamos, devemos nos dirigir a Deus, em secreto, e orar a Ele pedindo perdão. Também seria bom confessar a um amigo. Não há nada de errado com isso. 
“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5:15-16)
     É mais fácil não errarmos quando alguém sabe, pois é preciso prestar contas. Mas é necessário que o perdão que está em conta, não é o de alguém, mas o de Deus - e este temos garantido, mas de igual forma precisamos perdoar, por que Ele nos perdoa.

    A história do rei que perdoou o servo, mas que o servo não perdoou o seu próximo é a nossa história. Deus nos perdoou, e devemos perdoar. A prova desse perdão está em Cristo, que  mesmo após Pedro ter negado-O três vezes, Ele disse: 
 “... Jesus perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes?’ Disse ele: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo’. Disse Jesus: ‘Cuide dos meus cordeiros’. Novamente Jesus disse: ‘Simão, filho de João, você realmente me ama?’ Ele respondeu:  ‘Sim, Senhor tu sabes que te amo’. Disse Jesus: ‘Pastoreie as minhas ovelhas’. Pela terceira vez, ele lhe disse: ‘Simão, filho de João, você me ama?’ Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez ‘Você me ama?’ e lhe disse: ‘Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Cuide das minhas ovelhas.’ (João 21:15-17)
     Jesus tanto perdoou que botou aos cuidados de Pedro as Suas ovelhas. 

    A verdade é que não existe coisas imperdoáveis. O perdão é algo divino. Podemos ficar chateados, podemos não voltar à velha amizade, mas precisamos perdoar, porque somos muito perdoados também. E precisamos constantemente examinar nosso coração, olhar nossas obras e ver se, de igual modo, temos que pedir perdão. 

    Como Jesus fez, devemos fazer. Precisamos perdoar os amigos, , os inimigos, devemos perdoar as instituições eclesiásticas, devemos perdoar os patrões, a família, e tudo o que precisa de perdão. E também devemos pedir perdão tanto para Deus quanto para os outros, pois todos nós somos propensos ao mau, e consequentemente estamos falhando.

Que Deus nos perdoe; que nós perdoemos o próximo, e que sejamos todos abençoados!

Leia também: Um Pai que Ama - Estudo I

Ronnedy Paiva
Colunista

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¹ LISBOA, Victor. O ser humano é mau? Blog Papo de Homem, 2013. Disponível em: < http://www.papodehomem.com.br/ >.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

No pain, no gain e o Reino dos Céus

"No pain, no gain ('Sem dor, não há ganho') é, originalmente, um termo usado na prática do halterofilismo (wight lifting), querendo-se dizer com isso que, sem fazer esforço a ponto de doer, a pessoa não ganhará aquele tão sonhado 'corpo malhado'. Como o principio também é válido para os demais esportes e campos da vida, popularizou-se.
[Via Tecla Sap]   

    Você, com certeza, já deve ter visto essa frase estampada em algum lugar, desde uma camiseta até em uma rede social. Talvez você pode te-la associada a inúmeras coisas (esporte, trabalho, halterofilismo e afins), mas será que você já associou-a ao Reino dos Céus?
 "... o reino dos céus é tomado à forca, e pela forca se apoderam dele." Mateus 11:1

    Essa passagem é uma daquelas que mais pegam no pé dos cristãos, pois ela pode ser interpretada de várias maneiras, e entra em contradição, a priori, com uma resposta que o próprio Cristo deu aos seus discípulos: "Quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível." (Mt 19:25-26) Afinal, o Reino dos Céus é alcançado por Graça ou por Força? Dicotomicamente respondendo: as duas!

  A verdade é que por nós mesmos, não conseguiríamos nada, e que Deus através da morte (e ressurreição) de Cristo, fez todo o trabalho necessário para que tenhamos acesso a Ele. A obra redentora de Cristo é unica, perfeita e eterna. "Antes de haver Luz, houve Cruz"¹. A Cruz foi o modo que Deus, por amor, fez para que um ser corrompido e maculado pelo pecado, como todos nós, pudêssemos estar conectado com Ele, que é perfeito e que não compactua com o pecado.  
   "Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto."(Efésios 2:11-13)
  É pela graça e por Suas misericórdias que não somos consumidos pelo fogo de Deus. Por Suas misericórdias que se renovam a cada manhã (Lm 3:22-23) é que podemos estar vivos diante de um Deus Santo. E isso, não vem de nós. Não fomos nós quem deu um jeito para se encontrar Ele. Deus fez tudo, e nós não temos méritos nisso.
"Porque pela graça sois salvos, por meio da; e isto não vem de vós, é dom de DeusNão vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Efésios 2:8-10) 
"O evangelho é o fato de que Jesus viveu a vida que você deveria ter vivido, e morreu no seu lugar a morte que você deveria ter morrido, para que Deus pudesse te receber não por aquilo que você fez e é, mas por aquilo que Ele fez e é." [Tim Keller]

   A aceitação de Cristo como Senhor e Salvador das nossas vidas tem implicações; Deus, através de Cristo, na Cruz, morreu pelos nosso pecados, e sabendo disso, precisamos nos decidir: aceita-Lo ou não! Paulo coloca em Romanos 10:9 que, simplesmente "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.". É preciso ouvir o bater na porta e abri-la para que a salvação entre em nossas vidas. Ele nos deu o acesso, agora é necessário trilhar o caminho até Ele. Compreendendo isso, é preciso viver como Ele viver, e andar como ele andou (I Jo 2:6) E isso não é fácil, Paulo aos Romanos diz: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. (Rm 7:14-15)". É preciso abandonar o velho homem para viver a nova vida em Cristo. Assim, faz-se necessário, a partir da confissão de que Jesus é o nosso Senhor e Salvador, saber o que isso significa.

    Primeiramente, agora Ele é o nosso Senhor. Ou seja, somos dEle, somos Seus filhos, ou como Paulo se conota: "somos escravos dEle" (Rm 6:22; Gl 1:10). Como nosso Senhor, devemos nos render a Sua vontade, obedece-Lo, adora-Lo, como reconhecimento de sua divindade. É uma forma tênue de reconhecer a Sua obra na Cruz, mas totalmente válida para uma vida de intimidade com Ele.

    Em segundo lugar, agora Ele é o nosso Salvador, ou nas palavras de John Stott: 
"... 'para nós, homens (seres humanos), e para nossa salvação, ele desceu dos céus...'. Agora, 'salvação' é uma palavra ampla, que abrange a totalidade do propósito redentor de Deus para suas criaturas alienadas [...] salvação é libertação, e tem aspectos positivos e negativos. Ela inclui libertação do justo julgamento de Deus para os nossos pecados; libertação da nossa culpa e da nossa consciência culpada; libertação para um novo relacionamento com ele, no qual nos tornamos filhos seus, reconciliados e perdoados, e passamos a conhecê-lo como nosso Pai. E libertação da amarga escravidão da vida sem sentido para um novo senso de propósito na nova e divina sociedade do amor, em que os últimos são os primeiros, os pobres são ricos e os mansos, herdeiros. E libertação da escura prisão de nosso próprio egocentrismo para uma nova vida de auto-realização através de serviço altruísta e abnegado. E um dia ela incluirá libertação da futilidade da dor, da corrupção e da dissolução, para um novo mundo de imortalidade, beleza e gozo indizível. Tudo isso — e muito mais! — é 'salvação'."²   
   Ele é ambos: Senhor e Salvador. Não podemos ter um Salvador sem um Senhor. Não podemos salvar nós mesmo de nós mesmo. E se o temos como Senhor, concomitantemente o temos como Salvador. Pois é a forma de te-Lo como tal.

   Depois da confissão de fé, é necessário negarmos a nós mesmos, pegarmos a nossa cruz, e segui-Lo. Tomar o Seu fardo que é leve e suave e andar o caminho que ante mão Ele nos predestinou para andar. É preciso matar diariamente o nosso 'eu' corrupto, para vivermos o nosso 'eu' em Deus.


"Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus." Lucas 9:62

    Antes andávamos como ovelhas sem pastor (Mc 6:34), mas agora o temos como modelo, nEle podemos olhar nossas atitudes e comparar com as deles. Como uma prova de matemática de um aluno é avaliada pelo gabarito do professor, devemos abandonar certas atitudes pecaminosas pela renovação de nossa mente e ser transformados constantemente por Seu amor para cada vez mais ser parecido com Ele. Mudar para o igual não é mudar, é continuar na mesma. E quando o temos, temos que apresentar uma vida fidedigna o quanto possível para que Ele seja glorificado em nós. Quando entendemos isso, que a salvação é uma pessoa, que não é ir para o céu ou inferno simplesmente; quando compreendemos que iremos habitar com o autor e consumador da nossa fé, o nosso Pai; quando vermos que foi pago um alto preço para termos uma conversinha com Ele, compreenderemos que nenhum esforço é alto demais para estar com Ele, independente do lugar. O posicionalmente é essencial para que experimentemos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12:2).    


   A salvação vem dEle, mas uma vida com Ele depende de nós. Que possamos escolher Deus todos os dias. Que deixemos Ele nos lavar para que tenhamos parte com Ele (Jo 13:8). Que não vivamos na carne, mas a mortifiquemos para que vivamos no Espírito (Rm 8:12-13). Que saibamos que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8:18). Que não nos aflijamos quando formos odiados pelo mundo por falar o nome dEle (Mt 10:20-22). Que confessemos o Seu nome em todos os âmbitos de nossa vida (Mt 10:32-33). E que sejamos mais parecidos com Ele, sabendo que de nós não provêm nada, e que até as nossas forças vem dEle. 


"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (1 João 2:2-6)

Que Deus nos abençoe,


Ronnedy Paiva
Colunista


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¹ Não foi encontrado fonte confiável com nome do autor da frase.
² STOTT, John. Ouça o Espírito, Ouça o Mundo: como ser um cristão contemporâneo. ABU Editora, 2005. p. 346.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um pai que ama - Estudo I

    O que é amor pra você? 
    Amor, é o nível ou grau de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos com as coisas e pessoas que conhecemos. A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação. É tido por muitos como a maior de todas as conquistas do ser. - Via Winkipédia 
     O amor também é separado em algumas formas pelos gregos. Leiamos três:
  •  Eros
(ἔρως) significa a palavra grega moderna “erotas" com a sua significante de: “o amor (romântico)”;
  • Philia
(φιλία), amizade no grego moderno, um amor virtuoso desapaixonado, era um conceito desenvolvido por Aristóteles. Inclui a lealdade aos amigos, à família, e à comunidade, e requer a virtude, a igualdade e a familiaridade;
  • Ágape
(ἀγάπη) significa o “amor” no grego moderno atual. O s'agapo do termo significa “eu te amo” em grego. A palavra "agapo" vem do vocábulo “amor”. No grego antigo se refere frequentemente a uma afeição mais ampla do que à atração sugerida pelo "eros"; o agape é usado em textos antigos para designar sentimentos como uma refeição boa, a afeição de uma criança, e os sentimentos não carnais entre os os cônjuges.

    Para ilustrar melhor isso, vou pedir para que vocês se perguntem se tomariam o lugar de uma pessoa a qual amam, para sofrer em seu lugar (?). Como um pai que ao ver o seu filho enfermo, pede para tomar o seu posto, você faria o mesmo? Este daria a vida pelo seu filho, morreria em seu lugar.¹ Vocês creem que isso é amor? Eu creio que seja. Porém não é nem uma tênue e pálida sombra do amor de Deus. Enquanto um pai daria a vida pelo filho, Deus deu a vida do Seu filho por nós. 
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
    Agora lanço outra pergunta: nós, humanos, rebeldes, pecadores e egoístas, entregaríamos a vida do nosso filho amado para morrer por um bêbado, uma prostituta, um homossexual, um judeu ou - não indo tão longe - inimigo nosso? Entregaríamos a vida do nosso filho unigênito para morrer por alguém que não acredita em nós, que não nos ama? [...] Agora você consegue compreende a dimensão desse amor? Diferentemente dos pais terrenos, Deus não tomou o lugar do Seu filho, mas por amor, o entregou por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5:6), isso se deu para que tenhamos acesso a Ele, porque Ele nos ama, e esse amor que está em Cristo Jesus não pode ser mudado de forma alguma (Rm 8:38-39) - Glória ao Seu nome Senhor.    

[Assista]
     Lendo a passagem de João 3:16, percebemos que Deus é pai de Jesus, e em Romanos 8:16-17, que nós somos coerdeiros com Cristo. Ou seja, somos filhos de Deus também. E Jesus é o nosso modelo de relacionamento com Deus. Ele é o nosso gabarito, é onde podemos olhar e ver se nossas atitudes condizem com a dEle.

   Antigamente, as pessoas não tinham esse relacionamento com Deus. Filósofos como Aristóteles chamava-o de causa incausada, motor imóvel. Os profetas de Israel revelaram o Deus de Isaque, de Jacó e de Abraão. Mas só Jesus o revela como Pai. 
“Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. {Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.}” (Mateus 6:9-13) 
    Jesus chama-O de Pai. Isso foi um grande espanto para quem o ouviu. Como já dito, eles tinham um relacionamento que não era de pai-filho, mas de criador e criatura, algo como um deus de longe. Mas Jesus abriu uma nova dimensão de intimidade com Ele, e Paulo aos Romanos diz que nós podemos ter está mesma liberdade. 
“Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’.” (Romanos 8:15) 
    Aba significa: pai, papai, tatá, meu pai. A idade média revelada em uma pesquisa por psicólogos dos EUA, diz que um bebê começa a falar com 14 a 18 meses de idade. E a primeira fala, independente do sexo, é pá, papá, papai. Já de um bebe da palestina antiga que falasse aramaico, era ab, ab, abá.

    Jesus fala que podemos nos referir ao Deus transcendente, infinito, todo poderoso, com a intimidade, a familiaridade e a  confiança inabalável de um bebe de 18 meses no colo do seu pai². Esse é o relacionamento que Deus quer: Pai e Filho. O amor dEle está nisso, entregar o Seu próprio Filho para morrer em nosso lugar. 

    Porque, então, queremos nos parecer bons diante dele, com palavras rebuscadas? "Para obter a atenção de Deus, não precisamos nos expressar com palavras difíceis ou com representações exibicionistas. Não precisamos convencer Deus da sinceridade de nossas carências. Já temos os ouvidos do Pai, por assim dizer. Deus sabe tudo a nosso respeito, e mesmo assim nos escuta"³. Não falamos com nosso pai dessa forma, rebuscadamente. Uma narrativa em Lucas 18:10-14 é bem interessante: 
Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” 
     Deus nos quer como criança, pois a uma criança tudo é dado: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.” (Mateus 18:3-4). Nós precisamos nos lançar em Seu colo; fazer o que temos pra fazer (trabalhar, estudar, etc), mas sempre voltando os nossos olhos para Ele.

    Assim, como podemos continuar os mesmos sabendo desse amor? Como ignorar um Deus que tira uma parte de si mesmo para criar um ser que tem a oportunidade de ser imperfeito afim de que creiamos nEle e o amemos de todo o nosso coração, alma, força e entendimento (mais de você, menos de Deus - menos de você, mais de Deus) por que Ele é nosso Pai? Deus é perfeito, e nos criou com essa liberdade. Quando pecamos, perdemos essa ligação com Ele, e por meio de Cristo, fomos reatados. Isso é amor. É amar primeiro, mesmo nós não merecendo (e nunca iremos merecer tamanho amor). Por isso e por tantas outras, não posso mais viver nesse nível raso, preciso mergulhar mais fundo no Seu amor. 'Vambora' nesse amor? 

Examine o seu coração, ore ao Pai, peça ajuda de outros irmãos na fé, e mergulhe você também em Deus, porque nEle, subsiste todas as coisas.

Continue acompanhando os próximos POSTs. Deus os abençoe!

Ronnedy Paiva
Colunista

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¹ Trecho retirado de uma pregação do Pr. Paulo Silva na 2 IPI Filadelfia de Londrina. 
²MANNING, Brennan. O Anseio Furioso de Deus. Mundo Cristão, 2010, p. 31-32. 
³YANCEY, Philip. Oração: ela faz alguma diferença?. Editora Vida, 2007, p. 163.