quarta-feira, 12 de março de 2014

O cristão, a Igreja, a vida e o Sagrado. [Parte 3]

Ah a vida!


A vida é um mistério, curto mistério que nos faz acreditar que além daqui não exista nada. Que além do prazer do não exista vida.

Vida que nos faz pensar que as lutas são grandes demais; As alegrias, raras demais; As pessoas vazias demais.

Vida que nos faz crer em qualquer coisa, que nos traga benefício.

Vida que é como folha seca, que está aqui e logo é levada pelo vento.

Vida que é como vapor, que passa, as vezes, é notada, as vezes, nem percebida.

É difícil escrever sobre a vida. Acredito que o ministério de Cristo é o ministério da vida. Cristo não foi um homem, foi O homem. Se o primeiro Adão foi um protótipo que deu mau, Cristo foi o projeto terminado que deu bom.


Cristo é a fonte da vida. Alguns de nós podemos acreditar que há vida longe de Deus, mas não há.

Existe o conceito de graça comum. O cuidado para com todos. O amor de Deus pelos justos e injustos:

- O sol que nasce;

- O pôr do sol no alto da montanha;

- O grupo de pássaros que voa em variadas direções;

- O cuidado de uma fêmea por seu filhote na selva;

- O cuidado de uma mãe por seu bebê;

- A mãe que amamenta;

- O menino que aprende a falar papai;

- O primeiro choro;

- O primeiro riso;

Coisas da vida, acontece para todos. Chuvas, calor, frio, pessoas, milagres.

Gostaria de ser mais assombrado, assim como orou Hilel.

Hilel, rabino judeu, disse em seu leito de morte que orara algo que Deus havia concedido, ter assombro. E a partir de então, aprendeu a notar Deus em todos os lugares.

Chamo isso de contemplação. Queria conseguir contemplar a Deus numa relação entre amigos. Num abraço apertado. Num chorar junto. Numa oração consoladora. Num beijo apaixonado.

Não sei ser assim, e é aí que entendo que me falta vida.

Uns consideram a vida essa atividade ininterrupta do ser humano atrás de interesses efêmeros que não resultarão em dádivas eternas.

Para mim, a vida é a proporção exata de se fazer o que trará dádivas eternas. Dádivas não mensuráveis: amizade, amor, carinho e companheirismo.

Aprendi a amar gente, e usar coisas. Entendi que livros são para conhecimento, e o conhecimento para o uso na vida das pessoas. Não uso pessoas para obter conhecimento, conheço pessoas para aprender sobre a vida.

Me desculpem, vocês não são iguais a mim. Nem desejo isso.

Mas todos, devemos aprender, que viver é um arte. Que arte se faz com ferramentas. E a obra prima produzida é para ser eterna, não mensurável.

Somos ferramentas na vida uns dos outros, não para ser usados e deixados de lado após o cumprir da missão. Somos ferramentas que sugerem valor aos relacionamentos, e desejo por um mundo melhor.

Aliás, só falamos de vida enquanto estamos no mundo, depois dele, retornaremos, ou iremos à fonte. Que para mim, é Deus.

Chegaremos lá, e se Deus nos abençoar, será ao lado de nossos amigos, da faculdade, da família, da nossa história, e junto com o Pai, poderemos ver o que aprendemos nessa caminhada, e Ele nos mostrará tudo o que através dos outros Ele nos ensinou.


Que Deus nos abençoe. E que nós aprendamos, a viver a vida; usar as coisas, amar as pessoas e temer a Deus.

Graça e paz.



Mateus Machado

Colunista

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