quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Estendi as mãos e ninguém me puxou



Texto Base: Salmos 69:1-17

   Quando penso em sofrimento lembro-me do Deserto, de Jó, de José e Jesus. Fico imaginando: 40 anos. É muito tempo esperando. Hoje em dia queremos tudo o mais rápido possível. Se pedirmos algo, desejamos que seja o mais rápido possível. Imagino Moisés esperando 40 anos para se apossar da terra prometida, guiando um povo incrédulo e muito provavelmente chato, e no final não poder entrar nela. 40 anos esperando.

   Fico imaginando também Jó, homem integro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal (Jó 1:1), mas que apesar disso, perdeu tudo, começou a viver como um moribundo pela terra, esquecido pelos seus e julgados pelos amigos. Deve ter sido uma peleja muito grande para entender tudo isso.
Imagino José, odiado pelos irmãos, vendido pela própria família, abandonado em uma cela, mas ainda assim firme. 

   Imagino também Jesus, o filho de Deus abandonado na hora mais angustiante para Ele. Esse sim era justo, este sim nos guia para a terra prometida. Ele teve que esperar 33 anos para que a vontade do Pai se cumprisse. Foi levado a um madeiro e morreu sem murmurar. 

***
   Às vezes andamos no deserto, sem nada, sofrendo calado. Caímos muitas vezes, mas conseguimos forças para nos levantarmos até o momento de cairmos novamente. Caído praticamente sem forças, força apenas para estender a mão. E com a mão estendidos, muitas, mas muitas vezes temos o sentimento que ninguém nos puxa. E não nos puxa mesmo. Sentimo-nos sós, abandonados, assim como Moisés, Jó, José e Jesus.

   Você já se sentiu abandonado? É um dos piores sentimentos. Moisés, Jó, José e Jesus uma hora ou outra em meio ao seu sofrimento se sentiram assim. É frustrante. Mas uma coisa aprendi em meio ao sofrimento. Quando não temos mais forças, quando nos sentimos abandonados, quando levantamos nossas mãos mais ninguém nos puxa, quando estamos caídos, não é em qualquer lugar que estamos, mas estamos caídos no colo do Pai.

   Nele podemos repousar, podemos descansar, podemos ter certeza que quando o sol raiar - demore o tempo que for - o choro vai cessar. Moisés morreu, mas guiou o povo até o lugar prometido, foi fiel a Deus, e viu a Sua Palavra se cumprir. Jó, mais do que receber tudo mais quanto tinha perdido, agora conhecia a Deus não só de ouvir falar, mas de vê-lo. José, abandonado, conseguiu unir forças e não abandonou o seu dom, pelo contrário, usou-o para salvar todo o Egito, e a sua família da fome, e foi honrado por Deus por isso. Jesus, ainda que abandonado na Cruz declarou que a vontade do Seu Pai fosse feita, e após morrer, cumpriu essa vontade ressuscitando; hoje Ele está ao lado do Pai nos esperando. 

   Conosco será assim também, basta crermos, continuarmos firmes, pois não estamos caídos em qualquer lugar, mas no Seu colo, o melhor lugar onde podemos esperar. E lembremo-nos: ainda que o mundo caia, Deus é Deus.


Ronnedy Paiva
Colunista

sábado, 22 de novembro de 2014

Sem VOCÊ, eu ando pra TRÁS




Texto Base: João 6:62-69.

Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” João 6:68

Gosto de uma musica, em particular, do cantor Lucas Souza, que se chama: Eu vou ficar aqui. Em um trecho dessa canção ele declara: Jesus [...] ando pra trás quando não te vejo. A base dessa letra fala de um lugar onde podemos ficar e nos esconder, onde podemos ouvir a Sua voz ecoar em nosso coração e onde aprendemos a amar e temos liberdade para isso. Esse lugar do qual a musica fala, é Jesus, e quando não O vemos, simplesmente estamos andando para trás. 


Imagino que para Pedro essa musica falaria muito, pois ao ser questionado por Jesus se queria retirar-se juntamente com os outros discípulos (v.67), ele, o único a responder, disse: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." (v.68). Tipo assim: Jesus... Sem você eu ando pra trás... não existe outro que nos leve para a vida eterna... do seu lado não arredo o pé.  Pedro sabia que ao lado de Jesus era o melhor lugar, embora posteriormente Pedro o tenha negado, o seu vinculo afetivo o trouxe de volta para Jesus, pois sem Ele, Pedro sabia que não estava indo a lugar algum. Sua pesca agora era de homens, não mais de peixes. 

Essa passagem, juntamente com a musica, nos ensina que quando temos Jesus como alvo, ainda que a morte nos detenha da vida, Ele nos tem preparado um novo lugar onde viveremos eternamente, um lugar que "não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Ap 21:4). Nesse lugar caminharemos ao Seu lado - o melhor lugar onde podemos estar.

Ronnedy Paiva

Colunista

Link “Eu vou ficar aqui – Lucas Souza”- http://youtu.be/5y1thcgJ_jU

Link Foto original - http://propmark.uol.com.br/image/resize/946/630/?img=/images/fotositecrack.jpg


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sem meus óculos, caio no buraco





Texto Base: Isaías 59:1-15


“Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. (Is 59:2) [...] Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos. (Is 59:10)”


Uma das piores coisas na vida que se pode acontecer, eu acredito que seja perder a visão. Ter que viver no escuro, sem nada mais ver. Eu que tenho miopia e astigmatismo de 1grau em cada olho, quando estou sem os óculos e só consigo enxergar o que está a minha frente, e o que está longe fica embaçado, já começo a me angustiar, parece que não consigo ver nada, não consigo reconhecer ninguém de longe, é simplesmente assustador. Imagina não poder ver mais!

O engraçado é que o pecado faz isso conosco também. Nós nos maculamos e começamos a ter um contato "embaçado" com Deus, nos separamos dEle. Já temos uma visão obscura, como quem olha num espelho (I Co 13:12), e essa visão fica ainda pior com o pecado. Mas nós, por muitas vezes, não nos angustiamos com esse distanciamento de Deus. Isaías 59 diz que “a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. (v.1-2)

Foi isso o que aconteceu com Adão e Eva no Jardim. Ao pecarem, comendo a fruta do conhecimento do bem e do mal, certamente eles morreram (Gn 2:17), pois a morte é a separação de Deus. Aquele contato de quem andava no jardim lado a lado com Deus foi cortado [...] Sem os óculos, caímos em qualquer buraco. Mas Deus, por amor, enviou o Seu Filho para morrer em nosso lugar e nos devolver o contato direto com Ele. O véu se rasgou. Não precisamos mais de mediador para nos dirigir ao Pai. Jesus fez todo o trabalho para que isso acontecesse. Ele nos tirou do buraco para que andássemos na luz.

E ah, isso é um grande alivio, é como se conseguíssemos ver novamente. Colocamos os óculos e simplesmente podemos ver tudo perfeitamente. Nele temos a remissão de todos os nossos pecados. O Seu sangue nos lavou. Devolveu-nos o contato.

Por isso espero de todo coração, que ao pecar e nos afastarmos de Deus, possamos logo nos arrepender, confessar os nossos pecados e abandona-los, para que novamente possamos estar em contato com o meu Pai. Com a mesma alegria de como quem acha um tesouro perdido.

Que assim possamos buscá-Lo com intensidade, com amor, e em santidade. Porque pior do que não ‘ver’, é não poder senti-Lo. E lembremo-nos que, chegará um dia em que o veremos face a face e o conheceremos plenamente como dEle somos conhecidos. Até esse dia chegar, que possamos ser limpos de mãos e puros de coração (Sl 24:4).

- A pior angustia é a do abandono, mas Ele disse que estará conosco continuamente, até o fim dos dias. E nós, estamos com Ele?


Ronnedy Paiva
Colunista

domingo, 28 de setembro de 2014

Somos espelhos



"Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo." (1 Pedro 1:15-16)

Existem espelhos grandes, existem espelhos pequenos, existem espelhos quadrados e outros redondos. Há espelhos para enfeitar e outros que sequer vão ser usados. Porém todos os espelhos foram feitos para uma única utilidade: refletir! 

 E o espelho reflete aquilo que está à sua frente. O que tem estado a sua frente? O que você tem refletido?

 
Nós não somos espelhos literalmente, mas fomos feitos para refletir uma luz como um espelho brilhantemente faz. Entretanto somos sujos, espelhos maculados, embaçados e manchados que não refletem nada por si mesmos. Apenas olhando muito bem da para ver alguns resquícios daquilo que se reflete. É como se estivesse em um grande nevoeiro tentando achar algum caminho, sem farol, sem iluminação. E a causa disso é unicamente o pecado, a transgressão nos sujou. Somos todos imundos. Por expectativa, nunca iriamos refletir nada. 

Mas Deus enviou alguém que com maestria refletiu aquilo que lhe estava a Sua frente. Diferentemente dos outros espelhos, este não estava sujo, nem nunca se sujou, e por onde quer que ele fosse iluminava tão intensamente que outros espelhos eram restaurados e limpos. Os quebrados se juntavam e novamente eram inteiros. Os sujos ganhavam nova moldura, e os charlatões eram envergonhados por essa luz. Ele se fez pequeno, tão pequeno que coube em nós. Ele virou nosso modelo, nosso referencial. E se tornou grande, como sempre foi e será. 

E esse espelho fazia algo especial para poder refletir essa luz. Ele, como espelho que veio ao mundo, e sendo odiado pelo mundo foi quebrado, ia constantemente a essa luz se renovar, se curar e se fortalecer. E este mesmo espelho disse, certa vez, que devemos fazer o mesmo, que na intimidade do nosso quarto devemos fechar a porta e nos encontrar com essa luz. Ali nós seremos limpos, restaurados, novamente ganharemos vida, nossa função será restaurada. E nossa função é essa, refletir a luz que nos tirou das trevas, que nos desembaçou e nos trouxe utilidade a fim de que tiremos outros das trevas também e os levemos conosco para essa maravilhosa luz.  

Não há nada de mais sublime do que ser o reflexo daquele que nos ama; amando tanto a ponto de querer se ver em nós, mesmo sem merecermos, mesmo que nos sujando deliberadamente, e mesmo, por muitas vezes, termos sido reflexo das nossas próprias mazelas, nosso egoísmo e nossa maldade. Que não sejamos nós, mas Ele a nossa frente, para que Ele seja o reflexo da nossa vida, e possamos produzir algo de bom. Que quando alguém nos olhar, veja o reflexo dessa luz e possa ser limpo por ela, e novamente encontrar a vida, e por fim encontrar o caminho. 

Que essa Luz de Cristo resplandeça em nosso rosto, que a Glória do Cristo crucificado e ressurreto seja conosco por onde quer que andemos. Que não brilhemos nós, mas Ele, o autor e consumador da nossa fé e da nossa existência. Que sejamos limpos por essa luz, e que a busquemos sempre sem medo, sem dor, e por amor. 

Eu quero ser esse espelho, santo, porque Ele é santo.




Ronnedy Paiva
Colunista

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Devocional PD - Eu fui encontrado


Texto Base: Lucas 19:1-10

Como é bom ser encontrado não é verdade? Imagina aquelas pessoas perdidas em uma mata fechada, ou sucumbidas por escombros ouvindo a voz de alguém. Quão maravilhoso deve se torna essa voz para elas.

Zaqueu ouviu essa voz e a atendeu. A bíblia nos fala que ele se alegrou ao ouvi-la (v.6), e eu até posso imaginar a cena e ousar a dizer que ele deve ter ficado eufórico, porque logo após esse chamado ele muda. 
“Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais". Lucas 19:8
Quando alguém ouve essa voz - e quando esse que a ouve está perdido - não há como ficar indiferente a ela. Uma mudança acontece na vida desse ouvinte. Foi assim com Pedro e André, que ouvindo a voz de Jesus, largaram tudo e o seguiram (Mt 4:18-20). Foi assim com Paulo, que após uma vida perseguindo os cristão, se tornou um deles e começou a seguir a Cristo (At 9:1-20). E foi assim com Zaqueu, que ouvindo a voz de Cristo, decidiu mudar de vida e de restituir todos àqueles que ele explorou. Uma mudança radical aconteceu, e isso trouxe alegria ao coração de Jesus.
"Jesus lhe disse: 'Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido'." Lucas 19:9-10
Deus nos tem chamado constantemente, Ele nos encontrou há muito tempo, e Ele sussurra aos nossos ouvidos constantemente: "Ei, eu estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, abra a porta, e eu entrarei em sua casa, e com você cearei, e você comigo. E ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Apocalipse 3:20-22 (paráfrase do autor).

Abra a porta do seu coração para que Ele entre, tire os escombros do seus ombros e deixe Ele te carregar. Deixa que Ele te limpe e faça de você um homem novo. Deixe-se ser encontrado.
"Eu fui encontrado. Sendo que eu sempre fui o esquecido em tudo que eu vivi. E me chama amigo. E eu, eu não sou mais estranho, eu sou um filho. Eu não sou sou mais estranho, eu sou um filho Eu fui encontrado, eu sou um filho, eu sou teu. Eu sou teu." {Mais - Os Arrais}




Ronnedy Paiva
Colunista - Devocional PD 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Porta Estreita e o Caminho Estreito

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.” (Mateus 7:13-14)

Estreita é a porta e o caminho que nos levam a vida eterna e poucos são os que a encontram. E espaçoso é a porta e o caminho que nos levam à morte eterna... E aí, em qual caminho você está andando? Na verdade, quem poderia me responder com certeza absoluta se, morrendo hoje, teria sua salvação?


Muitas pessoas não tem certeza da sua salvação na verdade. Muitas vezes porque ligam a salvação como conquista, e não por Graça. Entretanto, outras que creem ter a salvação, não a têm, porque consideram que a Graça extirpa qualquer obrigação por parte do cristão, e vivem em uma legitimidade pecaminosa, sem arrependimento de pecados e sem obediência a Lei.

Para inicio de conversa, é necessário que entendamos do que somos salvos.

“Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:9-10).

Nós, somos salvos da “ira”; quer dizer, do julgamento de Deus sobre o pecado (Romanos 5:9-10). Nosso pecado nos separou de Deus, e a consequência do pecado é morte (Romanos 6:23). Salvação bíblica se refere à libertação da consequência do pecado e envolve, portanto, remoção do pecado. ¹

       Em Jesus nós tivemos a remoção dos nossos pecados. Nele se cumpriu as escrituras de Isaías 53, e novamente fomos religados com Deus. Por um só homem o pecado entrou, e por um só homem ele saiu. Agora reconciliados com Deus, podemos nos decidir: viver de modo tal que, nos leve a vida eterna, ou de modo qual que nos leve a morte eterna. Diante dessa decisão (que só cabe a nós fazer) – pelo menos pra mim -, surge uma duvida: o que é preciso para que eu seja salvo e vá para a vida eterna.

Primeiramente: não sou eu quem diz que você é salvo ou não, mas é Deus. Porém a bíblia nos leva a algumas orientações. São elas:

Confissão: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9);

Cristo foi moído em um madeiro para que todo aquele que nele crê, seja salvo (Jo 3:16). Assim, devemos aceita-lo como Senhor e Salvador de nossas vidas, tomando essa decisão, fazendo a confissão de pecados e o arrependimento deles. Com a nossa boca confessamos e com nosso coração cremos.

     Arrependimento: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 4:3).

   Não existe salvação sem arrependimento, sem mudança de atitude. Se continuarmos os mesmos depois da confissão de que Ele é Senhor e Salvador, nós não nos convertemos.

“Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:1-4)

Não devemos esquecer que Deus é santo, e não compactua com o pecado, por isso a necessidade de perdão e mudança de atitude.

    Fazer a vontade do Pai: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7:21-23).

No original (hebraico), iniquidade está por anomalia nesse versículo. “a” não/sem – “nomalia” lei. Ou seja, é como se Deus estivesse falando: “Não vivam como se eu não tivesse dado uma lei para vocês seguirem.” ²

Não nos esqueçamos de que conversão não é uma decisão única, mas é uma decisão eterna (a porta é estreita, e o caminho também). Constantemente devemos nos converter.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

Quando nos entregamos a Ele, existe uma mudança de pensamento. Devemos olhar para Jesus como o nosso modelo. Não é para o líder de jovens, ou para o pastor, muito menos para qualquer líder espiritual. Devemos olhar para Cristo e ansiar andar como Ele andou.

Essas são algumas das orientações que a bíblia nos dá para que, diante dos homens e de Deus, confessado que Ele é Senhor e Salvador, vivendo em novidade de vida, e obedecendo a Ele, tenhamos garantia da vida eterna.

***
Porém, muitas pessoas creem que a salvação se dá pelo que fazemos na terra, pelas obras que exercemos. Estás, estão estritamente erradas. A salvação vem pela graça, mediante a fé.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:8-10).

Somos feitura dEle, como diz o autor, para que façamos boas obras, mas não é por elas que merecemos o céu (e nada nos fará merecer). É pela graça que podemos ir para “lá”.

“As ações tem valor puramente simbólico: não nos fazem merecer a salvação, mas demostram que Cristo agem em nós e que, consequentemente, fomos perdoados e salvos.” (MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. São Paulo: Edição Paulista, v.02, p. 5, 1926.)

Como já dito, não são as obras que nos levam “ao céu”, mas elas são um atestado de que “estamos indo pra lá”.

É mediante a fé, então... E fé é: “[...] o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11:1).

A Fé é certeza do que não se vê -- e só se tem certeza porque se confia -- só se confia porque conhece -- se conhece porque busca -- se busca porque se interessa, porque gosta, porque ama -- Deus nos buscou.

Deus nos buscou porque Ele nos ama. O amor é à base de um relacionamento. E é isso que se trata a Graça, de que toda a iniciativa parte dEle, e não nossa. Para aqueles que dizem que o Velho Testamento não fala de Graça, se olharmos a escolha de Deus e a iniciativa dEle na história de Israel, nada mais veremos do que a Graça.

Mas muitas pessoas caem em um legalismo cristão, pois creem que a Graça aniquila nossa responsabilidade, mas não, antes ela nos ínsita a obedecer e abandonar o pecado, não por obrigação, mas por amor.

No casamento, uma das obrigações é de se amar o cônjuge, mas não se ama porque é uma “obrigação” de casado, se ama porque conhece, porque confia, porque o outro faz bem. O amor a Deus deve nos levar a fazer às boas ações, não por interesse, não por barganha nem por ‘obrigação’, mas por amor.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1 Coríntios 13:1-3).

Se aceitarmos Cristo em nossas vidas, e não nos arrependemos de nossos pecados, se continuamos andando como os velhos homens, estamos cuspindo na Graça, na verdade, nós nunca O conhecemos. Se o aceitamos, é por que reconhecemos o Seu amor que nos transportou das trevas para a Sua maravilhosa luz, isso quando ainda éramos pecadores, e isso foi possível somente pela Graça, Graça essa que nos leva as boas ações.

Então não é nada do que ‘eu faço’ que me fará merecer o céu, ou vá me levar para lá, mas a Graça, por meio da Fé.

***
Existem também aqueles que acreditam que a salvação se dá pelo cumprimento das leis, e estritamente a elas. E elas não estão de um todo erradas, mas novamente se cai no mérito, e não é por mérito a salvação, mas por Graça.
Ser cristão não é ir para a igreja, ou ler a bíblia uma vez por semana, nem muito pouco orar ou ouvir musicas gospel. Ser cristão é ser um “mini Cristo” na terra, é mostrar frutos de arrependimento. O verdadeiro cristão é reconhecido pelo que se produz, pelos seus frutos, e não pelo que ele diz que é, puramente dito.
“E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.” (Mateus 19:16-22)

O pedido de Jesus não é de doarmos todos os nossos bens, mas de segui-Lo. Ele nos fala que, onde está o nosso tesouro, aí também está o nosso coração (Mt 6:21). O coração do jovem rico estava em suas posses. E o seu coração, onde está?

De contrastante modo, vemos Zaqueu que, após seu encontro com Cristo da metade dos seus bens aos pobres (Lc 19: 1-8). Muitas vezes não queremos abandonar aquilo que nos da conforto e confiança, mas enquanto não lançarmos mão de certas coisas, estamos dizendo a Deus o equivalente há: “não confio em você por inteiro”. A verdade é que é impossível para o homem salvar-se a si mesmo.

“Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: Quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19:23-26).

Não seria o ato de doar os seus bens que faria o jovem rico herdar a vida eterna, muito menos o cumprimento das leis, mas sim o seguir a Cristo, o abandono de seu passado para uma novidade de vida.

Deus faz promessas a nós, e depois faz uma aliança. Quando transgredimos a lei, estamos saindo dessa aliança, estamos saindo do cuidado de Deus, da Sua promessa. Estamos duvidando da identidade de Deus. A lei tem a finalidade em Cristo, Ele não veio para quebrar a Lei, mas sim para cumpri-la (ouviu sr. Caio Fábio?).

Na Cruz Jesus nos deu a oportunidade de nos reconciliarmos com Deus. Ele deu o primeiro passo em nossa direção, resta a nós caminhar até Ele. Por isso se faz necessário à aceitação. E o que significa você aceita alguma coisa?

Que dizer que você concorda com aquilo que lhe foi dito ou proposto. Quando confessamos Jesus como Senhor e Salvador, aceitamo-lo como Senhor, ou seja, somos servos dEle agora. E também como Salvador, ou seja, Ele quem nos tirou do cativeiro e nos libertou; nós que não tínhamos essa possibilidade.

Essa escolha se dá por amor, ou deve se dar por amor. Quando O aceitamos, devemos mudar nossas atitudes. Por que eu amo, eu mudo.

Como já falado, converter-se não é uma vez, é todo dia. A porta é estreita, poucos entraram nela, mas o caminho é estreito também. Ou seja, não é fácil trilhar esse caminho, e não somos nós quem criamos o caminho até Ele, mas Ele quem criou o caminho para que nós nos acheguemos a Ele. E esse caminho é Jesus Cristo.

“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6).

Em Jesus, fomos salvos da morte eterna, e isso foi pela Graça, mas é necessária a decisão, e essa decisão se dá pela Fé. Para que geremos uma mudança de vida. Se queremos saber se somos salvos, ou, que vamos ser salvos, devemos olhar para os nossos frutos.

Assim, torna-se necessário que examinemo-nos a nós mesmos (1 Co 11:28) e que vejamos se não estamos caminhando a passos largos para a morte eterna. Se estivermos verdadeiramente no Caminho certo, devemos tomar cuidado para que não nos desviemos para a direita ou para esquerda. Para que possamos ser mais parecidos com Ele. E quando somos parecidos com Ele, estamos mostrando bons frutos.

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:17)

Deus se compraz em Jesus porque Ele reflete a imagem do próprio Deus. E Deus quer que reflitamos isso também. Somos feito a Sua imagem e semelhança para as boas obras. Quando andamos por nossas próprias pernas, achando que somos merecedores de alguma coisa, que não existe uma Lei que deve ser seguida, nada mais estamos refletindo do que a nossa própria humanidade pecaminosa, e no pecado, estamos imundos, caminhando no caminho errado. Por isso Ele nos deixou o Espirito Santo.

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)

Deus nos deu o modelo, que é Jesus, e nos deu o consolador, que é o Espirito Santo. Onde este, quando nos desviarmos, nos conduzirá novamente para o caminho, e este caminho é o próprio Cristo, a qual nós devemos a nossa vida, e a qual devemos olhar e nos moldar, pois foi pago um alto preço para, na eternidade, possamos ter uma conversinha com nosso autor e consumador da fé (Rm 12:2).

Para concluir, e resumir, não é por méritos, não é por obras, não é pelo que eu faço, mas é pela Graça que somos salvos, mediante a Fé. E se dissermos que temos Fé, devemos confiar nEle, seguir Seus passos, ser como Ele é, para apresentarmos a Deus nossos frutos, e bons frutos. Pois o caminho pode ser apertado, cheio de espinhos e percalços, mas no final dele, podemos ter certeza de que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8:18).

Responda rapidamente:

    •       Você tem a certeza da sua salvação?

    •    Você orou a Deus entregando a sua vida, se arrependeu dos seus pecados e tem andando em novidade de vida, obedecendo a Ele por amor?

    •    Você tem dado frutos bons a Deus?


Reflita, aceite-o, e mude!

Que Deus os abençoe.

Ronnedy Paiva
Colunista

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¹ O que é salvação? Qual é a doutrina Cristã da salvação? Disponível em < www.gotquestions.org >
² WASHER, Paul. Pregação chocante. Link do vídeo: < www.youtube.com/watch?v=N5lw809gB94&app=desktop >