quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sobre nós, algumas verdades do Reino de Deus, e o salmo 17



"Ouve, SENHOR, a justiça; atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração, que não é feita com lábios enganosos. Saia a minha sentença de diante do teu rosto; atendam os teus olhos à razão. Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; propus que a minha boca não transgredirá. Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor. Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem. Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus ouvidos, e escuta as minhas palavras. Faze maravilhosas as tuas beneficências, ó tu que livras aqueles que em ti confiam dos que se levantam contra a tua destra. Guarda-me como à menina do olho; esconde-me debaixo da sombra das tuas asas, Dos ímpios que me oprimem, dos meus inimigos mortais que me andam cercando. Na sua gordura se encerram, com a boca falam soberbamente. Têm-nos cercado agora nossos passos; e baixaram os seus olhos para a terra; Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua presa, e com o leãozinho que se põe em esconderijos. Levanta-te, Senhor, detém-no, derriba-o, livra a minha alma do ímpio, com a tua espada; Dos homens com a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida, e cujo ventre enches do teu tesouro oculto. Estão fartos de filhos e dão os seus sobejos às suas crianças. Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar." Salmos 17:1-15



Fiz uma viagem por esses tempos. Fui à um congresso evangélico, onde o assunto em questão é a igreja. A igreja, sua teologia, sua forma de trabalho, sua missão, seu modo de ver o mundo.

Confesso que ao partir ao congresso, um medo muito grande tomou meu coração. Por dois motivos:

1 - Eu poderia chegar lá, e ao ouvir os pensamentos, não concordar com nada, mas não que os pensamentos dos expositores estivessem me causando confronto e demonstrando falhas minhas, mas, eu na minha miséria gigantesca, poderia chegar lá, e não concordar com nada daquilo que me fora dito. O congresso poderia ser um grande tiro na culatra, e acabaria gastando um dinheiro que não tinha, para ir à um lugar que não conhecia, para ouvir gente, que eu não sabia, mas não gostava.

2 - Eu poderia chegar lá, e ao ouvir os pensametnos, ser completamente confrontado. Poderia chegar lá, e tudo o que eu pensava à respeito da bíblia, das revelações que achara ter recebido do Espírito Santo de Deus, nunca terem ocorrido. Ser exposto como um analfabeto bíblico. Um idiota total. E ter de chegar na minha casa, à minha comunidade e dizer o quão idiota fui por todo aquele tempo. Que meu ensino, no fundo no fundo, fora uma grande heresia, e Deus muito possivelmente não estava em todo esse negócio.

Feliz ou infelizmente, não foi isso que ocorreu. O congresso aconteceu em grande clima de paz, amor, denúncia ao pecado e aquilo que precisava ser mudado, e defesa de algo que hoje pode ser uma saída para aquilo que se tem por realidade no Brasil: corrupção de todos os lados, inclusive e principalmente dentro da Igreja Evangélica Brasileira, senão, principalmente por meio dela.

E lá, no congresso, numa tarde de quinta-feira, onde não haveria programação nenhuma do evento, as minhas leituras diárias já haviam sido colocadas em dia. Num quarto do hotel, com a janela de frente para o centro da cidade. Resolvo ver o salmo para o qual deveria me atentar à escrever. E sem dúvida, o salmo 17 encaixa perfeitamente com o congresso, aquilo que sempre acreditei, e que penso ainda.

O salmo 17 começa com um clamor ao Senhor. Segundo o título da minha bíblia, "Davi pede a Deus que o proteja contra seus inimigos; Confia na sua inocência e na justiça de Deus".

Primeiro, volto a reafirmar categoricamente, sou ortodoxo. Para mim, a bíblia é inerrante; regra única de fé e prática; creio de Gênesis ao Apocalipse; Submeto-me a ela. E qualquer argumento pautado fora dela para explicação de algo sobre a natureza de Deus, sobre os planos dEle, ou missão da igreja; para mim, são lixo. Bíblia é bíblia, suas idéias mudam, e ela permanecerá.

Não gosto de gente que vez ou outra usa a bíblia para confirmar aquilo que pensa, mas não usa a sua capacidade de pensar para ensinar aquilo que a bíblia quer dizer.

Não gosto de gente que se explica demais para fundamentar algo na palavra. Como disse Ed René nesse mesmo congresso: se você tem de se explicar muito para fundamentar algo que diz estar na palavra, provavelmente se trata de uma heresia.

Esclarecido isso, continuemos.

O clamor de Deus se dá até como algo genérico. Vamos brincar de sinceridade. Você e eu.

Quem aqui quando é inocente de fato não se lembra de Deus?

Agora, quem aqui, quando é culpado, também não lhe implora por misericórdia?

Paulo Brabo, é genial em dizer, em seu livro "Bacia das Almas" que o que nós desejamos é a impunidade e não a justiça.

A grande diferença aqui nesse salmo, de Davi para qualquer outro cara pálida que conhecemos é o fato de Davi clamar por justiça.

Pois bem. E aí, o que é justiça.

Apesar de não gostar de me embasar em mim mesmo para uma definição ou apresentação de um texto.

Entendo por justiça:

A realização da prática que independente da situação, dos envolvidos, dos prejuízos ou benefícios, será feito aquilo que deveria ser feito.

Explico (apesar de achar que fui claro).

Acredito que crimonoso pode ser restaurado por Deus. Seja esse crimonoso um estuprador; seja o crime que ele cometeu contra algum parente meu; seja ele meu melhor amigo.

Apelei, confesso. Mas é isso. Considero justo, aquilo que afirmo desde sempre, e apesar das contingências diversas, a decisão ser mantida, porque não importa quem ou qual a situação, importa o valor trabalhado.

Deus não ama menos o mendigo que passa fome mas se converteu de todo coração; do que ama a você, com condições de fazer diferença. Justiça é esse aspecto de imutabilidade dos fatos. Claro que ao ser apresentado novas informações, as sentenças deverão ser reanalizadas.

O salmo todo continua basicamente nisso. Davi alegando sua justiça. Clamando por uma visitação de Deus. E criticando quem não faz nada.

Vamos para as nossas lições.

Em primeiro lugar, Davi me mostra como estamos longe daquilo que Deus sonhou por Justiça. Cristo, em determinado momento do seu ministério disse, buscai pois em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas (Mt 6:33). Certo?

Precisamos entender que não há como sermos pessoas comprometidas com o reino, enquanto não formos comprometidas com Deus. Não há como afirmarmos ser alguém cheio do Espírito de Deus sendo que a nossa luta é pelos nossos prazeres e projetos pessoas. Não entra na minha cabeça, a morte para o mundo e vida para Deus, sendo que na prática, o que corro atrás é de posses, bens, e as vidas que valem o mundo todo para Deus, são deixadas de lado, as vejo com desdém.

Nós precisamos então, reconhecer que não sabemos o que é justiça. Que não entendemos Cristo, sendo totalmente santo, vivendo, ensinando, comendo, agindo entre os pecadores. Não compreendemos o Deus de Israel preocupado com que seu povo fosse luz para todas as nações. Não entendemos o chamado de Deus à Abraão. Não entendemos o Deus que não quer ver os benefícios de alguns e malefícios de vários outros, mas que anseia que todos O amem, e se relacionem com Ele, mesmo sabendo que não serão todos os que corresponderam, seu coração é para abençoar.

Como diria CS Lewis: Se agíssemos com alguém como se já a amasse, estaríamos amando.

Parafraseio Lewis, se agíssemos com alguém como se já tivessemos aprendido o que é justiça, estaremos sendo justos. Eu não sei o que é justiça em plenitude, em verdadeiro significado, mas posso imaginá-la, e imaginando-a agir dessa forma, e acabando assim, me tornando mais justo.

Justiça é algo que se aprende fazendo. Como orar, adorar e ser cristão.

Em segundo lugar, nós não somos exclusivamente terrenos.

Explico.

Por mais que tenhamos de buscar o reino de Deus, a luta hoje é contra uma teologia extretamente contemplativa: quer ver anjo, ouvir vozes, sentir arrepios, ter visões, profetizar, curar, etc. A luta é então, para que toda essa sede de buscar as coisas do céu, se transforme em benefício à gente da terra. É transformar gente aérea e espiritualista em gente relevante para a sociedade e seu semelhante, mesmo que os próximos dele.

Contudo, a luta não acaba aí. Pois daí entramos em um outro extremo. Se por um lado gente espiritualista enxerga pecado em tudo. Enxerga demônio em tudo. Enxerga espírito em tudo. Por outro lado existe gente que nem ora, não lê a bíblia, e acha que somente a obra, a transformação da realidade deve ser prezada.

Seria para mim, a fé viva num Deus morto. A pessoa faz, faz, faz, faz mas o contato com o divino não existe. Espiritismo.

E por outro lado, a fé morta no Deus vivo. Fé da oração jejum, retiros espirituais, doações, dízimos e etc; onde ninguém a sua volta é abençoada. Nenhuma mudança é vista materialmente, na realidade da pessoa, apenas promessas e palavras ao vento. Neo-pentecostalismo.

O que Davi propõe é um equilíbrio. Simples. Justiça que é manifestada terrenamente, mudança de realidades sociais e etc.

E apresentar-se diante a face do Senhor. Não anulamos o Espírito Santo, é na força dEle que realizamos tudo. É em obediência à Sua orientação que estamos indo, pregando, servindo, evangelizando e agindo em prol do reino de Deus.

Não ficamos parados esperando que Deus faça tudo por nós. E não fazemos tudo sem saber o que o Senhor quer de nós. Somos obedientes e cumprimos aquilo que o Pai designou.

Atividade sem obediência é querer se aparecer, orgulho. Inércia com respaudo do Senhor para as obras é falta de fé.

E por último, encontraremos satisfação quando os homens forem todos semelhantes.

Para terminar, existe um conceito teológico, chamado "Imago Dei". Ou imagem de Deus. Somos todos imagem e semelhança de Deus, e confesso que enquanto vejo alguma criança passando fome; um viciado necessitado de ajuda; uma esposa abusada necessitada de compreensão, um marido beberrão que necessita de apoio, a imago dei, não está sendo vista nessas figuras.

O que quero dizer é que a imago dei é para o ser humano completo. O ser humano antes da queda. Imagem que alcançaremos quando o ser humano experimentar da restauração e redenção em Cristo. Da transformação que a Igreja pode trazer quando cheia do Espírito Santo.

A imagem e semelhança de Deus não pode encontrar prazer em ver um igual a si padecendo necessidade. Isso é demoníaco.

Os semelhantes foram criados para ter as mesmas condições de adorar Aquele a quem são imagens e semelhanças.

Homens e mulheres redimidos, num coral à uma só voz, dizendo quão grande é o nome de Jesus. E o quão maravilhoso é contemplar a presença de Deus e servir ao Senhor com alegria.







Eu oro,  sonho, e acredito que a Igreja pode viver isso.

Igreja quanto coletivo, e você como pedra viva do altar do Senhor, também.

Que Deus te abençoe.

Graça e paz.

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