quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sobre nós, um pouco de verdade, e o Salmo 16



Eu não gosto do que acontece hoje. Não gosto do que vejo na televisão. Não gosto do que assisto nas séries. Não gosto do que ouço nas rádios.

Não gosto nem do que tem sido pregado nas igrejas. Não vejo verdade nos discursos. Não vejo sinceridade nas falas. Não vejo afeto nos abraços. Não vejo sentimento na poesia. Não vejo pensamento nas atitudes. Não vejo crítica ao que se tem proposto.

É como se ao olhar para cada situação, o inverso daquilo que foi proposto fosse o mais real. Por exemplo: ao se auto afirmar, o grito da alma é de crise de identidade; ao responder atravessado, existe a necessidade de um abraço; ao isolamento, companheirismo; ao pensamento crítico, compreensão. As capas estão por toda a parte. As vestes estão ao contrário. O coração está no lugar da razão e a razão do coração.



Aquilo que nos rege tem que voltar ao seu lugar. Aquilo que nos foi prioridade, outrora, tem de ser novamente. Alguma coisa precisa acontecer.

Precisamos aprender algo sobre Deus.

"Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio. A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor, a minha bondade não chega à tua presença, mas aos santos que estão na terra, e aos ilustres em quem está todo o meu prazer. As dores se multiplicarão àqueles que fazem oferendas a outro deus; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios. O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte. As linhas caem-me em lugares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança. Louvarei ao Senhor que me aconselhou; até os meus rins me ensinam de noite. Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente". - Salmos 16

O salmo 16, para mim, vem para realinhar algumas coisas perdidas. E é claro, gostaria de compartilhá-las com você.


Em primeiro lugar, o salmo vem nos lembrar que não somos o foco da nossa espiritualidade. Talvez você esteja cansado de ouvir isso. Talvez essa seja a décima vez que você esteja ouvindo a mesma coisa. Abro parênteses, se você é um leitor assíduo do blog, e particularmente dos textos que escrevo, você realmente está cansado desse assunto dentro dos textos, mas o reforçarei, até que veja em nós, alguma mudança. Fecha parênteses. Estamos mal acostumados. Estamos achando que Deus é quem deve nos servir. Estamos achando que a divindade está em nós, que há em nós algum motivo para que Deus se atente à terra e nos paparique. Estamos achando que temos alguma condição de reivindicar algo. Achamos que podemos entrar na presença do Senhor dos senhores, do dono de todas as coisas, do poderoso e soberano criador, do único digno de louvor e glória, Aquele que fez o mundo sem pedir ajuda à ninguém, e lhe ordenar, ou ensinar algo.

O salmo 16 nos ensina que a confiança em Deus deve ocorrer, independente da resposta voluntária da parte dEle. Deus age de forma pedagógica. Se intervém na nossa história, é para que testemunhemos do Seu poder maravilhoso, do Seu cuidado especial para conosco, da Sua existência e ação nas nossas vidas. Quando não age da forma que pretendíamos, nos ensina que Ele é Deus; que não importa a quantidade de milagres, mas o amor manifestado por nós em Cristo; não importa a benção financeira, mas o cuidado diário de proteção para que ninguém mal intencionado faça nenhum mal contra nossas vidas.

Tenho aprendido que quando vejo notícias ruins, ou qualquer fato chocante na Tv, rádio, internet, etc, devo ser movido à duas coisas, e nenhuma delas é murmuração ou acusação contra o irmão: "Oh, Jesus tá voltando e você vai para o inferno!".

As duas atitudes são, de orar para que o Senhor abençoe, console e ministre os seus propósitos sobre as vidas envolvidas e dos seus próximos. E de ação de graças por mais uma vez ter me livrado o Senhor, porque nada sou à mais do que qualquer ser humano que passa necessidades, é um marginal ou corrupto, mas a graça do Senhor tem me livrado dessas situações, por isso lhe agradeço.

Confio, não porque com essa atitude Deus me trará benefícios, e penso dessa forma. Confio porque Deus, em caráter é cuidador, bom para comigo e Ele me guardando ou não, o melhor (e não prazeroso) para mim acontecerá.


Em segundo lugar, o décimo sexto salmo vem nos lembrar da singularidade da nossa fé. Veja, não escrevo singularidade como sinônimo de individualidade, a fé só acontece em comunhão, em rede de relacionamentos, na reunião de dois ou três em nome do Senhor. Contudo, nunca se viu um avanço "evangélico" tão grande. Nunca se viu tanta gente com tanta visão "profética", com títulos "apostólicos", com "unções" específicas, "atos proféticos", e por aí vai a ladainha toda. Não quero dizer que esses são ou não falsos ou genuínos homens e mulheres de Deus, o Pai dos céu os conhece e saberá o que fazer com todos eles Naquele dia.

Mas chamo atenção para algo que o salmista fala no verso 4. Que costumes são esses de hoje em dia.

Quem nunca ouviu falar em pagar preço de oração?

Quem nunca ouviu falar em pegar preço de jejum?

Quem nunca ouviu falar em determinadas manifestações para batismo no Espírito Santo?

Quem nunca ouviu falar em orações de determinados fins?

Quem nunca ouviu falar em óleo da prosperidade?

Quem nunca ouviu falar em dias específicos de jejum para alguma benção?

Quem nunca ouviu falar da bíblia das promessas?

Quem nunca ouviu falar do livro dos milagres?

Quem nunca ouviu falar da oração de quebra de maldição?

Quem nunca ouviu falar do pastor que tira o mal olhado?

O que poucos de nós temos ouvido falar mesmo é da cruz do calvário; do sangue de Cristo que tirou o pecado do mundo; do Cristo ressurreto que nos fez mais do que vencedores nele; da falibilidade de qualquer coisa que nos tentar afastar do amor de Deus em Cristo; de que não há impedimentos para a ação do Senhor.

Isso ninguém diz mais. A popularidade abaixou para as verdades da bíblia, e as ditas revelações do "Espírito" que em nada tem a ver com a Palavra de Deus ou com Cristo, são mais valorizadas. Revelações do tipo: doe aquilo que você mais ama, isso tem se tornado um ídolo entre você e Deus"; "Oferte"; "Faça o carnêzinho"; "Compre o candelabro" e por aí vai. Neurolinguística e etc. Não gosto disso.

Amo as verdades do amor ao próximo; da miséria do homem; da soberania de Deus; da comunhão dos santos; da necessidade do perdão; da graça maravilhosa; da salvação pela fé; das obras por amor; da ortodoxia por desejo de conhecer ao Pai. Sou antiquado, não me levo às novas ondas do momento.

Uns dizem que é gesso. Outros dizem que é falta de liberdade. Eu chamo de fé. Fé em Deus, na obra dEle. Confio nEle. Em mim não há nada de bom. E não arrisco colocar em minha boca, as coisas que são ditas por aí.

Nem tudo que é dito em nome de Deus, foi Deus quem disse, foi Ele quem inspirou. Discernimento espiritual, assim como Davi teve, para não deixar se levar pela popularidade dos deuses do tempo dele.


Em terceiro lugar, o salmo 16 nos ensina que felicidade de verdade não é ter tudo o que se deseja, mas desejar aquilo que se conquistou. Essa talvez seja a parte herética do meu texto. Ou a mais evidente delas. Confesso que me denomino herege do piração divina. Risos.

Brincadeiras à parte, ou não. Enxergar a vereda da vida, é saber o que se valorizar. Uma espiritualidade infantil, onde o que se busca é o prazer; o benefício; o individual; as vitórias; só pode ser combatida com verdades além dessas.

Verdades como:

Melhor que possuir a benção de Deus, é ser rendido ao Deus abençoador;

Melhor que barganhar com o Todo poderoso é não correr risco de ser tomado por nenhum espírito, somente o Espírito de Cristo;

Melhor do que conseguir favor, é viver sem dever nada;

Melhor do que merecer é ser amado;

Melhor do que alcançar algo, é deixar ser alcançado pela graça de Deus;

Melhor do que viver independente do Pai, é viver submisso à sua direção, à sua palavra;

Melhor do que viver para esse mundo, é estar vivendo para Deus;

Melhor do que ter Deus como alguém distante, é ter liberdade para chamá-lo de Abba;

Melhor do que possuir algo na vida, é saber valorizar aquilo que já foi conquistado.

Considero esses e outros tantos, a forma inspirada por Deus para que vivamos. Deus não gostaria de criar um monte de gente imatura, paparicada e orgulhosa. Mas creio fielmente, que seu desejo é por gente obediente, temerosa e apaixonada por Ele.

Só quem ama ao Senhor. Anseia pelos valores do Reino pode dizer que o Senhor é a porção da minha herança, não tenho outro bem além de Ti.

Só quem nasceu de novo, consegue reconhecer o Paizinho amoroso dessa forma. Independente da cultura a volta. Independente dos espíritos rondeando. Independente das lutas que se enfrentam. Se Deus é por nós, quem será contra nós?



Que Deus te abençoe. A graça e a paz.

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