quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sobre nós, um pouco da graça do Senhor e o Salmo 15



"SENHOR, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; A cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao Senhor; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda. Aquele que não dá o seu dinheiro com usura, nem recebe peitas contra o inocente. Quem faz isto nunca será abalado" Salmos 15


Sempre me questionei à respeito da graça. Confesso que a considero demasiada grande para que as palavras contivessem seu significado, e também todas as verdades que ela contém à respeito do caráter de Deus.

Todos sabemos que seu significado inicial é favor imerecido... Mas falar de graça sem evidenciar a 'falhabilidade' humana e a queda do homem e Adão não é tratar do assunto com o respeito necessário.

Pois bem, pretendo explicar rapidamente a doutrina da graça, para dizer o que o décimo quinto salmo me diz sobre o assunto.

A doutrina da graça evidencia:

1 - A queda do homem em Adão.
Quando Deus criou o homem, mantínhamos um relacionamento sem barreiras, Adão na presença pessoal do Deus todo poderoso, e o Deus todo poderoso descia à terra para estar com Adão. Com a atitude do primeiro casal, comer do fruto do conhecimento do bem e do mal (foge-se da orientação direta de Deus) cria-se entre os dois, uma barreira chamada pecado. Diante de um Deus três vezes santo, pecado é algo inadmissível. Um Deus que não falha, tem caráter santo não admite rebelião, ainda mais de forma direta como foi, não valorizam a sua pessoa. A partir desse momento, vive-se o segundo aspecto introdutório.

2 - Miséria humana.
A miséria humana, é o fato de toda a humanidade ter sido afetada pela atitude do casal. Adão e Eva sem perceberem contaminaram toda uma raça. Agora, por mais que tentem se aproximar de Deus, sozinhos a coisa não vai. Não há mais relação entre Deus e o homem, não há formas de se estabelecer o relacionamento do Deus santo com o homem caído. É como se com o pecado original, o canal de ligação entre Deus e o homem fosse interrompido, tendo quer se pago o preço de sangue (morte) pelo pecado, até a vinda de Cristo, o sacrifício de animais. O homem, em liberdade total com Deus se torna algo impossível, precisa-se de algo como objeto de expiação.

3 - Misericórdia de Deus.
Aqui se dá uma característica evidente em toda a bíblia... Deus sendo bom e misericordioso para com os homens. Mas nada há de se comparar com a própria encarnação do Deus santo, para que viesse ao mundo, ensinasse a forma genuína da relação que deveria existir entre Deus e os homens, e pagasse de uma vez por todas o preço dos pecados dos homens. Em Cristo, os homens tem paz com Deus e podem ter novamente a liberdade de adorar ao Senhor, de forma íntima e genuína. Cristo viu a nossa miséria, se compadeceu das nossas impossibilidades e veio fazer em nosso lugar aquilo que era para ter vindo sobre nós, a morte. O sacrifício foi completo, Aquele que nunca pecou, pagou o preço por todos os pecados do mundo. O cordeiro de Deus, puro e imaculado, morreu por todos, e tirou o pecado do mundo.

Graça, para entender a graça, precisamos compreender tudo isso. Não diferente para entender o Salmo 15. 

Dificilmente pessoas que já estiveram diante de Deus anseiam estar em outro lugar. Pessoas que encontram dentro delas o vazio existencial, não querem saber de outra coisa a não ser preenchê-lo, e com a coisa certa. O Deus infinito em tamanho, não há de negar a Sua presença à quem sabe valorizá-la e anseia por ela... Fazendo assim, da pessoa que o procura, cheia do Seu Espírito Santo, que traz vida, alegria e amor.

Esse salmo evidencia a sede de Deus que as pessoas apresentam. Talvez, ainda não apresentem conscientemente, ainda não tenham dito para si mesmas, mas sabem que é algo que necessitam. Todos precisam de Deus.

Mas esse salmo me fala de graça. E eu gostaria de dividir com vocês o que décimo quinto salmo me ensina sobre a graça do Senhor.

Em primeiro lugar, a graça de Deus não é barata. Apesar de ser o conteúdo principal do evangelho, ou em outras palavras, o próprio evangelho, a graça não é algo atrativa aos púlpitos. Mérito é muito mais valorizado e agrada muito mais aos ouvidos dos frequentadores. Graça faz do homem alguém inútil e dependente. Inútil diante do Poderoso Senhor, e dependente, pois não há vida ou possibilidade fora do favor de Deus.

Quando a negação da graça não ocorre, o que se ocorre é o barateamento da mesma. Explico:

a) A graça não é o suficiente para te salvar. A graça te salva, mas desde que você coopere com isso.

b) A graça te isenta da mudança de vida. A graça faz com que você tenha acesso a Deus, independente do seu estado de pecado. Esse barateamento diz que essa sua condição pecaminosa não precisa necessariamente passar para o processo agora de SANTIFICAÇÃO.

Esses dois barateamentos são muito populares, e precisamos de discernimento do Espírito Santo para que não caiamos em nenhum deles. No primeiro, você se aproxima de Deus se antes parar de fazer algo; e no segundo, sua relação com Deus não melhora e nem transforma a sua vida, é uma relação simplesmente ocasional. E isso causa implicações:

A primeira anula o caráter Onipotente e voluntário de Deus. E a segunda o seu caráter santo.

A graça de Deus é de graça para nós, mas para Ele custou a vida de Seu filho. Manter-se de forma que o sacrifício de Cristo tenha sido vão para a transformação da sua vida, é negar a importância que esse ato de amor da parte de Deus teve para sua vida.

Em segundo lugar, a graça de Deus manifesta a doçura da presença do Pai. Eu não consigo me conformar com algo que ocorre no Brasil. Os maiores pregadores da doutrina da graça são aqueles que pouco falam de experiências ou testemunham delas (experiências que tem com o Senhor). São aqueles que até de certa forma, caçoam do fervor espiritual e da intervenção e manifestação do Espírito Santo na terra. Aqueles que caçoam do popularmente conhecido "mover".

Eu não sou o mais adepto. Confesso que faço as minhas piadas, brincadeiras e tenho de muito as minhas críticas. Contudo, não consigo entender graça sem pensar na manifestação de Deus na terra. Se a graça é evidenciada originalmente em Cristo (Deus presente na terra - EMANUEL: Deus conosco), de que forma pensar em graça se não a manifestação do Senhor em nosso meio? De que forma agir ou entender aquilo que o Pai dos céus queria que entendêssemos com toda a nossa queda e falha original. Para mim, a graça veio sim nos dar livre acesso a Deus, para que na relação com Ele, conhecêssemos mais do seu amor e tivéssemos mensagens relevantes da parte do Senhor para o seu povo ainda não alcançado. Graça é para missões, outro grande propósito de Deus.

Mas enfim, graça é para manifestar o imenso amor de Deus. Amor que nos é dado de forma sem explicação. Graça que nos leva a render louvores a Cristo, a reconhecer a dependência do Espírito. Graça que nos faz receber perdão, e nos ensina a perdoar da mesma forma os nossos irmãos. Graça que nos faz entender e evidenciar o caráter do Deus que desde sempre quis se manifestar, e usa da sua graça maravilhosa para nos dizer como O é na intimidade do quarto secreto; na revelação da sua palavra; na manifestação do seu poder; na comunhão dos santos remidos. Graça é presente Deus. Algo que todos nós experimentamos, ou não conhecemos ainda o Deus Pai de Cristo.

Em terceiro lugar, graça que nos trará transformação. Graça que não nos muda em nada não vem de Deus. A bíblia conta histórias, e a história do cristianismo confirma que muitos dos mais perversos homens da terra, ao se encontrarem com Deus foram transformados pela graça e presença de Deus. Acreditar que através da graça de Deus, o Pai eterno não mudará nada em nós, é querer considerar-se Deus. Algo inconcebível. Deus é perfeito, nós, trapo de 'imundiça'. Deus é santo, nós, lamaçal de pecado. Deus é totalmente outro, nós, caídos e destituídos da comunhão. Deus que sabe de todas as coisas, homens impulsivos e sanguinários. Deus que cura e homens que ferem. Por aí vai, Deus consertando e nós estragando.

Para encerrar. Foi o teólogo alemão Dietrich Boenheffer quem disse: "Só quem crê é obediente. Só quem é obediente crê"; Isso me leva a compreensão do que é graça, obediência a Deus, pela força do Espírito Santo. Se antes eu não tinha a oportunidade por minha natureza falha, agora que Deus se reconciliou com o mundo em Cristo, minha natureza remida pode obedecer a Deus, e ser fiel ao seu propósito de vida totalmente dedicada ao Pai. Anseio viver para o Pai em excelência no ministério da mordomia, fazendo de tudo o que tenho, coisas para que Ele use conforme o interesse dEle, sabendo que essas coisas na verdade são dEle, ele me confiou por graça, e não porque eu mereci. Sou apenas um instrumento em suas mãos, ansiando agradá-lo, em palavras, atitudes e verdade.

Que a graça de Deus nos recubra. E o Pai dos céus nos guarde de toda mentira à respeito dessa verdade maravilhosa. Salvos pela graça, em Cristo, para toda a eternidade.



Que Deus nos abençoe. Graça e paz.


Mateus Machado
Colunista

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