quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sobre nós, a miséria espiritual atual e Salmo 14;



"Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um. Não terão conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao Senhor? Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos. Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o Senhor é o seu refúgio. Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o Senhor fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel" - Salmos 14:1-7

Nunca se pensou tão pouco em Deus. Nunca se viveu a vida de modo tão natural. Acredito que em nenhum outro tempo, as pessoas se tornaram tão destemidas quanto os atuais. Um aplauso forte para o pós-moderno, para o relativismo, e para a falta de fervor espiritual da igreja. Esses são os responsáveis.

Já disse, me defendi e apresentei-me várias vezes como alguém que certamente não um "espiritualista", confesso que brinco, conto piadas, falo palavrões (evito, mas saem de mim de quando em vez), ouço música "secular" e por aí vai. Também já critiquei muito através dos meus textos, apontei críticas aos evangelhos da prosperidade; apontei pregadores que em minha opinião pregam falso evangelho, ou pregam heresias, segundo o que vejo por correto da palavra; e por aí vai. Tenho buscado o equilíbrio, alguém que consiga manter um relacionamento saudável e sincero com Deus sem que gere na cabeça das pessoas nenhum tipo de espanto ou opinião por alienado.

Abro parênteses, não tenho medo da perseguição, mas ao contrário, espero conseguir levar a mensagem libertadora do Cristo à todos, independente do estilo, das roupas e do nível intelectual. Fecha parênteses.

Nota-se que hoje algo está diferente. Não sou velho na fé, não sei se posso me dizer de outra geração de cristãos, mas nunca vi um povo que se diz algo, e está tão alienado sobre o assunto quanto quem nunca o ouviu falar. É como dizer-se filósofo sem nem saber o significado da palavra filosofia.

Cristão que quer dizer-se cristão tem de aprender sobre o Cristo, pensar sobre Ele, viver para Ele, deixá-lO viver através de si. Não existe outra mensagem, coisa diferente disso, não é ligada Jesus, o crucificado e ressurreto.

Conversar hoje sobre alguns assuntos é motivo até mesmo de piada. Vida de oração, intimidade com a palavra, interpretação de trechos e versículos, discussão de pregações, análise histórica, estudo da reforma, estudo das tradições, credos e crenças comprovadamente bíblicas, não fazem parte do jogo hoje. Aliás, Cristo hoje, pode ser levado assim, Cristo, o jogo; não mais: Cristo minha vida.

Inicia-se o final de semana, o jogo "Cristo" começa... Sábado a noite se dá o culto de jovens da igreja, onde se perde perdão pela festa da noite anterior e os pecados cometidos nela; dá um pause de forma que ao final do culto todos possam sair da igreja e ir para os bares, lanchonetes e outros locais da cidade e a vida continue, e o "Cristogame" fica em espera, para voltar à ativa no domingo na hora do culto, onde se reabastece para a semana toda, até a reunião de células. É isso, a definição do Cristianismo hoje, o reality show do momento.

Nas palavras do Salmo 14: o néscio diz não haver Deus. Nas palavras do Cristianismo atual: para que fanatismo, falar de Deus o tempo todo é desnecessário.

Não quero falar de Deus o tempo todo, mas eu decidi olhar para as coisas da minha vida sob a ótica dEle. Sejam essas coisas: um namoro, um negócio, uma oportunidade, minha faculdade, minha família, meus irmãos, meus amigos, etc.

Não quero ser santinho, nós não somos, nunca fomos, quero gente que queira Deus. Quero gente que não queira mais voltar a ter sede, que sabe que de dentro delas pode correr rios de águas vivas. Quero gente que obedece ao primeiro mandamento: amor ao Senhor, em intensidade e vida.

Mas o décimo quarto salmo tem muito a nos ensinar.

Em primeiro lugar, Deus está vendo tudo. Há algum tempo tenho andado preocupado com toda essa situação. Contexto filosófico, teológico, frieza, falta de amor, falta de comunhão, etc e etc. E uma única coisa que o Senhor tem me dito é: Eu tenho visto. São as palavras do Salmo, Vs.2.

Tenho entendido que Deus não nos mostra defeitos para que somente os denunciemos. Essa parte deve até ocorrer, conforme a orientação do Senhor. Mas devemos nos voltar à oração. Oração é algo que podemos fazer a todo tempo, em todo lugar, de todas as formas. Podemos orar em pensamento; orar por pessoas que não aceitam nossas palavras; orar por intervenção do céu; orar para que nos acalmemos.

Diante do Deus que pode todas as coisas, a lista de pedidos para Ele não deveria ser pequena, nem tão pouco mole (sem insistência).

Tenho para mim, que não temos medo do maligno, temos medo de Deus. Temos medo da restauração que Ele pode trazer e quebrar todo o nosso pessimismo. O ser humano é um ser tão orgulhoso, que não duvido que seja capaz de deixar o mal acontecer, só para provar que tinha razão enquanto reclamava, se tratando de crente então, isso se torna muito mais provável.

Em segundo lugar, o salmo nos denúncia o conforto. Não somos gente que busca o confronto, pelo contrário, buscamos nosso prazer. Buscamos o comodismo. Nós suavizamos os ensinamentos bíblicos para que as transformações em nós sejam amenas. Nós praticamos um mandamento mais enfaticamente e desistimos de outros nove. Nós julgamos as pessoas mas não queremos viver aquilo que falamos. Esse é o crente.

O salmo denuncia exatamente isso: não há nenhum que tema, um sequer. Ou seja, a situação da descrença está tão em alta que crer hoje é ser fora do pacotinho. É ser fora da roda de amigos. É ser fora do ciclo dos empresários ricos. É ser considerado fora do aceitável. O desafio que esse salmo traz não é só da denúncia para fora do "cristogame" (cristianismo atual), mas para dentro dele.

Não existe mais clamor por mudança. Não tem mais intervenção divina. Não tem mais a mão de Deus. Não tem mais autoridade da palavra. Não tem mais temor do Senhor. Não tem mais comunhão dos santos. Vocês estão vendo tudo isso, e achando normal. Para vocês essa luta esta perdida e não há problema nisso. Mudar dá muito trabalho. Como a sabedoria popular diz: sair da fossa dá tanto trabalho que é melhor a gente se habituar ao cheiro do esgoto mesmo.

Em terceiro, e último lugar. O salmo nos diz a solução. Ah, se viesse o socorro de Jerusalém. O salmista recorre ao único que pode salvar, o próprio Deus.

Assim como espiritualidade é algo que envolve nossa realidade e não algo fora dela, é do único ser espiritual todo poderoso que devemos buscar intervenção para nossas vidas. Não estou dizendo que Ele sempre agirá conforme a nossa vontade, mas quando nós entendemos que algo precisa acontecer porque é da vontade dEle, devemos recorrer ao lugar certo. Devemos parar com as conversas e rumores, fofocas e críticas. E nos voltarmos em oração e consagração ao Deus todo poderosos. Dono de todas as coisas que pode fazer o que bem entende, até mesmo fazer o fervor espiritual descer sobre a seu povo novamente, converter os incrédulos, e transformar as nossas vidas para sempre.

Que Ele nos conceda isso, estamos precisando.





Que Deus te abençoe. E que você seja diferença na vida dos seus irmãos, para a glória de Deus, na força do Espírito, a exemplo de Jesus. Amém.

A Graça e a paz.


Mateus Machado
Colunista

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