quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sobre Ele e ela [Parte 2]

Eu confesso que não entendo esse evangelho. O evangelho onde a maldição é não ter nada, e sinal de benção ser possuído por tudo.

Não entendo um evangelho onde as pessoas são coisificadas, e as coisas são personificadas. Onde se ama o carro, o celular, o tênis, as roupas e se odeia ou afasta o ser que vive, respira, sente e pensa.

Não entendo uma igreja que valoriza o templo, a estrutura, a reunião, o planejamento e não se lembra do nome do porteiro, aliás, quem é que liga para o porteiro.

Não entendo uma hierarquia espiritual onde a oração do pastor tem mais poder que a oração da criança. Onde os velhos são os intercessores e os jovens, aqueles que devem dar trabalho aos seus pais.

Não entendo um lugar onde ser o que se deve ser é motivo de chacota; Onde falar o que se deve falar, é alienação; e viver aquilo que se prega, é ser diferença e não algo comum.

Aliás, não entendo um grupo que diz estar no caminho, verdade e vida, que não se compromete em caminhar na direção certa, agir com sinceridade sempre, e se preocupa com a vida.

Mas falando do pobre, concordo que talvez seja amaldiçoado. Ele é amaldiçoado porque o rico abençoado não compartilha aquilo que o Dono de todas as coisas tem confiado em suas mãos. Servo ruim e infiel, não tem feito multiplicar a alegria que um prato de comida pode trazer à um lar.

Não creio num evangelho que traz prosperidade, creio no evangelho que traz salvação. Creio no evangelho que faz pobre não ser orgulhoso e aceitar a ajuda do rico. Rico, esse, que nunca deveria ter se tornado avarento, porque teve o exemplo dAquele que tinha todas as coisas. Daquele que tendo forma de Deus, não teve por usurpação ser igual à Deus, mas se esvaziou, e serviu. O rico entende, que sua riqueza é para serviço e não gozo terreno.

O pobre entende que o cuidado vem do Pai, que está nos céus, porque o pobre aprendeu que as coisas do reino vem primeiro, as demais serão acrescentadas, conforme o querer do Altíssimo.

E a igreja? Ah, a igreja ensina, que rico vai para o céu, por intermédio do sacrifício de Cristo; ensina que o pobre vai pro céu, por intermédio do sacrifício de Cristo. Que todos são, diante do Deus que fez todos do barro, apenas pó. Para que a glória seja Dele e rico não seja nada, e pobre seja o que é, ambos necessitados da graça do Senhor.

A igreja continua sendo um lugar onde a graça deve ser pregada. A vida ser valorizada. E Cristo o foco de tudo.



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