quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre Ele e ela. [Parte 4]

Gostaria de entender o que acontece.



Onde foi parar a fé progressiva, a direção e fervor do e para o Senhor. O que fizeram com a palavra, ou a pregação dela, que não transforma, mas acomoda, faz carinho.

O que fizeram da espada? Ela não corta, não faz separação. A espada hoje, nas mãos de gente que tão pouco mostra em temor ao Pai, tem se transformado em canivete, um no máximo um caco de vidro afiado.

O que fizeram da fé? Aquela que antes, nas gerações passadas faziam os crentes perseverar, buscar a face de Deus, entender seus propósitos, seus caminhos, seus ensinamentos na prática, e não teorização, teologificação dos assuntos da vida.

O que aconteceu com a teologia? Que antes tinha ligação íntima com a vida. Teologia era a ciência da vida em relação ao Senhor. Era a ciência que fazia o homem se atentar ao seu dia a dia debaixo do conselho, dos mandamentos e da orientação do Pai. Essa, hoje virou gesso; enquadra, fixa, aprisiona, leva à meditação superficial, sem profundidade prática, não ganha as ruas, não leva os crentes às ruas, os fazem ficar admirados pela poesia das falas rebuscadas e os aliena nos bancos dos templos.

O que fizeram com o Cristo? De salvador e Senhor para nosso empregado. Aquele que era, é e sempre há de ser, agora é obrigado a nos abençoar. Ele sabe o que necessitamos e o que desejamos, e se somos mais do que vencedores nEle, a sua obrigação é nos fazer vencer em tudo, mesmo que em coisas que não tem em nada compromisso com Seu reino.

É esse evangelho? É essa fé? É essa comunidade?

O que fizeram com a igreja? Gente que se unia para celebrar a vida, dAquele que morreu, mas ressucitou. Crucificado, mas agora glorificado. Padeceu, mas vivo está. Humilhado, mas hoje reina. Cadê a comunidade que celebra isso? Num só espírito, numa só fé, num só salvador, num só cantico, numa só visão, numa só autoridade a do Senhor nos céus, o cabeça desse corpo, que nos justifica diante de Deus.

Eu anseio ver a restauração. A restauração de uma relação que não está completa porque os prédios se enchem de pessoas; Não está completa porque as instituições estão enriquecendo cada vez mais; Não está completa porque hoje é popular e ganhou as mídias; Não está completa porque se fala em crescimento quantitativo. Anseio ver uma restauração que será completa quando a maioria dos ditos seguidores, deixarem ser transformados, pelo sofrimento atual, para a glória porvir.

Anseio pelo avivamento do Espírito Santo, através da obra redentora de Cristo, através do propósito eterno do Soberano e criador de todas as coisas, o Deus Pai.



Essa é a minha expectativa, junto com toda a terra. (Rm 8:19)

Mateus Machado
Colunista

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sobre nós, a miséria espiritual atual e Salmo 14;



"Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um. Não terão conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao Senhor? Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos. Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o Senhor é o seu refúgio. Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o Senhor fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel" - Salmos 14:1-7

Nunca se pensou tão pouco em Deus. Nunca se viveu a vida de modo tão natural. Acredito que em nenhum outro tempo, as pessoas se tornaram tão destemidas quanto os atuais. Um aplauso forte para o pós-moderno, para o relativismo, e para a falta de fervor espiritual da igreja. Esses são os responsáveis.

Já disse, me defendi e apresentei-me várias vezes como alguém que certamente não um "espiritualista", confesso que brinco, conto piadas, falo palavrões (evito, mas saem de mim de quando em vez), ouço música "secular" e por aí vai. Também já critiquei muito através dos meus textos, apontei críticas aos evangelhos da prosperidade; apontei pregadores que em minha opinião pregam falso evangelho, ou pregam heresias, segundo o que vejo por correto da palavra; e por aí vai. Tenho buscado o equilíbrio, alguém que consiga manter um relacionamento saudável e sincero com Deus sem que gere na cabeça das pessoas nenhum tipo de espanto ou opinião por alienado.

Abro parênteses, não tenho medo da perseguição, mas ao contrário, espero conseguir levar a mensagem libertadora do Cristo à todos, independente do estilo, das roupas e do nível intelectual. Fecha parênteses.

Nota-se que hoje algo está diferente. Não sou velho na fé, não sei se posso me dizer de outra geração de cristãos, mas nunca vi um povo que se diz algo, e está tão alienado sobre o assunto quanto quem nunca o ouviu falar. É como dizer-se filósofo sem nem saber o significado da palavra filosofia.

Cristão que quer dizer-se cristão tem de aprender sobre o Cristo, pensar sobre Ele, viver para Ele, deixá-lO viver através de si. Não existe outra mensagem, coisa diferente disso, não é ligada Jesus, o crucificado e ressurreto.

Conversar hoje sobre alguns assuntos é motivo até mesmo de piada. Vida de oração, intimidade com a palavra, interpretação de trechos e versículos, discussão de pregações, análise histórica, estudo da reforma, estudo das tradições, credos e crenças comprovadamente bíblicas, não fazem parte do jogo hoje. Aliás, Cristo hoje, pode ser levado assim, Cristo, o jogo; não mais: Cristo minha vida.

Inicia-se o final de semana, o jogo "Cristo" começa... Sábado a noite se dá o culto de jovens da igreja, onde se perde perdão pela festa da noite anterior e os pecados cometidos nela; dá um pause de forma que ao final do culto todos possam sair da igreja e ir para os bares, lanchonetes e outros locais da cidade e a vida continue, e o "Cristogame" fica em espera, para voltar à ativa no domingo na hora do culto, onde se reabastece para a semana toda, até a reunião de células. É isso, a definição do Cristianismo hoje, o reality show do momento.

Nas palavras do Salmo 14: o néscio diz não haver Deus. Nas palavras do Cristianismo atual: para que fanatismo, falar de Deus o tempo todo é desnecessário.

Não quero falar de Deus o tempo todo, mas eu decidi olhar para as coisas da minha vida sob a ótica dEle. Sejam essas coisas: um namoro, um negócio, uma oportunidade, minha faculdade, minha família, meus irmãos, meus amigos, etc.

Não quero ser santinho, nós não somos, nunca fomos, quero gente que queira Deus. Quero gente que não queira mais voltar a ter sede, que sabe que de dentro delas pode correr rios de águas vivas. Quero gente que obedece ao primeiro mandamento: amor ao Senhor, em intensidade e vida.

Mas o décimo quarto salmo tem muito a nos ensinar.

Em primeiro lugar, Deus está vendo tudo. Há algum tempo tenho andado preocupado com toda essa situação. Contexto filosófico, teológico, frieza, falta de amor, falta de comunhão, etc e etc. E uma única coisa que o Senhor tem me dito é: Eu tenho visto. São as palavras do Salmo, Vs.2.

Tenho entendido que Deus não nos mostra defeitos para que somente os denunciemos. Essa parte deve até ocorrer, conforme a orientação do Senhor. Mas devemos nos voltar à oração. Oração é algo que podemos fazer a todo tempo, em todo lugar, de todas as formas. Podemos orar em pensamento; orar por pessoas que não aceitam nossas palavras; orar por intervenção do céu; orar para que nos acalmemos.

Diante do Deus que pode todas as coisas, a lista de pedidos para Ele não deveria ser pequena, nem tão pouco mole (sem insistência).

Tenho para mim, que não temos medo do maligno, temos medo de Deus. Temos medo da restauração que Ele pode trazer e quebrar todo o nosso pessimismo. O ser humano é um ser tão orgulhoso, que não duvido que seja capaz de deixar o mal acontecer, só para provar que tinha razão enquanto reclamava, se tratando de crente então, isso se torna muito mais provável.

Em segundo lugar, o salmo nos denúncia o conforto. Não somos gente que busca o confronto, pelo contrário, buscamos nosso prazer. Buscamos o comodismo. Nós suavizamos os ensinamentos bíblicos para que as transformações em nós sejam amenas. Nós praticamos um mandamento mais enfaticamente e desistimos de outros nove. Nós julgamos as pessoas mas não queremos viver aquilo que falamos. Esse é o crente.

O salmo denuncia exatamente isso: não há nenhum que tema, um sequer. Ou seja, a situação da descrença está tão em alta que crer hoje é ser fora do pacotinho. É ser fora da roda de amigos. É ser fora do ciclo dos empresários ricos. É ser considerado fora do aceitável. O desafio que esse salmo traz não é só da denúncia para fora do "cristogame" (cristianismo atual), mas para dentro dele.

Não existe mais clamor por mudança. Não tem mais intervenção divina. Não tem mais a mão de Deus. Não tem mais autoridade da palavra. Não tem mais temor do Senhor. Não tem mais comunhão dos santos. Vocês estão vendo tudo isso, e achando normal. Para vocês essa luta esta perdida e não há problema nisso. Mudar dá muito trabalho. Como a sabedoria popular diz: sair da fossa dá tanto trabalho que é melhor a gente se habituar ao cheiro do esgoto mesmo.

Em terceiro, e último lugar. O salmo nos diz a solução. Ah, se viesse o socorro de Jerusalém. O salmista recorre ao único que pode salvar, o próprio Deus.

Assim como espiritualidade é algo que envolve nossa realidade e não algo fora dela, é do único ser espiritual todo poderoso que devemos buscar intervenção para nossas vidas. Não estou dizendo que Ele sempre agirá conforme a nossa vontade, mas quando nós entendemos que algo precisa acontecer porque é da vontade dEle, devemos recorrer ao lugar certo. Devemos parar com as conversas e rumores, fofocas e críticas. E nos voltarmos em oração e consagração ao Deus todo poderosos. Dono de todas as coisas que pode fazer o que bem entende, até mesmo fazer o fervor espiritual descer sobre a seu povo novamente, converter os incrédulos, e transformar as nossas vidas para sempre.

Que Ele nos conceda isso, estamos precisando.





Que Deus te abençoe. E que você seja diferença na vida dos seus irmãos, para a glória de Deus, na força do Espírito, a exemplo de Jesus. Amém.

A Graça e a paz.


Mateus Machado
Colunista

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sobre Ele e ela [Parte 3]



Eu ainda não aprendi a viver assim.

Lugar onde ninguém se cumprimenta. Ninguém se olha. Não se abraçam para não gerar expectativas. Não se beijam por temer os olhares julgadores.

Pessoas tem sido afastadas por pensamentos, por imaginação e não pela realidade. 

Aprendi com o tempo que se nos mantivéssemos exclusivamente nos acontecimentos e não em nosso modo de pensar, muitos dos problemas teriam sido evitados.

Se fossemos capazes de viver sem se importar tanto com a opinião dos outros, como seríamos?

Se você agisse como quando está sozinho, na frente de todos, como será que eles te olhariam.

Se a autenticidade não fosse hoje tão banalizada, do que seria chamado?

O que é para você hoje, aquilo que diz crer?

O que crê é vivenciado no dia a dia?

O que você crê é aquilo que você diz? 

E o que você tem a me dizer sobre esse Deus?

Não sou do tipo de falar de experiências. Acredito na subjetividade delas, e na importância delas para que cada indivíduo busque as suas. Deus certamente não falará com você da mesma forma que falou comigo. Deus não usará você, exatamente da mesma forma que usou a mim. Deus é criativo demais para querer as mesmas coisas.

Falando em hábitos e costumes. O que era aquilo que você fazia de todo o coração, e hoje parece ser vazio de significado? O que é a oração que hoje, fala tão pouco do Pai maravilhoso que está nos céus, e tanto das suas dificuldades, da necessidade dEle intervir.

Não sei. Acho que sou careta. Quando oro, ou melhor, quando fico consciente da sua presença, aprendo que Ele quer mais da minha vida, e menos das minhas palavras. Mais do meu coração e menos das minhas idéias. Deus é algo que extrapola nosso vocabulário, mas é Deus para ser amado.

Não há nada que o AMOR, em sua forma literal, deseje mais, do que ser amado de verdade, por suas criaturas.

Que o Senhor, de amor e misericórdia, derrame do seu perdão sobre nós. E que esse não seja mais um texto que você leu. Que te leve à uma profunda reflexão. Ele ainda quer mais dela.

"Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós". 1 Jo 4:7-12



A graça e a paz.


Mateus Machado
Colunista

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sobre Ele e ela [Parte 2]

Eu confesso que não entendo esse evangelho. O evangelho onde a maldição é não ter nada, e sinal de benção ser possuído por tudo.

Não entendo um evangelho onde as pessoas são coisificadas, e as coisas são personificadas. Onde se ama o carro, o celular, o tênis, as roupas e se odeia ou afasta o ser que vive, respira, sente e pensa.

Não entendo uma igreja que valoriza o templo, a estrutura, a reunião, o planejamento e não se lembra do nome do porteiro, aliás, quem é que liga para o porteiro.

Não entendo uma hierarquia espiritual onde a oração do pastor tem mais poder que a oração da criança. Onde os velhos são os intercessores e os jovens, aqueles que devem dar trabalho aos seus pais.

Não entendo um lugar onde ser o que se deve ser é motivo de chacota; Onde falar o que se deve falar, é alienação; e viver aquilo que se prega, é ser diferença e não algo comum.

Aliás, não entendo um grupo que diz estar no caminho, verdade e vida, que não se compromete em caminhar na direção certa, agir com sinceridade sempre, e se preocupa com a vida.

Mas falando do pobre, concordo que talvez seja amaldiçoado. Ele é amaldiçoado porque o rico abençoado não compartilha aquilo que o Dono de todas as coisas tem confiado em suas mãos. Servo ruim e infiel, não tem feito multiplicar a alegria que um prato de comida pode trazer à um lar.

Não creio num evangelho que traz prosperidade, creio no evangelho que traz salvação. Creio no evangelho que faz pobre não ser orgulhoso e aceitar a ajuda do rico. Rico, esse, que nunca deveria ter se tornado avarento, porque teve o exemplo dAquele que tinha todas as coisas. Daquele que tendo forma de Deus, não teve por usurpação ser igual à Deus, mas se esvaziou, e serviu. O rico entende, que sua riqueza é para serviço e não gozo terreno.

O pobre entende que o cuidado vem do Pai, que está nos céus, porque o pobre aprendeu que as coisas do reino vem primeiro, as demais serão acrescentadas, conforme o querer do Altíssimo.

E a igreja? Ah, a igreja ensina, que rico vai para o céu, por intermédio do sacrifício de Cristo; ensina que o pobre vai pro céu, por intermédio do sacrifício de Cristo. Que todos são, diante do Deus que fez todos do barro, apenas pó. Para que a glória seja Dele e rico não seja nada, e pobre seja o que é, ambos necessitados da graça do Senhor.

A igreja continua sendo um lugar onde a graça deve ser pregada. A vida ser valorizada. E Cristo o foco de tudo.



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A vida e o louvor ao Senhor

Alguma coisa me incomoda num fim de noite chuvoso. Uma vontade intensa de buscar a Deus, somada com um cansaço tamanho por tantas atividades realizadas no dia.

Não sei o que esperar. Não sei o que dizer. Algo no meu coração diz que a vida não é só isso.

Não é o que vemos na TV, tampouco, o que a TV nos propõe.

Não é o que vemos na vida dos outros, tampouco, aquilo que eles tem por certo para vida deles.

De vez em quando penso na vida como algo para ser aproveitado intensamente. Algo para ser vivido. Algo que se limita ao último suspiro.

Não quero ser um espiritualista, um "evangeliquês" que prega que a vida de verdade não está aqui. Que devemos ter nossos olhos na eternidade.

Confesso, isso me enche de esperança nos meus momentos de crise. Mas nos meus momentos de meditação, solitude, de conversa sincera e franca com Deus, o que ouço do bom Mestre é: Vida e vida em abundância.

Cristão não nasceu para ser infeliz. Mas também não nasceu para que tudo desse certo para ele. Cristão nasceu, e quando digo nasceu, me refiro ao novo nascimento (sem o qual ninguém é digno de ser chamado de cristão), para viver.

Viver seus momentos felizes, com a maior intensidade possível. Viver amizades verdadeiras. Viver bagunças inesquecíveis. Viver amores e paixões na juventude. É, cristão de vez em quando precisa parecer gente.

Também deve viver as crises, deve se rebelar contra a prisão que fora mantido (dogmas, paradigmas, julgos). Deve escolher seus caminhos. Deve passar suas dores, com toda a intensidade. Deve chorar as mágoas. Abraçar quando está carente.

Cristão deve viver.

Aprendo com o bom Mestre, que a vida é algo que glorifica a Deus, e não comportamentos. Porque comportamentos são modificáveis, mas o fôlego de vida, glorifica o Pai, sozinho, sem que o homem perceba. Sem que o homem queira um papel nisso.

A vida, em si, é o louvor da glória de Deus.

"Tudo o que tem vida louve o Senhor! Aleluia!" Salmos 150:6



Mateus Machado
Colunista