terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sobre Ele e ela.

Nós sabemos muito bem dos nossos defeitos. Aliás, talvez, conseguimos enxergar tão bem os defeitos nos demais porque os nossos mesmos estão escancarados diante dos nossos olhos, o que nós não queremos, é lidar com eles.

Nós sabemos que há muito tempo o coração se esfriou. Nós sabemos muito bem que há muito tempo as meditações individuais na palavra, pouco nos convencem ou despertam desejo de mudança. Nós sabemos muito bem que há muito tempo alguma coisa mudou. O Cristo, nosso Salvador, Messias, amigo e companheiro, hoje para nós é alguma coisa diferente do que foi um dia.

Para alguns, o Cristo do mundo, se tornou apenas um exemplo de liderança. Alguém que conseguia cativar, fazer com que as pessoas acreditassem em suas palavras, em suas idéias, e seus preceitos, mas não alguém a quem podemos entregar as nossas vidas. Um exemplo de liderança, uma inspiração para sermos um sucesso, à luz do que nos ensinou.

Para outros de nós, um idealizador, que tinha uma sabedoria e ensinamentos que em nenhum outro homem foi visto, Cristo como filósofo.  Um cara que tinha pensamentos legais, revolucionários. Falava o que pensava e pensava de um jeito interessante, que tinha poesia em sua fala, alguém que cativava ao ouvir a sua voz.

Ainda para outros de nós, Jesus é alguém para se começar. O ponto de partida, que logo fica para trás. Àquele que dá as boas vindas ao chegar  à pouco tempo no ambiente, que começa a apresentação de algo para nós, que não sabemos direito como continuará, nem onde se acabará, mas acreditamos que começamos em Jesus.

Existe ainda um último tipo, que são aqueles que O veem como uma espécie de curandeiro. Alguém que age no âmbito dos assuntos sobrenaturais. Jesus como um resolvedor de problemas. Esses começam e continuam em Jesus, mas não entenderam que Ele faz quando bem entende, se Lhe aprouver, se for da Sua vontade. Esses veêm Jesus como super homem, que lhes deve socorro ao mero acionar. Jesus como seu empregado.

Mas para Ele, existe ela. Existe alguém que conhece a mensagem. Que sabe que Ele não é alguém como todos dizem. Para Ele, ela O valoriza pelo motivo certo. Seu caráter, seu exemplo, seu amor.

Suas palavras, Ele acredita que ela recebeu, pelo seu espírito, provocando nela uma série de pensamentos, atitudes, vontades, dedicação, consagração, submissão, rendição.

Para Ele, a Igreja não acredita no Jesus lá de cima.

Não o vê como filósofo, Ele é muito prático para ser lembrado apenas pelo ensino.

Não o vê como um exemplo de sucesso ministerial, pois seu ensino foi fundamental para 12, grupo seleto, que ele gostaria de se relacionar, viver junto, ele realmente acredita que ela entendeu isso, que para ele não importa o sucesso do trabalho, mas a comunhão, o vínculo, o amor entre as pessoas que se reúnem em seu nome.

Ela não o vê como um ponto de partida apenas, pois entendeu que ela só existe por meio dele, ela não é nada sem que ele seja por ela.

Ela ainda não o vê somente como um curandeiro, curandeiro cobra; curandeiro está interessado em retirar sofrimento, ele não, ele está interessado em ensinar, e nas mãos dele, o sofrimento é apenas método, ele não considera doença ou dores algo para se preocupar, quando o caráter está completamente corrompido.

Só que bem lá no fundo, ele se preocupa com ela.

Ele sabe que ela não está bem. Ele sabe que em algum lugar ela se perdeu. Ele sabe que ela precisa reencontrá-lo. Ele sabe que a mensagem se perdeu.

"E vós, quem dizeis que eu sou?" Mt 16:15

Essa pergunta hoje faria a maioria de nós tremermos.

Algo se perdeu. A confissão de quem conhece. A celebração da natureza dele. A proclamação de uma mesma e única verdade.

"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Mt 16:16

Sem filosofias, sem ideologias, sem falsos conceitos, sem conceitos subjetivos, sem opiniões individuais. Apenas a revelação, da natureza dEle.

Afinal, ele sabe o que ela precisa dizer. Ela não precisa dizer nada para ele, mas sobre ele.

Porém, ela, a Igreja, que um dia conheceu a mensagem, revelada pelo Pai que está nos céus, foi edificada sobre essa mensagem.

Ela precisa voltar. Onde Ele é o suficiente. E ela é a necessitada. A carente. Sem suficiências, sem arrogância, sem receios, e sem máscaras. Só ela e ele, em intimidade, relacionamento, em entrega mútua um ao outro.

Talvez, o tempo de renovo, não seja um olhar para o futuro, não novas ideias e projetos. Não novas teologias e filosofias. Mas sim, uma volta ao passado. A igreja precisa reafirmar que Jesus é o Cristo filho do Deus vivo, e não deixar que nada contamine sua mensagem, vida e ação.

A igreja precisa crer de novo. Na mensagem certa. Cristo não mudou!


Mateus Machado
Colunista

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