quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sobre nós, gente que é aquilo que precisa ser, e o Salmo 12



            Eu realmente acho engraçado como quando tudo parece ruim, a sensação é de que ainda pode ficar um pouquinho pior. De que a famosa lei de murphi se aplica, “quando há a oportunidade de alguma coisa acontecer de forma errada, acontecerá”.

            Sei lá, acho que ultimamente ando meio pessimista, desgostoso da vida. Cansado da injustiça, violência, falta de paz, falta de compromisso com a verdade, crimes, corrupção, crise de identidade, a impressão que dá é que tudo está virando uma bagunça só. Ninguém se safa nisso. Ninguém mesmo.

            Aí vem o nosso querido salmo de hoje, o número 12 e fala muito ao meu coração. Quero dividir com vocês um pouco dele e o que ele fala para mim.

            “Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel; já não se confia em ninguém entre os homens. Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções. Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores e toda língua arrogante dos que dizem: Venceremos graças à nossa língua; somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós? Por causa da opressão do necessitado e do gemido do pobre, agora me levantarei, diz o Senhor. Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam. As palavras do Senhor são puras, são como prata purificada num forno, sete vezes refinada. Senhor, tu nos guardarás seguros, e dessa gente nos protegerás para sempre. Os ímpios andam altivos por toda parte, quando a corrupção é exaltada entre os homens


            Para começar, antes de entrar nas lições propriamente ditas, gostaria de esclarecer que percebo uma necessidade diferente aqui, não somos chamados a crítica ideal, mas a crítica ativa.

Explico, existe uma enorme diferença entre se apontar um problema e ter o fim na exposição do problema e a crítica e diagnóstico do problema com a atitude para que seja solucionado. Não critico o capitalismo e sou o cara que tem o notebook mais caro do mercado; o celular mais moderno; as roupas mais caras.

Acredito que no que dizemos deve estar também as nossas atitudes, critico o capitalismo, logo coopero com o parte da minha renda mensal para instituições que ajudem pessoas; economizo no meu consumismo desenfreado para que outros usufruam do ‘capital’ recolhido. (Obs: o capitalismo aqui foi um exemplo).

            Pois bem, esclarecidas as devidas eventualidades. Prossigo.

            Em primeiro lugar, em terra de cego quem tem olho serve de guia. Partindo do mesmo princípio: em terra de aleijado quem anda carrega o coxo; em terra de gordo quem é magro passa dieta; em terra de corrupto quem é honesto se candidata; em terra de injusto quem é justo pratica justiça.
           
            Parece simples, vai por mim, não é. O pensamento do ser humano, eu acredito fielmente nisso, é democrata, que no sentido que quero dar expressa: segue o que a maioria quer dizer.

Sejamos sinceros, temos nossos ideais, temos nossos sonhos de revoluções e atitudes que para nós mudariam o mundo. Se fossemos os governantes isso não seria assim e bla bla bla. Todavia, quando encontramo-nos em situação contrária à nossa opinião ou nosso discurso, se for da opinião dada pela maioria, abrimos mão da discussão.   Ou seja, só lutamos luta ganha.

            O salmo 12 para mim é exatamente o contrário disso. Eu diagnostico o que precisa acontecer e faço acontecer.

É gente de oração que a igreja precisa? Vamos reunir os jovens para orar.

É de gente com vocação política que a sociedade precisa? Vamos estudar política e despertar vocações.

É de gente que exerça misericórdia? Vamos às ruas abraçar os mendigos, alfabetizar criança carente e visitar asilos.

Precisamos sim de utopias, utopias práticas. Precisamos de um evangelho do reino que evangelize o mundo. Precisamos de alguma coisa que mude a cabeça de quem nos vê de fora. Crente não nasceu crente, se transformou em um. Semente, trabalho, crescimento, fruto, novas sementes e mais trabalho... E a roda da justiça sendo estabelecida começa pelo exemplo.

Em segundo lugar, eu compreendo que não tomo partido por opiniões particulares, mas tomo partido para Deus.

Veja, isso difere do ponto acima quando disse que lutamos luta ganha, pois aqui nós não estamos interessados em quem sairá vencedor, mas sim do lado de quem a gente luta.

Muitas coisas na vida cotidiana nos dizem o inverso ao que a palavra de Deus nos ensina.

Ficar não é pecado. Transar não dá nada. Ela que te xingou primeiro. Ele mereceu. Ele começou. E por aí vai.

A questão aqui não está embasada no grupo ou quem no fim de uma discussão termina com a moral mais admirada ou não, a questão aqui é de quem admira o que você defendeu. Em questões pequenas como pública profissão de fé entre amigos, você defende Jesus acima de qualquer regra e doutrina vã que erroneamente se atribui à ele? Ou você é da turma daqueles que entram na brincadeira e acabam zombando das irmãs de cabelo cumprido, saia cumprida e gostam de gritar?

É mais legal, sinceramente, ser engraçado com os amigos ou obediente e ousado do lado de Deus?

Não é radicalismo, juro que sou brincalhão. Mas entendo que certos momentos o que era para ser edificante tornou-se maçante, repetitivo. O que era bônus tornou-se necessário, primordial. As prioridades se perderam. Mas viva a galera que gosta de entretenimento gospel.

Mas voltando, devemos tomar partido por Deus porquê é ele quem vê o necessitado. Ele quem ouviu o povo do Egito clamar quando falou com Moisés, por exemplo. Ele ouve os pobres de espírito; os que choram; os humildes; os que têm fome de justiça; os misericordiosos; os puros de coração; os mansos; os oprimidos; os aflitos. Gosto de pensar em Deus como aquele cara que manja muito de determinado esporte e entra exatamente para o time que está mais fraco, porquê sabe que é Ele quem desequilibra.

Obs: Acho que isso não deveria ficar só numa observação, mas sim como um grito de rodapé, não existe espaço para partidarismo. Não existe espaço para utilização de coisas de Deus e que deveriam ser PARA Deus também, para benefício próprio. O único partidarismo que existe é partidarismo para o Reino de Deus. Ele é o Senhor e para Ele fazemos tudo, jogamos do Seu lado para o seu lado, não somos infiltrados de outro time. Espero ter sido claro.

Terceiro, termino por aqui, acabo vendo que grande parte dos meus problemas podem ser resolvidos por mim mesmo, pelas coisas que eu já sei.

Nós conseguimos notar o que precisamos fazer e fazemos. Sabemos por quem precisamos lutar e lutamos. Vemos o lado que precisamos defender e defendemos. Descobrimos que nossa maior utilidade como homens não se dá enquanto estamos parados, mas em serviço.

Pedreiro que não está trabalhando em nenhuma obra, é só mais um seu Zé.

Jogador de futebol que não está jogando é só mais um boleiro.

Homem de Deus que não vive para o serviço da história, ainda não se encontrou.

            Parafraseado Oscar Wilde: Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Poderia dizer que: Viver sem servir não é para esse mundo. Quem pensa assim, apenas existe.

            Só quem trabalha o dia inteiro e vê uma pessoa pagar-lhe um sorriso no rosto de satisfação sabe o que é dormir tranqüilo. Só quem vê em paz aquele que outrora era afligido, sabe a satisfação de dedicar-se a uma empreitada nega por todos.

            O segredo não é fazer aquilo que todo quer fazer pela recompensa que traz. O segredo é fazer aquilo que ninguém quer fazer para que outros usufruam. Um fazendo por muitos, a exemplo de Jesus. Mas depois a gente conversa sobre isso, agora num é um bom momento, ou é.



            Que Deus nos abençoe.
            A Graça e paz.

Mateus Machado
Colunista

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