quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sobre nós, um pouco de Justiça e o Salmo 11


          Olá pessoal, quanto tempo, hein? Peço desculpas pelos desleixes de não escrever à vocês à tanto tempo. Foi um tempo corrido, foi um tempo curto, foi um tempo de preparação e de atenção especial a determinadas áreas da minha vida. Espero que compreendam a minha situação e é com grande carinho que vos escrevo hoje, sobre o lindo salmo 11 e as coisas que o mesmo fala ao meu coração.

            Confesso que não entendo a soberania de Deus. Não entendo as coisas da forma que Ele faz, e o porquê delas acontecerem de tal modo. Mas nesse exato momento, o livro que tenho lido é “Deus não é Cristão – Desmund Tutu”. Confesso que me apaixonei pelas palavras que o autor escreve no livro.


            Tutu, se assim pudesse chamá-lo, defende com veemência a sua visão do antigo testamento de forma integral. Concordo com nosso amigo. Para ele, o Antigo Testamento do nosso cânon sagrado trata com grande ênfase a justiça, a retidão de atitudes e como Deus, o nosso Senhor é justo.

            Como já puderam perceber, nosso Salmo 11, em minha opinião concorda com nosso querido bispo anglicano da África do Sul. E faço aqui a indicação de leitura para todos aqueles que queiram deliciar-se numa leitura dinâmica e centrada no benefício da humanidade, com a justiça e o amor ao próximo.

            Pois bem, ouvimos muito sobre justiça e seus derivados. Atribuímos á alguém que reconhecemos virtudes que uma das maiores seria que a pessoa fosse justa. Afinal, justiça não é defender quem a gente quer que seja beneficiado, justiça é fazer a coisa certa, na hora certa, independente dos prejudicados e dos beneficiados, sendo consciente das suas consequências.

            Ao nosso Salmo 11:

           "No Senhor me refugio. Como então vocês podem dizer-me: "Fuja como um pássaro para os montes"? Vejam! Os ímpios preparam os seus arcos; colocam as flechas contra as cordas para das sombras as atirarem nos retos de coração. Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo? O Senhor está no seu santo templo; o Senhor tem o seu trono nos céus. Seus olhos observam; seus olhos examinam os filhos dos homens. O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia. Sobre os ímpios ele fará chover brasas ardentes e enxofre incandescente; vento ressecante é o que terão. Pois o Senhor é justo, e ama a justiça; os retos verão a sua face"

            Em primeiro lugar o nosso amor pela justiça se dá em conseqüência do nosso amor ao Senhor e indiferente as consequências que os ímpios nos trarão.

            Nós não conseguiremos conhecer a justiça a toa, sem nenhum padrão. Nós a conhecemos porque o nosso Senhor, a quem somos semelhança, o é em plenitude. Justiça como defendi é a capacidade de deixar quem nós amamos sofrer as consequências de seus atos, mesmo que saibamos que elas serão ruins, servirão de castigo e punição. É a psicologia quem afirma que a punição serve como o mais veloz dos fatores na contenção de comportamentos indevidos.

            Logo, podemos dizer, que a justiça é comprometida com o bem de todos. A justiça é o compromisso com o bem estar de quem amamos e também de quem odiamos. A justiça não é imparcial, é compromissada e intimamente ligada com o bem, daqueles que o merecem. A justiça é o compromisso com a verdade. A justiça é o compromisso com aquilo que de fato aconteceu. A justiça é soberana as circunstâncias, ela não falha e não muda, ela se mantém e é confirmada na consumação dos fatos.

            Por outro lado, pode-se dizer ainda que a justiça é inimiga da sociedade. Sim, a justiça é inimiga de tudo o que acontece de injustiça no mundo. Não é novidade para ninguém que vivemos numa sociedade injusta. Muitos com pouco, poucos com muito. Pouca gente usufrui do mercado, muita gente passando necessidade. Pouca gente usufrui pra produção e exportação de alimentos; muitos, os produtores de alimentos, nem sabem onde seu plantio se vai. Criminosos ficam impunes; políticos corruptos sendo liberados, enquanto ladrões de pães são presos e condenados.

É nesse momento que a justiça deve gritar do alto dos montes. É nesse momento que os justos devem ser vistos como justos, compromissados com o que acreditam, com o que sabem, como que vêem em Deus. Afinal, os retos verão a face de Deus.

Em segundo lugar o justo é amado por Deus. Não basta saber o que precisa acontecer, é preciso fazer acontecer. Entenda o seguinte, não adianta saber que se faz necessário a reciclagem de lixo, quando eu mesmo não jogo a latinha do refrigerante que eu tomo para me refrescar na rua. Não adianta eu saber que é necessário orar, quando eu mesmo não sei o que significa a expressão “vida de oração”, e mesmo assim, não me sentir constrangido a mudar de atitude.

Ás vezes, e muito provavelmente, você conseguirá perceber o que acontece; criticar e até propor soluções, mas continuará sem fazer nada. Você consegue ver crianças desabrigadas, passando fome e pedindo esmola. Todavia, você não se alista num projeto social para ajudar crianças; não é voluntário em ONGs; e nem começa um ministério evangelístico na igreja para esse determinado grupo social, você só reconhece a existência dessa necessidade evangelística.

Deus ama os justos porque são gente de ação. Não são como os fariseus, hipócritas.

Deus ama justos porque são gente comprometida com a mudança do ruim para melhor. Não são gente acomodada com o conforto e com o sucesso de ser crítico de todos.

Deus ama os justos porque são gente que luta por quem precisa. Não são gente que luta por quem vai ganhar.

Deus ama os justos porque são gente batalha sem segundas intenções. Não são gente que comprometem-se com favores futuros.

Deus ama os justos porque são retos. E linha reta sabe onde chega, os justos chegarão a Deus, esse é o destino da sua retidão.

Em terceiro, e último, o castigo dos injustos não são problema dos justos. Por incrível que pareça os justos carregam em si também a mansidão. Não nos iludamos que mansidão não tem a ver com temperamento, tem sim. Mansidão é ver que poderá se dar mal e descansar em Deus e na justiça que certamente Deus fará na situação.

O justo não só descansa que a justiça é soberana, mas que Deus está no controle, e isso faz diferença. O justo ouve mal de si, é afligido, é atacado, é perseguido, é caluniado, mas mantém-se manso, porque quem luta as suas batalhas é Deus. Mantém-se manso porque a justiça não é um conceito que ele vê só para a vida dos outros, mas em sua vida também.

O justo não se preocupa para onde correr, sabe onde o socorro dele está.

O justo não se preocupa para onde olhar, sabe que o seu socorro vem de Deus.

O justo não se queixa da quantidade de aflições, sabe que lá de cima, Deus olha para os corações e examina os filhos dos homens.

O justo não se preocupa, ele descansa, ama a justiça, é amado por ela e é amado por aquele que a tem em plenitude. O rei dos reis, Senhor dos senhores. Soberano criador. O justo dos justos. O nosso referencial.



Que Deus nos abençoe. A Graça e a paz.

Mateus Machado
Colunista

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