quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre nós, nosso jeito de ver as coisas e o Salmo 10


                O salmo dez nos faz refletir sobre o nosso jeito de pensar, de viver e de agir. Mostra-nos a nossa capacidade de afligir-se em meio a situações contrárias e injustas; mostra-nos que na pior das circunstâncias, voltamo-nos para Deus. Espero verdadeiramente que esse salmo fale ao seu coração, tanto quanto falou ao meu, e assim, aprendamos mais do Senhor.
           
            "Por que estás ao longe, SENHOR? Por que te escondes nos tempos de angústia? Os ímpios na sua arrogância perseguem furiosamente o pobre; sejam apanhados nas ciladas que maquinaram. Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao SENHOR. Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus. Os seus caminhos atormentam sempre; os teus juízos estão longe da vista dele, em grande altura, e despreza aos seus inimigos. Diz em seu coração: Não serei abalado, porque nunca me verei na adversidade. A sua boca está cheia de imprecações, de enganos e de astúcia; debaixo da sua língua há malícia e maldade. Põe-se de emboscada nas aldeias; nos lugares ocultos mata o inocente; os seus olhos estão ocultamente fixos sobre o pobre. Arma ciladas no esconderijo, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar o pobre; rouba-o, prendendo-o na sua rede. Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes garras. Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, e nunca isto verá. Levanta-te, SENHOR. O Deus, levanta a tua mão; não te esqueças dos humildes. Por que blasfema o ímpio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não o esquadrinharás? Tu o viste, porque atentas para o trabalho e enfado, para o retribuir com tuas mãos; a ti o pobre se encomenda; tu és o auxílio do órfão. Quebra o braço do ímpio e malvado; busca a sua impiedade, até que nenhuma encontres. O SENHOR é Rei eterno; da sua terra perecerão os gentios. SENHOR, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para eles; Para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem da terra não prossiga mais em usar da violência". Salmos 10:1-18


            Uma das coisas inegáveis na humanidade hoje é a sua capacidade interpretativa e crítica das situações. O jeito de olhar para as crises e saber diagnosticá-las, talvez, não saber como lidar com elas, mas evidenciar uma crise é coisa para os homens sim, ainda mais os crentes.
           
            Pois bem, o Salmo 10, começa com um questionamento do salmista, talvez, poderíamos dizer que o salmista tenta colocá-lO sob a parede. Questionar seus juízos e vontade. Embora neguemos a nós a mesmos, somos levados a essa atitude muitas das vezes.
           
            O que nos revela o início do salmo é que existem situações desesperadoras, mas elas não descaracterizam o Senhor. O pavor do salmista é tanto diante dessa situação que ele é levado a questionar até o juízo do Juiz; a criatividade do criador; a justiça daquele que é Justo e Irrepreensível.
           
            Veja, quantas vezes, vamos pensar, nessa semana você já não se pegou em uma situação difícil o suficiente para questionar a Deus: "Pai, por que é que o Senhor tem deixado essa situação ocorrer?" ou, "cadê o Senhor Deus?". Isso é comum, somos seres limitados. Poderia dizer até que a nossa visão de vida é imediata e a de Deus mediata.

            Abro parênteses para esclarecer algo, não é porque os atributos de Deus, e algumas características do Senhor de fato se fazem presentes e intervém de acordo com a vontade dEle, que Ele intervirá na sua situação. Um dos maiores problemas, em minha opinião, que a teologia da prosperidade tem conseguido implantar na igreja é o reconhecimento de características divinas aliada a necessidade humana, ou, o reconhecimento de Deus por interesse:

            "Deus, tu és o dono do ouro e da prata, e podes fazer com que esse empréstimo saia...".

            A minha crítica, não está pautada na evidenciação desse atributo para fins, ou em momentos de oração, mas, na supervalorização desse atributo quando há necessidade e negação desse atributo quando a resposta não corresponde a vontade do que clama. Ou seja, atribuo um elogio a Deus quando Ele me mima, e quando não, nego este fato, como se Deus mudasse; como se precisasse de minhas palavras para ser Deus. Fecho parênteses.
           
            De fato, as situações se tornaram desesperadoras porque aprouve a Deus que se tornassem assim. De fato, Deus pode intervir, e muito provavelmente você irá se cansar de esperar. Provavelmente você poderá se cansar dessa situação, pensará em desistir, mas são nas dificuldades que o caráter é moldado. É na fraqueza que a força é do Senhor. É na dificuldade que aprendemos a valorizar a calmaria. É na tempestade que vemos o valor da bonança.
           
            Acredito, do fundo do meu coração, que Deus usa momentos de dificuldade para que à partir deles, passemos a agradecer, mais do que pedir.
           
            "Quem pede mais do que agradece, geralmente se frustra mais do que aprecia. A oração de gratidão não é determinada por uma circunstância ou situação de alegria e euforia, mas é determinada pela sua capacidade e enxergar todos os momentos sob a ótica de Deus. O pedir não é um ato falho, mas o dar ou retirar é de acordo com a vontade do Pai. Quando conseguimos, através do auxílio do Espírito Santo, agradecer mais do que pedir, confiamos no tempo, no amor e na soberania de Deus. Veja, independente das suas respostas ou das suas dificuldades, Ele te ouve. O momento particular entre você e Deus é para uma conversa e não para um ditado, como uma “lista de compras”. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como nos céus. Por um povo que enxerga com Teus olhos, Deus". (Publicado em uma rede social por mim).
           
            Outra lição que o salmo dez nos ensina é que muitas vezes as circunstâncias não estarão de acordo com a nossa vontade, mas Deus é acima delas. O injusto prospera; o ímpio arma armadilhas; pessoas tem boca cheias de malícia e maldade; mas o Senhor é Rei eterno (versículo 16).
           
            O que a gente esquece é que Deus não depende de manifestações e respostas a determinadas orações particulares. Ele não está ocupado demais para atendê-la, não é isso; mas Deus está compromissado com à vontade Dele e não a nossa. Talvez isso te frustre um pouco, mas Deus vê o tempo como vemos uma linha, por exemplo, não os materiais e as partículas internas à linha, mas, a vê como um todo, sabendo do seu início e fim, desde sempre, e para sempre. Quando essa consciência de que Ele é Rei, e Eterno, toma o nosso coração, podemos descansar, os planos dEle não falham.
           
            Não por ansiedade, mas por uma característica inserida no âmago do ser humano. A humanidade consegue em si mesma, destruir, operar violência e tomar decisões irracionais, muitas vezes, por não ter noção de que é Deus quem está no controle de todas as coisas. Estão por aí as guerras e a violência generalizada. O homem consegue pensar em ser Deus, gosta da sensação de poder de decisão, gosta de ser o centro e com uma responsabilidade na mão. Porém, disse Cristo: não se preocupem com o que tira a vida, mas o que pode mandar a alma para o céu ou inferno.

            Por último, Deus confortará os nossos corações. É engraçado como conseguimos partir de um extremo ao outro em pouco tempo. Alguns estudos biológicos afirmam que determinadas reações biológicas só ocorrem pelo período de 10 minutos. Você consegue imaginar pelo menos uma, daquelas várias situações que você diz algo sem pensar? Ou que você já imagina, logo após, fechar a boca "deveria ter ficado calado". Isso demonstra uma característica generalizada, a impulsividade. Somos capazes de começar algo por ânimo exagerado, e pouco tempo após o início, desapegar-se da importância.
           
            O que o salmista nos leva a pensar é que o cuidado de Deus não falta. Não importa como você se sente, importa o que realmente acontece. Não dá para se limitar aquilo que você pensa, deve crer naquilo que Deus pensa a seu respeito. Não dá para limitar-se ao tempo, estamos caminhando para eternidade. Não dá para jogar na emoção, estamos falando de Alguém superior a nós. Não tem como lutar, o nome do jogo é render-se, não as circunstâncias, mas a Deus; Ele enxugará de nossos olhos todas as lágrimas, não haverá mais morte, nem pranto, nem dor e nem clamor, porque essas PRIMEIRAS coisas, já foram passadas.

            O segredo não é mandinga, não é gritaria, não é desespero. O segredo é confiança, naquEle que era, é e sempre será.



A graça e a Paz

Mateus Machado

Colunista 

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