terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sobre nós, Deus, o salmo 7.



            Sou realmente grato a Deus, por tudo que Ele tem me ensinado nesse estudo do livro de salmos. A palavra de Deus é viva, e fala verdadeiramente aos nossos corações. Esse talvez seja um dos salmos que estudei até hoje que mais falara ao meu coração. Que verdadeiramente o Espírito Santo de Deus, usou para me fazer entender um pouco mais da pessoa de Deus, do seu caráter e de suas ações. Espero que as verdades que aprendi nesse texto falem também ao seu coração, e assim, cresçamos na presença do nosso Senhor.

            "Senhor meu Deus, em ti me refugio; salva-me e livra-me de todos os que me perseguem, para que, como leões, não me dilacerem nem me despedacem, sem que ninguém me livre. Senhor meu Deus, se assim procedi, se nas minhas mãos há injustiça, se fiz algum mal a um amigo ou se poupei sem motivo o meu adversário, persiga-me o meu inimigo até me alcançar, no chão me pisoteie e aniquile a minha vida, lançando a minha honra no pó. Levanta-te, Senhor, na tua ira; ergue-te contra o furor dos meus adversários. Desperta-te, meu Deus! Ordena a justiça! Reúnam-se os povos ao teu redor. Das alturas reina sobre eles. O Senhor é quem julga os povos. Julga-me, Senhor, conforme a minha justiça, conforme a minha integridade. Deus justo, que sondas as mentes e os corações, dá fim à maldade dos ímpios e ao justo dá segurança. O meu escudo está nas mãos de Deus, que salva o reto de coração. Deus é um juiz justo, um Deus que manifesta cada dia o seu furor. Se o homem não se arrepende, Deus afia a sua espada, arma o seu arco e o aponta, prepara as suas armas mortais e faz de suas setas flechas flamejantes. Quem gera a maldade, concebe sofrimento e dá à luz a desilusão. Quem cava um buraco e o aprofunda cairá nessa armadilha que fez. Sua maldade se voltará contra ele; sua violência cairá sobre a sua própria cabeça. Darei graças ao Senhor por sua justiça; Ao nome do Senhor Altíssimo cantarei louvores". Salmos 7:1-17


            Engraçado como a cristandade hoje se posiciona diante de Deus. Revela seus atributos mas só para alimentar dentro de si, o sentimento de que Ele pode e fará aquilo que o coração deseja. É como um "paparico" para alguma pessoa, com a finalidade de que ela realize os favores desejáveis ou ocultos. Não, isso não funciona com Deus, e o Salmo 7 nos fala sobre isso.

            Vamos lá, como um bom presbiteriano que sou, aos nossos três principais pontos.

            A primeira lição que o salmista nos ensina é um apelo para aquilo que Deus é. Deixa bem claro o fato de Deus ser misericordioso, mas não tonto. O salmista nos ensina a plenitude de Deus em todos os seus atributos, faz um apelo a sua misericórdia mas pede para que Deus não retire da sua vida a justiça que deve ser feita.

            O salmista demonstra que caso haja um verdadeiro motivo para o risco, ou repreensão e sofrimento, que isso ocorra verdadeiramente na vida dEle. Em outras palavras está dizendo que Deus é a sua segurança, mas que a justiça do seu Senhor, trabalhará o seu modo de viver. Ele confia que maior são os meios que Deus usa para trabalhar a sua vida, que o seu entendimento. Como diz um escritor, o qual admiro: "compreender pode esperar, obedecer não" - Marcelo Gomes. O salmista aqui, faz exatamente essa menção: "Pai, tu sabes, melhor que eu, os fatos. Tu sabes que isso pode estar ocorrendo por maldade dos meus inimigos, não peço benevolência para minha parte, mas a Tua justiça para essa situação, independente do que ela for trazer".

            Acredito, sinceramente que nos falte isso, a vontade de Deus sendo feita, independente da nossa. "Se possível passa de mim esse cálice, mas não seja feita a minha, mas a tua vontade" - Jesus Cristo (Lucas 22:42 / Mateus 26:39).

            A segunda lição que esse texto nos ensina é a confiança no julgamento de Deus. Faz diferença da justiça, pois justiça é o ato de se colocar em prática o que o julgamento feito, aquilo que o coração concluiu. Fazer justiça é tomar atitude daquilo que o coração já considerou possível, cabível, correto. Para o salmista o julgamento de Deus é lícito, confiável e desejável.

            O salmista consegue demonstrar duas coisas aqui de extrema importância na vida cristã. Uma é que só existe um julgamento que interessa; Não são todas as opiniões que devem fazer diferença no nosso modo de pensar, mas a opinião daquele que tem a nossa vida em Suas mãos. A situação muda quando a vontade de Deus para nossas vidas está vista de outra forma. Um novo ângulo, uma nova expectativa. Interessa-nos agradar a Deus, e nada mais.

            A outra coisa de extrema importância é que de certa forma o salmista sabe o que agrada ou desagrada a opinião de Deus. Quando o salmista relata: "julga-me" é porque de fato sabe o que deve ou não fazer para aproximar-se do coração de Deus. Sou contrário à todo tipo de cartilha e imposição no meio cristão, creio na liberdade dos filhos de Deus, e liberdade na presença do Espírito de Deus. Todavia, é enganoso o coração que diz não saber o que fazer para agradar a Deus. Não digo que você fará algo para que Ele o ame mais ou menos; um filho não precisa fazer nada para que seu pai o ame, mas pode, por exemplo, demonstrar um boletim com boas notas e ser motivo de alegria para ambos. Da mesma forma com Deus, Ele não te amará mais por você amar o próximo, dar o dízimo, pregar a palavra, orar, cantar louvores, servir, ajudar em ação social, mas certamente, alegrará o coração do Pai, por entender que de alguma forma seu interesse é o de estar no centro da sua vontade.

            Acredito que falte um pouco disso ao meu, ao seu, ao coração da igreja, atitude certa, de acordo com o conhecimento que se tem, o de alegrar o coração do nosso Pai, independente do que outros pensarão.

            A nossa terceira lição presente no Salmo 7 é a esperança na justiça de Deus. Preciso de muita atenção nesse ponto. O primeiro ponto nos fala de uma unidade plena de vários atributos de Deus, e todos em plenitude e máxima apresentação; O segundo ponto nos fala de onde devemos colocar nossas preocupações de opinião, nada de escutar muito sobre o que falam de sua vida, mas escutar Aquele que interessa; o terceiro ponto é algo que nos diz sobre o futuro e essa é a complicação.

            O apóstolo Paulo, falando sobre esperança, disse que esperança é aquela que não se vê, pois se for vista, não esperaremos (Romanos 8:24). Esperança, para mim, faz conjunto com a palavra confiança, só espera quem confia, e só confia quem conhece Aquele em que a confiança será depositada.
           
            A esperança na justiça de Deus é complicada pois quando diz respeito a nós, a sensação é que Deus está sendo duro demais para conosco, e não está vendo o ímpio prosperar.
           
            A esperança na justiça de Deus para com os outros é complicada pois para nós, Ele nunca as trata com a severidade que seria merecedora para com a atitude delas.

            E a esperança na justiça de Deus sempre é difícil pois parece que Ele se esquecera de como as coisas estão por aqui. Esperança na justiça é saber quem Deus é; Seus sonhos; Suas vontades; Sua palavra. Deus não é homem para mentir, filho de homem para se arrepender(Números 23:19). Suas vontades serão cumpridas (Números 23:19). Todas as coisas cooperarão para o bem daqueles que amam a Deus, que foram chamados segundo os Seus propósitos (Romanos 8:28). Esperança na justiça de Deus, é convencer-se, dia-a-dia que Ele é soberano. Ele é Deus. Ele é criador.
           
            Por fim, realmente acredito que falta uma submissão a vontade de Deus, não faremos nada sem a sua permissão, fato. Mas, entender que as coisas que acontecem conosco também são do seu feitio é mais complicado. Ele é, hoje, ontem e sempre. Temos os cabelos contados e a sua justiça não demora.

            A graça e a Paz.
     
            

Mateus Machado
Colunista 

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