quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre nós, misericórdia, perdão e o Salmo 6.


            Um salmo que trata de uma verdade esquecida na vida da igreja. Um salmo que serve de alerta para a vida do cristão. Um salmo que mostra como ser uma pessoa mais agradável, feliz e conseqüentemente relevante na sua sociedade. Estudemos agora o salmo sexto.

            Senhor, não me castigues na tua ira nem me disciplines no teu furor. Misericórdia, Senhor, pois vou desfalecendo! Cura-me, Senhor, pois os meus ossos tremem: Todo o meu ser estremece. Até quando, Senhor, até quando? Volta-te, Senhor, e livra-me; salva-me por causa do teu amor leal. Quem morreu não se lembra de ti. Entre os mortos, quem te louvará? Estou exausto de tanto gemer. De tanto chorar inundo de noite a minha cama; de lágrimas encharco o meu leito. Os meus olhos se consomem de tristeza; fraquejam por causa de todos os meus adversários. Afastem-se de mim todos vocês que praticam o mal, porque o Senhor ouviu o meu choro. O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor aceitou a minha oração. Serão humilhados e aterrorizados todos os meus inimigos; frustrados, recuarão de repente  Salmos 6


            A primeira lição que o salmo sexto, nos ensina é que há liberdade com Deus. Abro parênteses para dizer que vejo muitas coisas que hoje são necessárias de relembrar-se não deveriam ser. O conceito ‘evangélico’ tem acabado com algumas coisas que são fundamentais na vida do cristão, na vida dos crentes, na vida daqueles que querem conhecer a Deus. Essa primeira lição vem para tentar combater uma das heresias atuais. O salmo começa com um clamor, algo que nos demonstra uma total liberdade de um homem para com Deus, e nenhuma dependência de qualquer programação, rito ou pessoa que intervenha.


            Em nenhum momento do texto, o salmista se declara injustiçado, ou não merecedor de algo que esteja acontecendo. O salmista talvez tenha compreendido algo que o apóstolo Paulo depois declara em Romanos 8:28 (Todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus). O salmista passa por um reconhecimento de quem é, e mais do que isso, por conseqüência revela a sua dependência de Deus. O salmista nos ensina que temos total liberdade diante do Pai, pois sabemos das nossas falhas. Sabemos que muitas delas talvez até nos tragam grandes consequências, mas Deus é infinito em misericórdia, bondade e amor. Ele sabe quando as circunstâncias devem parar de trazer algum tipo de aflição para o homem, ou quando devem permanecer para destroçá-lo. Deus cumpre o seu papel, e deixa o homem interagir conSigo para compreender a liberdade que há em Sua presença.

            A segunda lição que o salmo sexto nos passa é muito especial. Não que as demais não sejam, mas a segunda lição que o texto nos passa é dependência da misericórdia de Deus. Esse talvez seja um ponto que deva ser subdividido para ser melhor trabalhado. E é dessa forma que farei.

            O primeiro sub ponto, é que para depender da misericórdia, deve-se conhecê-la. Para depender-se de algo, é preciso conhecer, isso é irrevogável. Pessoas se tornam dependentes de determinadas substâncias, após uma primeira exposição a elas. Tomo emprestado esse conceito para trabalharmos um pouco a idéia de misericórdia de Deus. Obviamente, misericórdia não é nenhuma substância alucinógena ou algo do tipo, mas de fato, é algo recorrente depois de uma apresentação.

            Quando nos achegamos a Deus pela primeira vez, ou no início da caminhada cristã, apelamos de forma bem enfática à esse ‘atributo’ de Deus, que de fato é derramado sobre nós. A grande questão é que misericórdia não é como salvação que, na minha opinião, “uma vez salvo, sempre salvo”. Misericórdia é coisa que precisa ser renovada. Serve o exemplo de gasolina para o carro, você não abastece uma vez o seu veículo de combustível, mas vive renovando esse processo de abastecimento. De forma semelhante, a misericórdia de Deus está para o relacionamento com o Pai, da mesma forma que sono está para dormir. Não há um sem que o outro tenha vindo primeiro, entende? Primeiro há misericórdia da parte de Deus, depois você consegue entrar na presença dEle e experimenta do Seu amor.


            O segundo sub ponto, é que para depender da misericórdia de Deus não devemos recorrer ao nosso senso de Justiça. Sim, misericórdia é sinônimo de injustiça, ou melhor, é sinônimo da justiça de Deus. Ela nos remete a pensar qual seria o pecado do salmista, os versos 1 e 2 não retiram de Davi responsabilidade dos acontecimentos, mas o título da passagem nos revela que Davi alcança perdão. Ou seja, Davi, muito provavelmente não merecia o milagre alcançado, mas Deus o concedera por misericórdia.
           
 Você certamente já viu aquela mãe que prometera ao filho uma grande surra por conseqüência de determinado comportamento, mas no momento da consumação do ato, não colocou sobre o filho o castigo. Dadas as devidas diferenças, é o que acontece com Davi aqui. Davi está enfrentando aquilo que de certa forma, merece. Ele recorre a Deus, e tem seu pedido atendido.

            O terceiro sub ponto, é que para depender da misericórdia de Deus você precisa declarar-se dependente dela. Parece loucura, e muito provavelmente seja. Para depender da misericórdia de Deus você precisa conhecê-la; para depender da misericórdia de Deus você não deve recorrer ao senso de Justiça; e para depender a misericórdia de Deus você deve declarar dependente dela.

Ouvi uma vez um senhor dizendo que dependia da sua presença no culto, a sensação de alívio para a semana, leveza. Lembro-me que fiquei algum tentando-o convencer que Deus estava em todo lugar, que suas preces e seu culto a Deus também poderia ser entoado ali, da cama do seu quarto. Foi um tempo rico, complicado e abençoador. Conversamos sobre misericórdia, graça, perdão e outros temas que esse texto aborda. E ao final de toda a conversa, o senhorzinho me disse: “Então dependo só da misericórdia de Deus?”, seu ânimo fora tão grande ao dizer aquelas palavras que entendi um pouco melhor da misericórdia de Deus.

            De certa forma, somos esse senhorzinho muitas vezes. Clamamos, oramos, jejuamos, pedimos, vamos à cultos, campanhas e etc. Nos enchemos de orgulho, avareza, sensação de poder, e demais sentimentos. Achamos que pelo nosso mérito conseguiremos de alguma forma alcançar um relacionamento com Deus. Achamos que Deus olhará com certo sentimento mais positivo para nós do que para os que ainda não são convencidos do pecado. Uma coisa que somente o homem esquece, e Deus não, é que somos dependentes da misericórdia dEle. Se somos motivos de honras a Deus, é por graça e misericórdia. Se somos motivos de alegria ao seu coração, misericórdia. Se somos motivos de vergonha, precisamos de misericórdia. Se ainda não conhecemos do Seu amor, precisamos de misericórdia. Nesse ponto, misericórdia nos revela que não é somente um substantivo comum, que nomeia algum sentimento, mas substantivo próprio. Misericórdia revela-se como um ser vivo, não espírito, mas um ser. Misericórdia revela-se encarnada em Cristo, pois através dEle, temos paz com Deus.

            E a terceira lição é que misericórdia nos revela o perdão de Deus. Uso emprestado o que defendi como sendo um ‘ser misericórdia’. Não há maior prova da misericórdia de Deus por nossas vidas, que Cristo, que era o próprio Deus, e veio. Assim também é a revelação do seu perdão. Não estou querendo passar a mão na sua cabeça dizendo que não há problemas em pecar e mandar mal, sim, problemas existem. Porém, os problemas foram colocados sobre Cristo, na cruz do calvário. A misericórdia nos revela o perdão, pois ela fala para nós o que Cristo fez, nos traz a memória o exemplo. Misericordioso é aquele que prefere ser colocado em prejuízo para que outros possam ter lucros. Misericórdia é Jesus, purinho.

            Como disse Cristo: Bem aventurados os misericordiosos, pois alcançarão misericórida.

A graça e a Paz.

Mateus Machado
Colunista

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