quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amar é um verbo, e o Verbo é Deus - Parte V

Eu sinceramente gosto de usar palavras 'bonitas' quando escrevo. Parece que os textos ficam mais robustos, ainda que a compreensão deixe a desejar certas vezes. E mesmo não tendo um vocabulário tão vasto assim, utilizo as que conheço. Parece que ao usa-las, consigo chegar mais perto de uma possível representação do que Deus é. Mas tudo isso é supérfluo, pois ainda que eu use termos altamente elaborados, o que realmente toca o coração de Deus, não são palavras 'ditas pela boca', mas pelo coração.

E eu até posso usar essas palavras para tentar descrevê-Lo, e ainda que saia um bom texto, e consiga reconhecimento humano por ele, essa descrição não passará de uma pálida sobra do que Deus realmente  é.

"... A palavra inspirada um dia será esquecida; a oração em línguas vai passar; o entendimento alcançara o seu limite. Nós conhecemos apenas parte da verdade e o que dizemos a respeito de Deus é sempre incompleto. Mas, quando o que é Completo chegar, tudo que é incompleto em nós deixará de existir." -1 Coríntios 13.8-10//A Mensagem

Em parte conhecemos um Deus, mas Ele transcende todo o nosso pequeno conhecimento. E por isso Ele merece as palavras mais bonitas como reverência, certo? Leso engano. Devemos ter reverência por Deus sim, oferecendo sempre o nosso melhor. Mas isso não quer dizer que uma oração com palavras mais robustas, tocará Deus mais profundamente que uma outra 'simples'.

E aprendemos isso através da oração que Jesus nos ensinou em Lucas 11.2-4, vemos que nela não existe nada de exorbitante. Ela é simples, e direta. Uma oração que diz:

"Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu o teu nome; venha o teu reino; seja feito a tua vontade, assim na terra, como no céu. Dá-nos cada dia o pão cotidiano; E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal."- Lucas 11.2-4

Quando Jesus fez essa oração, creio que os seus discípulos ficaram estupefatos com o "Pai nosso". Os profetas se referiam a Deus como "o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó". Filósofos pagãos como Aristóteles chegaram à existência de Deus por meio da razão humana e se referiam a ele em termos vagos e impessoais: causa incausada, motor imóvel.¹ E Jesus O apresenta de uma forma diferente, longe dos termos como Deus transcendente, infinito, inefável ou todo-poderoso. Ele se refere a Deus como Pai. E em outras vezes como Aba, que significa literalmente: papai, papá, tatá, meu querido pai. 

Mas cadê as palavras rebuscadas, cadê as frases elaboradas em volta do Seu Nome? Jesus não precisa disso para falar com o seu Pai, e nós também não.


Papai, papá... Como é lindo quando um filho usa esses termos para chamar seu pai. "Papá, te amo". É simplesmente encantador. Quando eu for pai, e meu filho falar a primeira palavra, ainda que não seja 'papá', eu ficarei demasiadamente feliz, porque meu filho falou, não importa o que.

Será que não é esse o mesmo sentimento que Deus tem para conosco, Seus filhos? Deus não espera que falemos com eloquência, com frases elaboradas e finamente articuladas, com dialetos formosos e blá-blá-blá. Deus espera simplesmente que falemos com Ele. Porque independentemente de nossas palavras, Deus nos ama, somos Seus filhos, e Ele adora e é adorado quando O chamamos de Pai, Papai.

Ainda que eu possa ter palavras encantadoras e uma oração bonita, de nada valerá se eu ver Deus como um "ser" supremo e intocável. Simplesmente não passarei do rangido de uma porta enferrujada como disse Paulo em 1 Coríntios 13. De nada valerá se eu não tiver amor, apenas um sentimento de tentar impressiona-lo com minha pseudo-intelectualidade. Se não for por amor, estarei falido.

E Deus ama ser chamado de Pai. Pois quando nos referimos a Ele assim, quer dizer que temos intimidade com Ele. E é isso o que Papai quer. Que Seus filhos tenham um relacionamento intimo com Ele, que não depende de nossas palavras, mas de nossas mais singelas atitudes. Em nossos frágeis corações. Deus tem um amor furioso por nós, que nunca entenderemos, mas que nos toma pelos braços e nos faz ter paz, como um Filho no colo do seu Aba. 


Ronnedy Paiva
O garotão do Papai


Posts: Amar é um verbo, e o Verbo é Deus Parte IParte IIParte IIIParte IV.
1. Brenan Manning, em "O anseio furioso de Deus", pág. 31.

Nenhum comentário:

Postar um comentário