terça-feira, 1 de maio de 2012

Mas, não é pecado, é?

            Primeiro entenda que o que vou defender não é a questão de pecado ou não, até porque quem julga é Deus. E entendo que Deus é graça sob graça, e misericórdia sobre misericórdia. Não acredito em pecado imperdoável, senão a blasfêmia contra o Espírito. É só uma expressão sobre o assunto que tem alimentado tanto os jovens no meio cristão/religioso, e muitas vezes com orientações não muito corretas, a meu ver.


            Perguntaram-me durante a semana sobre a minha opinião a respeito da relação sexual anterior ao casamento. De certa forma fiquei constrangido, acredito que todos sabem da minha fé professa em Cristo Jesus, que sou adepto a religião Cristianismo, e que concordo com as tradições judaico-cristãs. E além de tudo isso, todos sabem os posicionamentos que essa “chatice” toda defende.

            Mas fiquei feliz, afinal, consegui repensar o porquê de algumas tradições.

            Para começar, o desejo sexual é normal. Você deve sentir desejo por pessoas, de preferência de outro sexo (mas a questão de orientação é muito extensa e ficará para outra oportunidade). Todavia, o que importa é o entendimento que os desejos sexuais, fantasias sexuais, vontades e reações são normais. Com os hormônios a flor da pele (adolescência e juventude) a coisa ainda fica pior.

            As vontades vêm, os desejos e muitas vezes, se não em todas, são mais fortes que nós.


Mas afinal, como era o nome daquela(e) menina(o) da semana passada?

            Lembro-me de no ano passado ter falado em minha sala de aula que meu posicionamento contra a relação sexual não é a manifestação amorosa que muitas vezes se dá em sua execução. Mas as suas conseqüências. Não falo de gravidez, doenças e etc. Falo de limites.

            Mulheres antigamente eram criadas com a orientação de seus pais para que não fossem prematuramente “conhecidas” por seus maridos, e esses sabiam que deveriam esperar o momento correto para as conhecer e experimentar dessa dádiva de Deus, a relação sexual.

            Voltando aos limites, defendo meu raciocínio da seguinte forma, após a relação sexual, sem expectativas, sonhos, planos para a noite, sem o clima esperado durante anos, sem as vitórias sobre as brigas de um namoro adolescente. Sem a angústia de enfrentar os pais dela, para o tão esperado pedido de sua mão em casamento, sem nada disso. O que vem?

Após conseguir a tão sonhada relação, o que esperar de mais? O que mais conhecer dela? Tá, e agora? Qual a próxima etapa? Será que com duas é melhor? Outra pessoa? Talvez umas aventuras? Acompanhantes? Um tempo mais longo? Mais vezes?

Cada desejo sexual atendido serve somente como uma ponte para novos desejos. Assim como os planos concretos de um casal, como casa própria e filhos, os desejos sexuais devem ser concretizados juntos e os fetiches que devem ser alimentados e atendidos de um para o outro.

Não é então uma questão de regra. Não estou impondo nada, é simplesmente uma questão de visão. Essa é a minha, e a tiro da bíblia.

O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se 1 Coríntios 7:3-10

Sou apaixonado pelas palavras de Paulo aos Coríntios, capítulos famosos e outros nem tanto, mas que eu os admiro de forma muito singular. Gosto muito dos seus dizeres, gosto muito do seu trabalho feito, gosto muito da palavra de Deus.

Mas voltando, a questão não é mais se é pecado ou não praticar tal ato, ou se devo ou não pensar se isso agrada a Deus. Em eclesiastes, a palavra é clara, diz para que o jovem faça exatamente o que tem em seu coração, mas depois não se arrependa das conseqüências, que Deus fará o Juízo.

Não sei, já li algumas vezes a bíblia por completo, e não me lembro de outra referência da palavra sobre o assunto tão explícita e que dirá que a relação sexual é pecado.

Deixo claro que não estou defendendo sexo anterior ao casamento, só não encontro condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Romanos 8:1).

Mas nas palavras do Apóstolo: “Porque é melhor casar que abrasar-se”.

Então, melhor é ter como companheiro (a) uma pessoa que sonhou e planejou a intimidade que vocês construíram, os sonhos e experiências que terão que serão tão particulares de vocês, que terão valor único para vocês. Quando comparado às várias experiências que se somadas não simbolizam mais que um ato precoce e despreparado.

Minha visão é essa, o amor é paciente, tudo espera, crê e suporta. Não á fácil, pelo contrário, muito difícil. Nos dias que vivemos, diria quase impossível. Mas como disse um amigo ateu: “se Deus quisesse que fizéssemos coisas fáceis, não teria nos criado”. Acho que faz certo sentido, a imagem e semelhança sofrendo para se parecer com a matriz.



Sede meus imitadores como sou de Cristo”  1 Coríntios 11:1



Mateus machado
Colunista

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