quarta-feira, 18 de abril de 2012

Viva a páscoa?



Viva a páscoa! Ei, pera aí, a páscoa já passou. Deixa esse negócio de ir à igreja pra lá.

Deus só é necessário quando não tem mesmo mais escapatória. Bode expiatório. Quando temos necessidades a serem atendidas. Jesus então, ah, Jesus, esse só deve ser lembrado na frase: “Em nome de Jesus, amém.” Ele tem outra utilidade mesmo? Deve ser só para nossa vontade, assim é Deus, e assim deve ser esse tal aí, que se diz filho de Deus, o famoso rei dos reis.

Leia comigo Lucas 23:1-21:

E, levantando-se toda a multidão deles, o levaram a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei. E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes. E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes, e à multidão: Não acho culpa alguma neste homem. Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui. Então Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu. E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém. E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum sinal. E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia. E estavam os principais dos sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência. E Herodes, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. E no mesmo dia, Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; pois dantes andavam em inimizade um com o outro. E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, Disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei. E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa. Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás. O qual fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio. Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o 

Em primeiro lugar, um povo longe de Deus não conhece seus planos. Escrevi em uma rede social por um dia desses: Deus vira conceito quando não se tem relacionamento, Israel provava disso na prática. O “grande” Deus que eles provaram antigamente, agora os deixará oprimidos, abatidos, e dominados por um povo. Israel não era mais uma nação livre, era prisioneira em primeiro lugar de suas tradições e doutrinas, depois da sua falta de fé, e por último de Roma. Se tem um povo que precisava escutar algo diferente, era esse e exatamente nesse tempo, não podia demorar. O mais engraçado é que Deus entendendo essa situação abre mão de si mesmo e vem. Quando aqui está, o povo o maltrata, os evangelhos falam do ministério de Jesus e a sede dos fariseus e religiosos em buscar um ponto em que Cristo falhe. Jesus realizava sinais, seus discursos impactavam e agradavam quem os ouvia, o povo ficava alvoroçado com sua presença. Jesus era o cara. A única coisa que o povo israelita, e todos os demais a quem Jesus pregou das verdades de Seu Pai não entendiam é que Ele os amava, sabia de tudo que aconteceria, sabia das humilhações, problemas, relacionamento com os discípulos, tudo. Ele sabia. E o mais importante, sabia o porquê veio. Ele seria o preço da reconciliação entre Deus e seu povo, páscoa cristã. Alguém pagaria tudo isso, povo ridículo, longe de Deus, costumes conturbados, atitudes de quem nunca ouviu falar de um Deus santo, amoroso e justo. Povo sem fé. Jesus era a ponte, a ligação, o caminho, a verdade e vida entre o Deus do céu e o seu povo, na terra.

Em segundo lugar, Israel queria o Cristo, não o Jesus. Na figura do velho testamento, Cristo simbolizava poder. Filho de Deus que vem com toda a honra e glória digna do Seu Pai, para fazer coisas extraordinárias, e essas, à favor de Israel. Jesus já não significa isso, Jesus na tradução hebraica (se não me engano) quer dizer Joshua, mais ou menos o que significa José ou Francisco para os brasileiros. Jesus era mais um da Silva que existia. Nasceu em meio aos animais, “filho” de um marceneiro com uma mulher que ninguém sabe bem o que fazia antes de ser mãe de Jesus, ela mesma disse que Deus a glorificou, mas que era somente uma serva (Lucas 1:46-55). Veja, Jesus era pra ser mais um. Sem dar problemas, sem gerar dificuldades. Jesus era pra ser o cidadão que malemá conversaria sobre religião, cultura e costumes. Mais um alienado. E é simplesmente o filho de Deus. Só isso. Mas o povo não queria um Cristo assim. Ele teria de ser ousado, bravo, corajoso, talvez arrogante, para que ninguém o desse ordem. Moraria nos aposentos reais, seria quem não obedeceria as regras, mas as faria. Israel não conhecia mesmo Deus. O não matarás, adulterarás, e todos os “rás” que foram ditos nos mandamentos é para que eles aprendessem a simplicidade de Deus, um desejo de estar sempre um olhando pelo outro, se cuidando, e como isso não aconteceu, Deus teve que vir, e dar o exemplo. Para citar, Gayle D. Erwin, em seu livro O estilo de Jesus, “o melhor jeito de se liderar é dar o exemplo”.

Em terceiro, quando não se conhece Deus as piores coisas são melhor que Ele. Jesus foi trocado por Barrabás. Criminoso, pessoa suja, sem caráter, cometeu vários crimes. Se tem algo que o homem é capaz de fazer é exatamente isso, esquecer-se de Deus e olhar para as coisas ruins. Troca-se um ministério na igreja por um dia de folga na semana onde você não faz outra coisa a não ser preocupar-se com pornografia. Não vai a um culto para estar num evento onde prostituição e drogas são as coisas mais comuns. Não vai a uma vigília de oração porque está muito cansado para dormir mais tarde. É a troca do bom e do melhor pela lavagem do porco. É vomitar, ser tratado por Deus, mas ter dentro de si, vontade de voltar ao vômito. É olhar para Jesus e Barrabás e dizer “SOLTE-NOS BARRABÁS!”, e quando perguntado se queremos Jesus responder: “CRUCIFICA-O, CRUCIFICA-O”, afinal, alguém tem que pagar o preço pelos pecados que ainda nem os cometi.

De verdade, esse é um dos textos mais pesados, e lindos, na minha opinião, de toda a bíblia. Porque não fala de Israel, fala de nós mesmos. Deus não ficou para trás. Nós é que temos que trazê-lO para nossa realidade. Como disse CS Lewis, Dotoiévski, e Santo Agostinho; Nenhuma manifestação de Deus se dá, sem que Ele mesmo não tenha vontade de manifestar-se. E como está escrito em sua palavra, a criação anseia pela manifestação dos filhos de Deus. Que nós sejamos então, aqueles que o manifeste. Em nome de Jesus.


Que Deus te abençoe,
Que você seja cheio do Espírito Santo,


Colunista

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