domingo, 29 de abril de 2012

#Pastoral - Sobre hospitais e Igrejas

Hospitais são tão importantes quanto complexos. Envolvem muita gente, recursos, conhecimentos e habilidades. Tratam, basicamente, de pessoas doentes. Mas também incluem em seu campo de atuação os familiares, o trabalho e as questões de ordem emocional ou afetiva. Por mais que façam, atendam, ajudem, nunca darão conta de toda demanda que há por cura e saúde. Embora não possam resolver todos os problemas, são essenciais para qualquer comunidade. O que seria de uma cidade sem hospital ou médicos ou agentes de saúde?
Hospitais precisam de profissionais especializados e com ampla qualificação. Eles serão responsáveis por vidas. Lidarão com a permanente e sempre muito presente possibilidade da morte. Não podem falhar, embora sejam humanos e sujeitos a erros, equívocos e distrações. Não é trabalho para qualquer um. Suas famílias serão privadas de suas companhias em vários momentos. Renúncia, abnegação, serviço e dedicação são palavras que farão parte de seus vocabulários e corações. Mas não poderão, jamais, esquecer que são apenas pessoas normais, sujeitas às mesmas enfermidades que tanto tratam na vida dos outros.
Hospitais contam com profissionais de saúde e muitos outros, de outras áreas do conhecimento, que, no processo, revelam-se igualmente importantes. Administradores, porteiros, vigilantes, serventes, pessoal da limpeza, secretárias... Quanto maior um hospital, isto é, quanto mais gente ele pretende atender, maior seu corpo de funcionários e maior a diversidade que apresenta. Sua direção e gestão tornam-se cada vez mais técnicas, burocráticas, mas nem por isso passa a ser uma empresa comum. Exigirá recursos financeiros sem fim, devendo administrá-los com lisura, transparência, correção e probidade, mas não poderá priorizá-los ou abandonar valores em seu nome.
Muito mais poderia ser dito sobre hospitais e sua realidade, mas não é meu objetivo e nem minha especialidade. Toda esta reflexão inicial e, certamente, superficial, serve para um propósito: conversar em um nível mais acessível e comparativo sobre a realidade da Igreja, que é muito parecida (guardadas as devidas diferenças, é claro) com um hospital.
Igrejas são tão importantes quanto complexas. E nem sempre é fácil determinar essa importância. Ao contrário da complexidade, que fica clara pelo simples fato de envolver pessoas. A sociedade subestima o impacto das igrejas que existem em seu seio, mas não imagina o caos que seria uma cidade, caso desaparecessem. Tratam com pessoas, suas emoções e afetos, relacionamentos e famílias, relação com o trabalho, valores, virtudes, convicções, honestidade, respeito, verdade, amor. Quantos casamentos que tinham tudo para ser destruídos, sobrevivem e tornam-se dignos, verdadeiros espaços de felicidade e amor, por causa da ajuda da Igreja? Quantos filhos crescem ajustados, contra as desestruturas do ambiente familiar, em razão dos ensinos e cuidado da Igreja? Quantos traumas, medos, complexos e sentimentos de vingança ou vitimismo são superados pela mensagem que é pregada na Igreja?
Igrejas precisam de pessoas capacitadas e disponíveis nas mãos de Deus para abençoar outras. Gente que também esteja disposta a renúncias, abnegações e ao serviço dedicado e amoroso. Suas famílias também carecem de grande dose de compreensão, pois ficam igualmente privadas de sua companhia e tempo. Mas essa gente também é normal: gente que erra, tropeça, falha, decepciona. Porque até os melhores médicos ficam doentes, não é mesmo? Claro que muitos, por se cuidarem bastante e evitarem exposições mais temerárias, bem como por contarem com uma genética mais privilegiada, acabam passando pela vida sem grandes percalços. Mas não seria nenhum absurdo se caíssem de cama, certo? Pois é o mesmo com aqueles que servem na Igreja: podem ficar doentes da alma e necessitar de profundos cuidados espirituais.
As comparações não param. Quanto mais crescem, mais as Igrejas precisam contar com profissionais de tantas áreas diferentes, homens e mulheres qualificados e experientes, que, todavia, jamais esqueçam que o serviço na Igreja não é como em qualquer outro setor da sociedade. Também é questão de vida ou morte a questão da Igreja, mas de vida eterna ou morte eterna. Talvez, por isso, Jesus tenha sido tão enfático quanto à responsabilidade de trabalhar no Reino: “Se se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar” (Mateus 18:6).
Aliás, foi Ele mesmo quem também defendeu, ante as críticas de quem apontava a indignidade daqueles que foram chamados para Seus discípulos, que não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes. Enfim um Médico que não sofre das doenças dos mortais. E é totalmente motivado por amor. 

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