domingo, 1 de abril de 2012

#Pastoral - Seja alegre

O homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é, de fato, a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que, ou não se encontrou ainda, ou voltou a se perder. [...] A religião é o ópio do povo. A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real”. Estas famosas palavras de Karl Marx em sua obra Crítica da filosofia do direito de Hegel, publicada em 1844, podem ser verdadeiras a respeito da religião, mas são absolutamente falsas a respeito da espiritualidade cristã. A carta que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Filipos, no ano 62, é um vigoroso testemunho de que existe uma alegria que não se explica por alienação, ilusão ou fuga fantasiosa de uma realidade indesejada e um mundo cruel.

Algemado 24 horas a um soldado da guarda de elite de César, numa prisão domiciliar em Roma, aguardava julgamento por ter sido acusado de crimes para os quais a pena era a morte – o que, de fato, mais tarde, acabaria por acontecer, conforme nos diz a tradição da Igreja, que informa que o apóstolo Paulo foi decapitado no ano de 67 d.C., por ordem do Imperador Nero. Paulo, apóstolo, não estava iludido nem confuso, sabia que era prisioneiro por causa de sua fé em Jesus Cristo e que, dificilmente, seria absolvido. Não tinha razões para viver alegre, mas, ainda assim, escreve uma carta em que recomenda a alegria a todos. Qual era, então, o segredo da sua alegria?


Warren Wiersbe fez uma leitura original da Carta aos Filipenses [SEJA ALEGRE. Queluz, Portugal: Editora Núcleo], onde apresentou os quatro ladrões da alegria e nos mostrou como podemos capturar e prender cada um deles. O primeiro ladrão está identificado com a palavra circunstâncias, que podem roubar nossa alegria. Foi Nietzsche quem disse que “somente quem sabe o porquê da vida é capaz de suportar-lhe o como”. E Paulo sabia: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (1.21), e, por essa razão, me alegro em saber que “as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (1.12).


As pessoas também podem roubar nossa alegria. Mas não podemos esquecer que nós somos “as pessoas” das outras pessoas. Num mundo em que todo mundo coloca a si mesmo em primeiro lugar, não é estranho que vivamos tantos conflitos. A sugestão do apóstolo Paulo é simples: todos devemos abandonar o egoísmo e imitar o jeito Cristo de viver (2.3-8).


Também as coisas podem roubar a nossa alegria. Os chineses têm um ditado que diz que se você tem alguma coisa que não pode perder, então não é você que tem a coisa, é a coisa que tem você. O apóstolo Paulo recomenda que façamos uma avaliação em busca daquilo pelo que realmente vale a pena viver. Depois de avaliar sua vida concluiu que seus três maiores desejos eram: conhecer a Cristo, experimentar o poder da sua ressurreição e participar dos seus sofrimentos (3.10). Percebeu que, comparadas a Cristo, todas as coisas eram como esterco. Paulo era daqueles sobre quem Jim Eliot afirmou: “Não é tolo nenhum aquele que abre mão do que não pode reter, para ganhar o que não pode perder”.


Finalmente, a ansiedade a respeito do futuro pode roubar a nossa alegria. Paulo recomenda: “Não vivam ansiosos por coisa alguma; antes as suas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus pensamentos e sentimentos em Cristo Jesus” (4.6,7). A oração é um caminho de paz e alegria, pois somente quem é capaz de se ajoelhar diante de Deus consegue afirmar: “Posso todas as coisas em Cristo, que me fortalece” (4.13).


A carta aos Filipenses não é auto-ajuda barata, que diz ao leitor iludido que tudo vai correr bem e que, ao final, tudo dá sempre certo. Não é uma dose de ópio. É um testemunho de fé. A fé que vence o mundo. A fé em Jesus Cristo, nosso Senhor. Em nome de quem a vida vale a pena.



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