domingo, 15 de abril de 2012

#Pastoral - A comunidade do Cristo vivo

Sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Palavras de Jesus em referência a si mesmo, quando de sua visita à Cesaréia de Felipe, na Galiléia. Construída por Herodes, o Grande, em homenagem a César Augusto, a cidade abrigava o templo dedicado ao deus Pã (da natureza). Após a morte de Herodes, seu filho Herodes Felipe ampliou o templo e o transformou em honras ao imperador Tibério César. A cidade passou a se chamar Cesaréia de Felipe e o templo ficou conhecido como “porta do inferno”.

Foi ali que Jesus encomendou aos seus discípulos uma pesquisa de opinião, querendo saber o que se acreditava a respeito de sua identidade: Quem eles pensam que eu sou? E vocês, quem pensam que eu sou? Em resposta a estas perguntas, Simão Pedro fez a célebre confissão: Tu és o Cristo, o filho do Deus Vivo, ao que Jesus declarou: E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não poderão contra ela. A igreja está, portanto, edificada sobre a pedra, que é Jesus, ou sobre a declaração de que Jesus é o Messias, o Cristo, o filho do Deus vivo. Assim compreendeu o próprio apóstolo Pedro: Pois assim é dito na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado. Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa; mas para os que não creem, a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular Jesus, a rocha eterna, a pedra angular, que o inferno e as trevas não puderam derrotar. A Igreja Batista de Água Branca completa 73 anos nesse 1º de maio. Fundada em 1937 por um grupo de 21 irmãos, celebra hoje sua história e novamente compromete sua existência e finalidade à luz de sua vocação primeira: ser a comunidade do Cristo, o filho do Deus vivo. Por essa razão, volta seus olhos para a cruz do Calvário, marca e selo de sua identidade. Deseja trazer a cruz de Cristo para o solo da sociedade contemporânea e mostrar que sua mensagem, que não é outra senão a velha história da cruz, é antiga, mas não ultrapassada; milenar, mas não obsoleta. O Cristianismo é relevante, a fé cristã é fonte de esperança para o mundo marcado por desigualdades, sofrimento e dor. Porque a cruz de Cristo fala hoje. A cruz de Cristo fala sempre. A Ibab quer ser comunidade do Cristo, o filho do Deus vivo. E, por esta razão, está comprometida com o que ensinaram os mestres antigos: ser, não uma torre, com pessoas empilhadas que buscam o céu, mas uma rede, de pessoas entrelaçadas, que visam a levar o evangelho todo para o homem todo, até os confins da terra. A comunidade do Cristo vivo é relacional, fraterna, lugar da comunhão e da festa, mesa de todos, onde o pão é de todos e o Pai é nosso.

Para que o pão seja de todos e o Pai seja nosso, a comunidade do Cristo vivo é lugar de compaixão, solidariedade e prática da justiça. Jesus de Nazaré, apresentado pelo apóstolo Pedro como aquele que andou por toda parte fazendo o bem, deu o tom da comunidade dos seus seguidores: todos somos chamados à comunhão do serviço altruísta, abnegado e amoroso. Ao lava pés: servir ao próximo como Cristo ensinou: Vocês me chamam Mestre e Senhor, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. A comunidade do Cristo vivo é comunidade do amor: Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros. A mensagem da cruz não é apenas mais um discurso com o qual se deve concordar ou um amontoado de teorias nas quais se deve crer. É uma realidade da qual se deve participar, na qual se deve integrar. Viver à sombra da cruz implica muito mais do que boas ideias e boas intenções. Viver à sombra da cruz exige o compromisso de tomar sobre os ombros o seu peso e partilhar com o Cristo seu sagrado encargo redentor. Assim nos ensinaram os primeiros cristãos: Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja. Assim nos ensinam os cristãos de hoje.

Quando se sabe que o que se tem não é seu. Quando se tem pra si que o que se sabe vem do céu. Dispõe-se então de toda a vida. E põe-se então a repartir com os seus. Brota agora o coração de Deus. Quando se entende que é para amar que nasceu. Quando se sente o quanto a dor do outro lhe doeu. Dispõe-se então de toda a vida. E põe-se então a repartir com os seus. Brota agora o coração de Deus. Coração que adora, ama, coração que ama, serve. Mutualidade, reciprocidade, diferente é o coração. A diferença é o coração”. [Cláudio Manhães de Oliveira]
Ao celebrar seus 73 anos, a Ibab se volta para a cruz. A cruz de Cristo, que é fonte de perdão e de vida. A cruz de Cristo, que é expressão maior de amor. A cruz de Cristo, que é convocação para a entrega de si mesmo a Deus e ao próximo. A cruz de Cristo, que fala hoje. A cruz de Cristo, que fala sempre. Para que, diante dela, a cruz de Cristo, se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

Pastoral

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