terça-feira, 6 de março de 2012

Pimenta nos olhos dos outros...




            Não há necessidade de se importar com as angústias individuais dos cristãos. A padronização é mais valorizada que a evolução, a intimidade, a melhoria de relacionamento entre Deus e os que deveriam adorá-lO.

            Aparentar-se feliz e conformado com as lições que são repetidamente pregadas é mais conveniente que apresentar-se inconformado com as mesmices e regras que já acabaram.
           
            Manter os padrões é necessário para se manter o controle.


            "Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras. Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo. Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?" Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela". Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?" "Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado". Falando novamente ao povo, Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida". Os fariseus lhe disseram: "Você está testemunhando a respeito de si próprio. O seu testemunho não é válido!" Respondeu Jesus: "Ainda que eu mesmo testemunhe em meu favor, o meu testemunho é válido, pois sei de onde vim e para onde vou. Mas vocês não sabem de onde vim nem para onde vou. Vocês julgam por padrões humanos; eu não julgo ninguém". João 8:1-15. 

            A primeira lição é, Jesus não falava o que os fariseus queriam ouvir, falava o que eles precisavam ouvir. Temos facilidade em filtrar o que escutamos a respeito de Deus, acatamos o que nos é conveniente e descartamos o que nos incomoda, i que nos é necessário para um verdadeiro crescimento. As palavras são ditas sem efeito, seus significados são apenas abordados para "embelezarem" os discursos. Não é necessário reflexão sobre o que nos foi dito, não é posto em prática os aprendizados, é um comodismo hipócrita, sabe-se a diferença mas não somos capazes de realizá-la. Jesus incomoda os fariseus com seu discurso. Os surpreende. Eles estavam lá para tentar "armar" com Jesus, afim de que tivesse algo para acusá-lo. Jesus queria ensiná-los que muito mais que a justiça, queria ensinar que a valorização do amor é o que conta, o exercício de cuidar de vidas é o necessário. Menos punição, mais tratamento. Menos julgamento, mais afeto. Jesus os convida a olhar para uma reflexão interna. A motivação de um apedrejamento é punir um pecado ou talvez esconder-se atrás de uma atitude desumana para com o outro, mostrando que talvez fosse mais certo, você estar sendo apedrejado no lugar dela. É um convite a visualização da realidade particular. Sua vida está bem? Tem dado ouvidos ao que precisa? O tratamento do pecado é para o apedrejado ou para quem apedreja?

            A segunda lição é,  estamos todos em uma mesma condição. "A pimenta nos olhos dos outros é refresco", ditado popular que fala muito sobre esse texto. Há uma facilidade muito grande a respeito de buscarmos soluções para os problemas alheios, temos sempre uma resposta, uma ressalva a ser feita, uma opinião a dar, um argumento a defender. Nossa visão tem que ser respeitada e acatada, e aí daqueles que não concordarem. O que está escrito está escrito, é uma supervalorização da imposição de regras e desvalorização de comunhão. Convém mais punir os falhos a orientar os que ainda não conseguem entender a importância delas. Não é uma anarquia, esquecimento de regras, mas um bom-senso entre as regras e exceções. É sensibilidade para tomar decisão, sensibilidade essa que vem de Deus, e não de nós. Dom de misericórdia, que vem de Deus e não de nós. Amor incondicional por vidas, que vem de Deus e não de nós.

            A terceira lição é, existe um único juiz, e não somos nós. Jesus termina esse texto de forma extremamente interessante: "vocês julgam segundo padrões humanos, e eu não julgo a ninguém". Ele sabia da realidade da religião, um povo que valorizava costumes, padrões, idéias (talvez até ultrapassadas), mas mantidas para não perder-se as tradições. Ele sabia que os judeus transformaram a casa de oração em covil de ladrões, que tinha prazer em julgar. Sabia que os mandamentos transmitiam valores muitas vezes não muito relacionados com o que Deus queria transmitir de verdade, corrompidos por pessoas e pelas tradições corrompidas. Jesus ensina, não julgue, os parâmetros de Deus são diferentes do nosso, Ele é amor, misericórdia, graça e perdão. Nós, seres caídos que necessitamos dessas características dEle para sobrevivermos, "porque nosso Deus é um fogo consumidor"(Hb 12:29)

            Que Deus nos ajude a ter os mesmos pensamentos de Jesus Cristo, vontade de amar vidas ao invés de culpar, falar e escutar o que é necessário e entender que estamos na mesma condição de pecadores, que é tudo pela graça de Deus.



Que Deus te abençoe


Mateus Machado
Colunista

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