quinta-feira, 8 de março de 2012

Comunhão: A vida foi feita para ser partilhada.

Deus quer que vivamos juntos. A Bíblia chama essa experiência compartilhada de comunhão. A real comunhão significa muito mais do que aparecer nos cultos. É ter a vida em comum. Ela inclui amar, compartilhar com transparência, servir nas necessidades práticas, ser generoso com o sacrifício de si mesmo, consolar compassivamente, dentre outras orientações encontradas no Novo Testamento.
 Quando se trata de comunhão, o tamanho importa: quanto menor melhor. Você pode adorar no meio de uma multidão, mas não pode ter comunhão com ela. Querendo ou não, quando um grupo se torna algo maior que 10 pessoas, alguém deixa de participar, – normalmente o mais pacato – e umas poucas pessoas acabam “dominando” o grupo.
 Mas Infelizmente, mesmo estando em um grupo pequeno, isso não lhe garante experimentar uma comunhão real. Muitas muitos grupos pequenos, ficam presos à superficialidade e não fazem idéia de como é experimentar a verdadeira comunhão. Qual é a diferença entre a comunhão verdadeira e a falsa? 

Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram autenticidade.
 A comunhão autêntica não é superficial. É genuína, de coração para coração, às vezes permitindo partilhar coisas íntimas. Ela ocorre quando as pessoas são verdadeiras sobre quem são e sobre o que está acontecendo em sua vida. Autenticidade é exatamente o oposto do que você encontra em algumas igrejas. Em vez de uma atmosfera de honestidade e humildade, há uma conversação fingida, representada, politiqueira, superficialmente educada e fria. As pessoas vestem máscaras, mantêm a guarda levantada e agem como se tudo em sua vida fosse positivo. Essas atitudes são a morte da verdadeira comunhão.
 Naturalmente, ser autêntico exige tanto coragem quanto humildade. Significa enfrentar seu medo de exposição, de rejeição e de ser novamente magoado. Por que alguém correria tal risco? Porque é a única maneira de crescer espiritualmente e ser emocionalmente saudável. Nós só crescemos assumindo riscos, e o mais difícil risco de todos é sermos honestos com nós mesmos e com os outros.
  
Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram reciprocidade.
Reciprocidade é a arte de dar e receber, depender um do outro. Mutualidade é o coração da comunhão: edificar relacionamentos recíprocos, dividir responsabilidades e ajudar uns aos outros. Todos somos mais constantes em nossa fé, quando outras pessoas caminham conosco e nos incentivam. A Bíblia ordena que haja prestação de contas, incentivo recíproco, mútuo atendimento e honra recíproca (Romanos 12.10). Por mais de cinqüenta vezes no Novo Testa mento, somos orientados a realizar diferentes tarefas “uns aos outros” e “entre si”. A Bíblia diz: Esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua (Romanos 14.19). Você não é responsável por todos no corpo de Cristo, mas é responsável para com eles. Deus espera que você faça tudo que puder para ajudá-los.

Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram compaixão.
Compaixão não é dar um conselho ou oferecer uma ajuda rápida e superficial; compaixão é penetrar e partilhar a dor dos outros. A compaixão diz: “Compreendo o que você está passando, e o que você sente não é estranho ou absurdo”. Hoje em dia algumas pessoas chamam isso de “empatia”, mas a palavra bíblica é “compaixão”. A Bíblia diz: Como povo escolhido de Deus [...] revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência (Colossenses 3.12). A compaixão alcança duas necessidades fundamentais dos seres humanos: a necessidade de ser compreendido e a necessidade de ter seus sentimentos confirmados. Toda vez que compreende e confirma o sentimento de alguém, você constrói comunhão. O problema é que estamos freqüentemente tão apressados em corrigir as coisas que não temos tempo de sentir compaixão. Ou ainda estamos preocupados com nossas mágoas. A autopiedade esgota completamente a compaixão pelas outras pessoas. Existem diferentes níveis de comunhão, e cada um é adequado a um momento diferente. Os níveis mais superficiais de comunhão são: a comunhão de colaboração e a comunhão de estudo da Palavra de Deus em conjunto. Em um nível mais profundo está a comunhão de serviço, como quando ministramos em conjunto em viagens missionárias ou em obras de caridade. O nível mais profundo e intenso é a comunhão de sofrimento (FIlipenses 3.10 | Hebreus 10.33,34 ),quando entramos na dor e no sofrimento uns dos outros e carregamos os fardos uns dos outros.
A Bíblia ordena: Compartilhem os seus problemas e transtornos uns com os outros, e dessa forma obedeçam à lei de Cristo (Jó 6.14). É em tempos de crise, tristeza e dúvidas profundas que mais precisamos uns dos outros. Quando as circunstâncias nos esmagam a ponto da nossa fé vacilar, é que mais precisamos de amigos “crentes”. Precisamos de um grupo pequeno de amigos que tenham fé em Deus por nós e para nos fazer vencer as dificuldades. Em um grupo pequeno, o corpo de Cristo é real e palpável, mesmo quando Deus parece distante.

Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram misericórdia.
A comunhão é uma situação em que opera a graça; em que os erros não são lembrados, mas apagados. A comunhão acontece quando a misericórdia triunfa sobre a justiça. Todos precisamos de misericórdia, porque todos tropeçamos e caímos e precisamos de ajuda para voltar ao caminho. Precisamos oferecer misericórdia uns aos outros e estar dispostos a recebê-la uns dos outros. Deus diz: Quando as pessoas pecarem, vocês devem perdoá-las e confortá-las, para que não sejam vencidas pelo desespero (II Coríntios 2.7) . Você não pode ter comunhão sem que haja perdão. Deus alerta: Jamais guardem rancor (Colossenses 3.13), porque amargura e ressentimento sempre destroem a comunhão. Como somos imperfeitos e pecadores, inevitavelmente magoamos uns aos outros quando ficamos juntos por algum tempo. Às vezes magoamos uns aos outros intencionalmente e às vezes sem querer, mas de qual quer forma são necessárias enormes quantidades de graça e misericórdia para criar e manter a comunhão. A Bíblia diz: Vocês precisam ter consideração para com as faltas uns dos outros e perdoar aos que lhes ofendem. Lembrem-se: assim como o Senhor lhes perdoou, vocês devem perdoar aos outros (Colossenses 3.13).
A misericórdia de Deus para conosco é um estímulo para mostrarmos misericórdia com os outros. Lembre-se: jamais lhe será pedido que perdoe a alguém mais do que Deus já lhe perdoou. Sempre que é magoado por alguém, você tem uma escolha a fazer: usar sua energia e seus sentimentos para buscar vingança ou encontrar solução. Você não tem como buscar os dois. Muitas pessoas relutam em mostrar misericórdia porque não sabem a diferença entre confiar e perdoar. Perdoar é esquecer o passado. Confiar tem relação com comportamento futuro. O perdão deve ser imediato, tenha ou não a pessoa pedido por ele. A confiança deve ser reconstruída com o tempo. Confiança exige antecedentes. Se o magoam repetidamente, Deus lhe ordena que perdoe imediatamente; mas não espera que você volte a confiar imediatamente ou que continue permitindo que tais pessoas te magoem. Elas devem mostrar que mudaram com o tempo. O melhor lugar para restaurar a confiança é no contexto de apoio mútuo de um grupo pequeno que ofereça tanto encorajamento como prestação de contas mútuo.

Compartilhem os seus problemas e transtornos uns com os outros e dessa forma obedeçam à lei de Cristo (Gálatas 6.2).



Carol Cruz
Colunista

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