domingo, 12 de fevereiro de 2012

#Pastoral - Crer, ser, crescer!

Ser é melhor que ter. Virou chavão. Todo mundo sabe, todo mundo diz. Talvez, nem todos compreendam exatamente o que significa, mas é difícil que, mesmo sem noção plena de sentido, alguém discorde da afirmação, assim, do modo como se apresenta.
Até porque, ao que parece, somente o ser pode ter. Não há posse sem pessoa.
A compreensão do ser é fundamental. Envolve a essência de nossa existência, bem como certa consciência de nossa natureza, identidade e atributos. Somente o ser humano pode empreender uma busca pela descoberta de seu próprio ser. E precisamente essa busca caracteriza-o como verdadeiramente humano.
Contudo, saber quem somos não é simples. Normalmente, respondemos a questões do tipo “quem é você” com informações a respeito do que fazemos: “sou médico... advogado... engenheiro... professor”. Quanto constrangimento se o inquiridor recusar o lugar comum e insistir na dúvida: “quem é você?”. “Não sei quem sou” seria a resposta mais sincera da maioria, quem sabe?
Aqui descobrimos que para ser é preciso crer. Acreditar, confiar. Assumir certa identidade que não ocorre ao pensamento por acaso, mas vem pela revelação de nossa origem, condição e propósito. Inclusive, destino. Tal desvelamento aplaca a angústia da alma ignorante e encoraja qualquer coração reticente, pois qualquer que sabe quem é sabe como deve viver.
O perigo, no entanto, é confundir uma ilusão fantasiosa e imaginativa com uma revelação verdadeira e transformadora. Nada que nos agrade de imediato ou pareça acomodar-se a certa intuição que já alimentávamos deve ser levado a sério. Toda revelação importante e necessária surpreende e confronta nossa visão da realidade. Toda revelação relevante pede decisão.
A revelação por excelência, portanto, trata da disposição de Deus, como criador, para compartilhar com o ser humano, criatura, as razões supremas desta sua existência e as eternas implicações de sua vida espaço-temporal. Exige que Ele mesmo invada a história e comunique-se com aqueles que criou, de modo que possam ouvir sua voz e compreender plenamente sua mensagem. Profetas já seriam ótimos, mas alguma forma de encarnação, excelente.
Jesus Cristo é, então, o segredo da descoberta do ser. Nele, Aquele que disse “Eu sou quem eu sou” veio dizer “sou como um de vocês”, para ensinar-nos a ser quem queria que fôssemos. Por isso, também disse: “Eu sou a luz, o pão, o caminho, a verdade, a vida...” Lindo, não? Como escreveu Leonardo Boff: “todo menino quer ser homem, todo homem quer ser rei, todo rei quer ser Deus, mas somente Deus quis ser menino”. Surpreendente! Confrontador! Todas as marcas de uma revelação verdadeira, impossível de ser forjada.
A revelação de Jesus torna-se, assim, nossa descoberta de identidade espiritual e a certeza de nossa filiação divina, em amor e perdão. Sua morte por nossos pecados fala-nos da redenção de nossa natureza e das plenas possibilidades de nossa existência como nova criação. Sua ressurreição abre-nos as portas do futuro e nos faz participantes da eternidade.
Agora, crescer em Jesus é o imperativo dessa nova vida. “Até que cheguemos à estatura de Cristo”, como diria o apóstolo Paulo (que, aliás, também disse “sou o que sou pela graça”, numa demonstração profunda de consciência de seu próprio ser). Para que um dia sejamos “tal como Ele é”, como diria o apóstolo João (que, por sinal, também disse que “Deus é amor”, numa experiência profunda de conhecimento da essência divina). Ele é nosso alvo, caminho, destino, glorificação. Enfim, como sugeriu Jürgen Moltmann, se ser é melhor que ter, o devir é melhor que o ser. É! 

Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Maringá
Corpo Pastoral 
Pr. Marcelo Gomes

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