domingo, 31 de julho de 2011

-Tribo do Amor-

Santo não é aquele que nunca se suja, mas aquele que sempre se lava. - Queremos colocar gente perfeita no paraíso, Jesus fez ao contrário. Inaugurou o Paraíso com um ladrão. 
(Pastor Luiz Herminio Santos)

Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.
(1 Samuel 16:7)

- Como assim: "porque o tenho rejeitado"?
Quando Samuel foi a casa de Jessé, o belemista, procurava um homem dentre os seus oito (8) filhos para ser o rei, como o Senhor o havia dito (1Sm 16:1b). E Samuel vendo os filhos de Jessé, homens de grande estatura e fortes, não encontrou o ungido do Senhor, pois Samuel via apenas a aparência, e Deus o coração; Depois de Samuel ter vistos os sete (7) filhos de Jessé, pediu que chamassem o filho mais novo, Davi, o qual Deus escolheu, e que mais tarde venceu Golias, o filisteu de Gate, que era um gigante, usando apenas pedras e uma funda. E este homem foi considerado pelo Senhor, homem segundo o seu coração (At 13:22)

O Senhor Deus não se interessa se você é forte ou fraco, de cor ou sem, feio ou bonito, Ele está interessado em seu coração, no que ele pode oferecer. 

Jesus na cruz ao lado de dois ladrões se deparou com um homem que estava se arrependendo de seus pecados em seus últimos instantes de vida, e pediu ao Mestre que se lembrasse dele quando chegasse ao seu Reino, e Jesus o disse: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lc 23:43)

***

Vivemos em uma sociedade de padrões, e de tribos que não se misturam. E muitas dessas tribos não são bem vistas pela sociedade, tampouco pela igreja. Aí falamos "A igreja não deveria aceitar a todos?" E eu lhe pergunto: "Mas como a igreja aceitará estes se você não o aceita, nem fala de Deus a ela? E a igreja não somos nós?". Vivemos acomodados, ouvimos do amor e do evangelho de Deus, mas estamos presos a padrões que não nos deixa ser livres, e achando que o nosso papel como cristãos é apenas aprender, e não praticar.

Estas pessoas que estão sendo rejeitadas, talvez em nenhum momento tenham conhecido ao Senhor dos senhores que você serve, e a ultima esperança pode ser você, porém nossa escolha é não se misturar, pois 'o que vão pensar de mim?'. Temos que dar nosso testemunho através de gestos, ações condizentes de um ser humano temente ao Senhor. E sem palavras ajudar alguém, e os olhares que estão em nossa volta, perceberão que o que ajuda é diferente dos demais, e realmente são, não por sua aparência, mas porque seus corações estão cheios de amor, o mesmo amor de Deus o Pai para com nós, e levando a sério o mandamento que diz: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Gl 5:14b)

O mundo de hoje, está muito diferente do de antigamente, em que se você tinha brincos, era mulher, e se tinha tatuagem, era um ex-detento/prisioneiro/bandido. Vemos pessoas cobertas por desenhos e piercings, e de pronto pensamos: "Este está perdido, é do capeta já!". Talvez ele até possa adorar o capeta, mas ele não é dele... O Deus que criou você o criou também, soprou o espírito de vida em suas narinas após com suas mãos tê-lo feito, então ele pertence ao Senhor, e é você quem deve mostrá-lo isso. Se não é o momento oportuno, ou não tem condições, fique calmo, a pessoa que está ao seu lado, em sua casa, escola ou em qualquer outro lugar também é obra do Senhor, e você também pode falar para ela isso.

Saiba que somos criaturas de Deus, e temos que nos tornar filhos, recebendo e aceitando o sacrifício de Jesus naquela cruz. Porque "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos." (Is 53:6)

Não há ninguém que não tenha o direito de conhecer a Verdade, o Caminho e a Vida, e você deve anunciar esta Verdade. Deus pode fazer com você o mesmo que fez com Davi, Paulo, Abraão e tantos outros. Basta você ser o que Deus quer que você seja, tente chamar a atenção Dele como Zaquel fez (Mt 19:4-5). Deseje tocá-lo como a mulher do fluxo de sangue tocou (Mt 9:20), tenha a fé do centurião de Cafarnaum (Mt 8:5-10)... E pregue o evangelho de Deus como Jesus pregou...


-Quem pedir ajuda do Senhor será salvo- 
(Romanos 10:13)
(Deliverance Bible Church)

domingo, 24 de julho de 2011

#Post do leitor: Somos Felizes

                                           -Somos felizes, pois temos um Grande Deus. 

Reflita comigo essa musica: 
 

LETRA
Se paz a mais doce me deres  gozar                
Se dor a mais forte sofrer  

Oh! Seja o que for                                              
Tu me fazes saber  
Que feliz com Jesus sempre sou.    
                    
REFRÃO:  
Sou feliz com Jesus  
Sou feliz com Jesus, meu Senhor
A vinda eu anseio do meu Salvador  
Em breve virá me levar  
Ao céu onde vou para sempre morar  
Com os remidos na luz do Senhor.




Repare na letra dessa música, creio que muitos cantam essa linda canção embora não saiba o que se passava quando  Horatio G. Spafford  o criador dessa musica estava passando naquele momento . 

Vou contar a história dele, um homem que embora sofresse muita dor e sofrimento (Se dor a mais forte sofrer – trecho da musica), não deixou de amar a Jesus e embora tanto sofrimento que se passava não deixava de falar que ele era feliz com Jesus.

Em novembro de 1873, devido a inesperados compromissos de negócios, Spafford precisou permanecer em Chicago, mas ele enviou sua esposa e as suas 4 filhas conforme já estava programado no navio S.S. Ville du Havre.

Sua expectativa era seguir viagem dias depois. No dia 22 de novembro de 1873, o navio sofreu um acidente e naufragou em 12 minutos. Dias depois, os sobreviventes finalmente chegaram em Cardiff, no Pais de Gales, e a senhora Spafford mandou um telegrama ao seu marido: “SALVA... PORÉM SÓ”.

As 4 filhas morreram naquele naufrágio. Imediatamente após receber o telegrama da esposa, Spafford tomou um navio e foi ao encontro de sua esposa. Próximo ao local do acidente, Spafford profundamente comovido e sustentado pelo Deus que inspira canções.

Não sei o que se passa na sua vida, mais eu te pergunto: 

- Você já disse que você é feliz com Jesus? 

- Diante de lutas que venham na sua vida, mesmo assim você é feliz com Jesus? 

Agradeça a Deus por cada momento da sua vida, por cada dia, por mais que o seu dia não foi como você esperava ou que o seu dia foi ruim, mais lembre-se que foi Deus quem os fez, e Ele queria que fosse cada jeito, porque Ele tem tudo planejado no coração Dele !

- Não deixe que uma pedra no seu caminho se faz uma montanha, se algo como a historia do Horatio G. Spafford acontecer na sua vida, não se pergunte o porque Deus fez isso, como diz na palavra “Muitos são os planos no coração do homem; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá.” (Pv. 19.21) , Deus não dá nada que não possamos suportar. 


‘‘Tudo posso naquele que me fortalece ’’ (Filipenses 4:13) 


Fale para você mesmo(a), Diante das dificuldades, das lutas. Eu sou feliz com Jesus!


Escrito por Evelin Paiva
#Post do leitor

domingo, 17 de julho de 2011

-Como Ele continua a me amar?-

"Tu és formoso, maravilhoso. Te adorar é o meu prazer. Incomparável, Deus amoroso. Fiel e justo, tu és Senhor. Contigo eu quero, me parecer. Derrama mais amor em mim. E que a doçura do teu olhar. Minha vida possa transformar." 


Ele é Santo, poderoso, amoroso, bondoso... E isso ainda é pouco para tentar descrevê-lo. Deus, não tenho palavras para expressar tamanho amor.

Amor que não é só de falar, mas de agir. E mesmo sendo pecador Ele me ama. Ainda que sujo eu esteja, Ele me abraça, me aceita da forma que sou, forma que não se encaixa no "padrão" humano de "bom", mas que para Ele é o suficiente.

Ele não se interessa pelo o que eu possa oferecer, ou minha aparência. Seu interesse  sou eu. Minha vida é a sua prioridade.

Realmente não compreendo, pois sou pecador, e deveria ser jogado fora como qualquer um faria, mas não, é assim que Ele me quer, para ir me mudando, me transformando, me mostrando seu amor que me constrange, pois esse amor é especial, é infinito.

Deus. Obrigado pela oportunidade que o Senhor nos dá de servi-lo, ainda que falhos, o Senhor tem nos aceito. E sei que não há nada a fazer para que o Senhor nos ame mais, pois é absurdamente grande tal sentimento do Senhor por todos.

E hoje posso falar que sou feliz!

"Grato lhe sou porque primeiro me amou. Grato lhe sou pela vida que comigo gastou. 
Grato lhe sou pela minha soul, lhe sou eternamente grato pelo ato de bravura. 
Hosana digam os anjos nas alturas" ♫

Tributo a Yehovah [Pregador Luo e Adhemar de Campos]

***

Estava tentando escrever algo para postar hoje. Conversei com um amigo sobre o que falar,  queria uma palavra que fosse confortadora... Mas não sabia o que escrever, na verdade estava escrevendo um POST, mas não finalizei. 

Não encontrava palavras, textos, uma base para construir um texto que me agradasse e suprisse de certa forma os leitores. Porém em oração na igreja, Deus começou a falar comigo, me transbordando de amor, e comecei a falar: 

"Porque Deus o Senhor me quer? Sou falho, e Senhor me ama, sou pecador, e o Senhor me perdoa, sou incrédulo algumas vezes, mas o Senhor continua a meu lado. Porquê? - Não entendo" 

E fui percebendo que não há o que eu faça que possa tirar o amor Dele por mim, por mais que eu o deixe triste, Ele ainda confia em mim.

Então escrevi esse POST um pouco diferente hoje, para que Deus possa confortá-lo também. Transbordando sua vida de amor, de alegria, de perdão, assim como Ele fez comigo.

Que Deus te abençoe!

"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão."

Salmos 51: 10-13
 

domingo, 10 de julho de 2011

-Quer uma ajuda?-

 - Se uma casa está pegando fogo, a gente cruza os braços e espera a chegada dos bombeiros ou ajuda com alguns baldes d'água? -

Francisco Cândido Xavier

Essa frase foi dita pelo Chico Xavier (1910 -2002), em resposta aos ataques e críticas que vinha recebendo de seus adversários que o acusavam de usar a caridade como forma de divulgar o espiritismo.

***

Certa vez Madre Teresa de Calcutá disse: "O importante não é o que se dá, mais o amor com que se dá."

Isso reflete, em nossa sociedade, pontos positivos, tendo em vista a grande quantidade de pessoas que necessitam de ajuda, mas alguns podem vir a perguntar: 
-Ah, mas quem é o meu próximo? - 

Jesus narra no livro de Lucas 10: 29-37 uma parábola sobre isso: 

- A parábola fala resumidamente sobre um homem que caiu na mão de salteadores, e este foi deixado à beira da estrada quase morto. Passou por ele um Sacerdote e um Levita, que o vendo, passaram de largo. Porém um Samaritano avistando-o moveu-se de compaixão, e prestou-lhe os primeiros socorros, levando-o com ele. E depois deixando em lugar seguro, pediu e pagou a um hospedeiro para que cuidasse dele.

Diante dessa narrativa, percebemos dois "próximos". Um foi o Samaritano, sendo o próximo do homem salteado. E o Samaritano teve o homem a quem ajudou como o seu próximo também.

Ou seja, podemos ver o nosso "próximo" como qualquer pessoa, ou todas as pessoas. E devemos ajudar quem necessita, independentemente da sua situação.

Precisamos ser o próximo das pessoas, precisamos ajudar, fazer valer a união, a amizade, o amor...

E é como um pregador falou certa vez: "... porque ainda que eu esteja muito louco, não existe outra possibilidade da gente mostrar Deus se não for por nossa vida..."

Mas somos falhos, e incrédulos, chegando ao ponto de nós mesmos nos desanimarmos - uma batalha de um homem só - Uma hora pensando "Devo ajudar as pessoas" e outrora "Não tenho como, não possuo recursos."

- Recursos?

Será que um simples estender de mãos para levantar alguém necessita de recursos salvo para empregar uma força para aguentá-lo?

Quando nos movemos pela Graça do Senhor, que já nos basta, Ele nos faz precisarmos apenas de pedras e uma funda para derrubar um gigante. Somente à vontade com a ação, já é o bastante. Porque o "resto"  é o próprio Deus quem nós proporciona.

Às vezes queremos fazer missão para a África, sendo que tem milhares de pessoas em nosso país passando fome também. Pessoas que moram em nossa vizinhança, ou que dorme perto de nossas casas. Devemos sim fazer missões em outros locais. Porém temos que começar em nossa circunvizinhança.

E lhes pergunto: Será que o "pouco" que temos feito é o bastante?

Pra mim, penso que o "pouco" para nós, pode significar muito para o outro. Aquela simples doação de um cobertor velho para nós, pode ser muito para quem não tinha nada para se cobrir no inverno nas ruas.

E é assim que temos que caminhar, ajudando quem necessita, não nos vangloriando, mas agindo por amor. Pois a simples vontade de querer mudar o mundo, nunca passará de uma vontade se ninguém agir!

Pode parecer tolice o que estou falando e o que falarei para você. Mas a simples conciência de desligar a torneira ao escovar os dentes, é de suma importância para um mundo melhor. 

Comece a fazer o bem pela sua casa, ajudando sua mãe, por exemplo, a lavar a louça, ou a seu pai a pagar a conta de energia, ou apenas dizendo "eu te amo" para as pessoas mais importantes para você. E depois vá espalhando esse amor, que trancede o significado das palavras, que não é amor apenas de falar, mas de AGIR.


"O Senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso."
[Madre Teresa de Calcuta]

domingo, 3 de julho de 2011

Irmãos - Território 7


Um conto de Gustavo Guilherme

“A razão vos é dada para discernir o bem do mal.”
Dante Alighieri

Assim que os vi naquela manhã, dei a eles nomes ordinários em minha mente fértil. E o fiz por não saber, na verdade, qual a alcunha real daqueles seres.

Batizei-os em silêncio de Bem e Mal. Também os imaginei crescer com tal educação: um antagonista do outro, não podendo, em hipótese alguma e jamais, conviver em harmonia. Não existiriam nunca quaisquer possibilidades de alguma sociedade entre eles. Um era vilão, o outro era mocinho. Um vestiria sempre o azul; outro, cinza. Estavam destinados a odiarem-se mortalmente para sempre.

Era sexta-feira quando decidi comprar mantimentos para casa quando, por acaso, dei de cara com a peleja. Bem e Mal se enfrentavam ferrenhamente no beco ao lado do Supermercado.

A violência que meus olhos enxergavam era louca, insaciável, incansável. Estaquei mudo, deixando as sacolas cheias de alimento caírem na calçada.

O Bem avançava contra seu oponente com absoluta ingenuidade e, em troca, recebia golpes certeiros na cabeça. Vestia-se como um príncipe, em azul, tecido raro. O Mal, coberto em panos banais e de cor acinzentada, investia pancadas agressivas no peito e no rosto do Bem sem dar tréguas, arrancando-lhe a vida aos poucos.

Eu, petrificado, observava calado a luta espantosa. Socos, pontapés, mordidas, palavras de ofensa, cuspidelas e hostilidade – tudo aquilo me parecia um espetáculo de gosto duvidoso, um circo de horrores cruel e fatal.

O Mal, infatigável, desviava-se facilmente das empreitadas previsíveis de seu inofensivo opositor. A batalha era covarde, Mal sempre fora o mais forte.

Golpeado na boca com um murro atroz, Bem despencou quase sem vida ao chão. Gravemente ferido, seus olhos alcançaram os meus. Suas pálpebras cobertas de sangue não escondiam as pupilas dilatadas. Seu olhar silencioso me implorava socorro.

Eu, movido de coragem afoita, corri em direção ao combate. Sem notar, alcancei o queixo de Mal com meus punhos cerrados. Meu soco, desleixado e fraco, o pegou de surpresa. Ele, sem saber direito o que o acertara, tombou aos meus pés, batendo a cabeça violentamente contra a parede. De olhos fechados, gemeu de dor, colocando a mão aberta sobre o ferimento. Furioso, disse alguma palavra que não compreendi e se preparou para se erguer. Porém, antes que ele pudesse abrir os olhos e procurar o que o atingira, meus instintos agiram de repente. Investi contra ele um chute que lhe deslocou o maxilar e o fez tombar desacordado sobre o asfalto frio, envolto pelas sombras que insidiam dos prédios no beco.

Gotas quentes de sangue acertaram meu braço. Despertei da ira inconseqüente. Estarrecido com minha própria violência, me afastei devagar, trêmulo, sem notar que Bem já estava de pé, observando o sofrimento de seu algoz.

Acometido de medo, gritei:

– Eu o matei! Meu Deus, eu o matei!

Bem, com frieza nos olhos, respondeu:

– Acalme-se, senhor. Este desgraçado ainda vive.

– E não há nada que possamos fazer para ajudá-lo? – indaguei aterrorizado.

– Ajudá-lo? Você está louco? – disse Bem, um tanto hostil – Este infeliz precisa morrer! Agora!

Bem, de repente, cerrou os punhos e caminhou na minha direção. Eu, tomado de pavor, me desviei de seu caminhar obstinado e me afastei depressa. Contemplei intimidado os passos determinados daquele ser. Ele estava decidido a eliminar seu adversário imediatamente.

Ardendo em fúria, com as veias sobressaltadas no pescoço largo, Bem ergueu Mal pelo pescoço, estrangulando-o com incomensurável cólera, enquanto eu continuava a me distanciar.

A intensidade do estrangulamento era assombrosa. Em alguns segundos, o Mal estaria morto. Bem triunfaria sobre seu rival. Possivelmente, me cumprimentaria pelo socorro prestado ou, quem sabe, me recompensaria pela ajuda. Bem, entretanto, já não parecia o mesmo. Seu rosto, outrora sério e resplandecente, tomara formas tenebrosas e se transformara. De suas costas nasciam asas negras, e na pele esbranquiçada apareciam escamas vermelhas rapidamente. As roupas claras chamuscavam e derretiam, enquanto a longa cabeleira negra e lisa perdia totalmente a cor e a textura, tornando-se acinzentada e volumosa.

Eu, outra vez bestificado, reconsiderei a esperança de recompensas e decidi correr. Se permanecesse ali, poderia me tornar vítima daquela fúria, ou do que talvez estivesse por vir caso Mal ainda despertasse. Por segurança, iria embora de volta pra casa o mais depressa possível.

Antes de partir, me permiti uma última olhadela. Eu, confuso e atordoado, já não sabia mais dizer quem era Bem, quem era Mal.


Texto do BLOG Território 7 (Irmãos)