sábado, 26 de março de 2016

O amor é uma condenação


 "Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados." João 4:10
 
Uma das palavras mais ditas hoje em dia é amor, e ela é falada em diversos sentidos: "eu amo você", "eu amo dormir", "eu amo sorvete" e por aí vai. Mas o que é amor? Longe de querer dar um sentido único, gostaria de colocar aqui algumas opiniões apenas, a começar pela definição dada por LuízVaz de Camões, que diz:

“Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer [...]”
O amor é sentimento, é atitude, é fogo, é um milhão de sentimentos e sentidos que não podem definir em exatidão essa palavra. Porém pra mim o amor vai além das palavras, para mim o AMOR é uma pessoa, um ser mais especificamente.
“Amar é um verbo, e o Verbo é Deus" [r.p]
Quando pensei na frase acima, o texto de João 1 estava em minha mente, pois nos versos desse capítulo nos é falado que tudo foi feito por intermédio dEle e para Ele, dessa forma, Ele é a substância perfeita e primeira, Ele é o princípio, Ele é o amor, e tudo quanto mais é uma derivação desse amor.

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1:1

Jesus é a verdade, a vida, e o caminho (Jo 14:6), é o sumo sacerdote (Hb 6:20), e muito mais do que isso, Jesus é a intervenção divina no nosso mundo (Jo 1:29; 3:16; 10:10).

A intervenção que nos trouxe vida. Percebam que Jesus é retratado de uma forma diferente em João 1, Ele é enunciado como o Verbo de Deus, e essa palavra verbo, para tecer um comparativo,  contêm as noções de ação, processo ou estado [1].

Jesus é o Verbo de Deus, é a ação pela qual o Pai demonstrou amor entregando o Seu Filho para morrer em nosso lugar, enquanto ainda éramos pecadores (Rm 5:8). Esse ato foi à ação de Deus em nosso favor.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16 

Jesus é o verbo, porém esse verbo deve ser conjugado, assim como no português, e entenda conjugar por unir (-se), ligar (-se), juntar (-se) harmonicamente a ou com (algo ou alguém); misturar (-se); combinar (-se) [2].

Ou seja, é necessário que conjuguemos o Verbo Jesus, mas precisamente aqui o Verbo amar, para que nos unamos com Ele e sejamos transformados. O amor procede de Deus, e sendo nós agora unidos nEle, somos aperfeiçoados no amor pelo Espírito Santo. O amor de Deus reverbera em nós através de Cristo, e nós devemos refletir esse amor. Ele é a esperança da glória (Cl 1:27).

Deus é amor, Jesus é amor, então nos lembremos de que aquele que não ama, também não conhece a Deus, pois Deus é amor (1 Jo 4:20). Aquele que não se mistura com Jesus e não compartilha dessa essência com Ele através do Espírito Santo, verdadeiramente não conhece a Deus. 
"Ser cristão sem amor, é como pescar sem a isca." [r.p]
Talvez João pegue pesando dizendo que aquele que diz amar a Deus e odeia o seu irmão, é mentiroso, porém isso apenas é impressão, pois se pensarmos bem isso seria realmente impossível, e o versículo conclui falando como é possível não amar aquele que se vê, e dizer que se ama Aquele a qual não se vê? (I Jo 4:20)
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a qu
1 João 4:20
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a qu
1 João 4:20
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a qu
1 João 4:20
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a qu
1 João 4:20

Deus é amor, e sua ação foi entregar o Seu filho amado quando ainda éramos pecadores para nos reconciliar com Ele, desta forma amar ao próximo é necessário... e aqui surge algo importante, pois é necessário que nos lembremos de que nada, absolutamente nada saiu do controle de Deus. Ele sabia que o mundo seria como ele é atualmente, mas criou-o mesmo assim. Deus sabia que o relacionamento com Ele seria rompido pelo pecado, então criou o antídoto quanto a isso: 
“Antes de haver luz, houve Cruz.” Ariovaldo Ramos
Deus criou o mundo apesar de, Ele enviou a Jesus apesar de, e Cristo morreu por nossos pecados apesar de. O amor dEle rompe o entendimento, e é por isso que esse amor deve gerar a mesma ação que gerou em Cristo, a saber: Renúncia, entrega e morte.

Jesus morreu para que nós pudéssemos viver, sua morte gera vida, e essas vida deve ser usada para gerar mais vidas. 
"[...] a maior utilidade da vida de alguém é ser gasta em algo que sobreviverá a ela, porque o valor de uma vida não é calculada pela sua duração, mas por sua doação; não importa quanto vivemos, mas sim, a integridade e qualidade de nossas vidas." J. Oswald Sanders apud Willian James, Liderança Espiritual, p.83
Como já vimos anteriormente, Deus é amor, Jesus é o verbo do Pai, e devemos conjugar esse verbo, devemos nos unir com Ele para que sejamos aperfeiçoados pelo Espírito Santo, e sendo Ele amor e nós aperfeiçoados nEle, é impossível amar a Deus e odiar ao próximo.

Porém isso acontece, e com certeza gera desconforto, pois não amamos a todos, e queremos andar com Deus. É uma loucura total, uma briga interminável dentro de nós. Freud, em seu livro O mal estar da Civilização (1930) nos diz que:
“Quando amo outrem, este deve merecê-lo de alguma forma [...] Ele o merece, se em semelhantes aspectos semelha tanto a mim que posso amar a mim mesmo nele [...] Esse desconhecido não apenas não é digno de amor em geral; mas direito a minha hostilidade, até meu ódio.” O mal estar na civilização, Sigmund Freud, p. 54-55
Ou seja, para amar o outro é necessário que esse seja parecido comigo, que me traga benefícios, que eu possa me ver nele e assim amar-me a mim mesmo nele. Freud completa dizendo que o próximo não só não é digno do meu amor, mas do meu ódio, pois esse em momento oportuno esse irá me passar para trás. Nietzsche falando sobre a compaixão (que devemos ter pelo próximo) em seu livro O Anticristo (1895), nos diz que:
“Os fracos e fracassados devem perecer: primeiro principio de nossa filantropia. E realmente se deve ajuda-los nisso. O que é mais nocivo que um vício qualquer? A compaixão em ato para todos os fracassados e os fracos – o cristianismo...” O Anticristo, Nietzche, p. 19.
Freud e Nietzsche estão certos. Se não há um Deus, não tem porque cargas d'agua eu amar meu próximo. Porém se Deus realmente existe e eu o professo como Senhor da minha vida, e uno-me com Ele, amar ao outro é um mandamento. Mandamento este deveras difícil, diga-se de passagem, e por N motivos:
  • Amar ao outro é difícil por que nem sempre vamos nos encontrar no outro; dificilmente encontraremos algo que nos agrade ou que nos traga benefícios e amor próprio;
Ora, o mundo é composto de vários seres, um diferente do outro, e muito dificilmente vamos encontrar alguém que compartilha as mesmas coisas que a gente, e ouso dizer que se encontrarmos alguém de semelhança indubitável, mataríamos este, pois não nos aguentaríamos.
  • Amar ao outro é difícil porque temos que ser servos, e há certas pessoas que não gostaríamos de serem servidas;
Imagina ter que servir o cara que se acha o bonzão da comunidade, o cara que acabou de te assaltar, de levar seu ultimo centavo, ou então servir aquele cara que já tem tudo e é esnobe? Creio que não preciso delongar tanto aqui, pois todos nós nos identificarmos.
  • Amar ao outro é difícil porque simplesmente não queremos.
Simplesmente porque não queremos amar, simples assim. Isto acontece porque pressupõe que deixemos de lado certas coisas, necessitaria que aceitássemos o outro como ele é; aceitando-o com suas diferenças de opinião e etc. E isso absolutamente não dá, há certas pessoas que não são dignas do nosso amor, poderíamos pensar. Agostinho explica isso dizendo que

"A alma manda na proporção do querer, e enquanto não quiser, suas ordens não são executadas, porque é a vontade que da ordena de ser a uma vontade que nada mais é que ela própria.” Confissões. Sto Agostinho, p. 180.
Pelas nossas próprias forças não somos capazes nem de amar a Deus. Preferiríamos o inferno ao invés dEle, e se não fosse o seu amor primeiro por nós, não seríamos nada. Talvez isso soe pesado para você, mas pense um pouco, o que é morte? É a separação de nós com Deus. E o que causa a morte? Isso, o pecado. E o que escolhemos mais, Deus ou o pecado, a vida ou a morte?

Graças a Ele que somos salvos (Ef 2:8-10), e ainda bem que isso não depende de nós, pois nessa missão falharíamos feio. Foi pela obra redentora de Cristo que podemos ascender ao céu, e é isso que faz toda a diferença, fomos acolhidos por Ele, e no amor Dele e Nele somos aperfeiçoados. Quando estamos Nele, estamos no amor, embora escolhamos mais a morte do que a vida, pois como Paulo diz, o bem que quero fazer não faço, mas o mal que não quero, faço (Rm 7:18-20). Entendamos que Nele podemos amar, amar a Deus e ao próximo, ainda que de forma imperfeita devemos tentar amar o outro com o mesmo sentimento que ouve em Cristo, e para que isso aconteça é necessário que morramos todos os dias para as nossas vontades para que Cristo viva em nós.

Então ainda que não veja algo que me faça me amar mais no próximo, ainda que o próximo seja um idiota, eu devo ama-lo, ainda que ele seja a pior pessoa do mundo, eu devo servi-lo, pois Deus nos amou da mesma forma, e talvez aqui cheguemos ao ápice do texto. Pois veremos que o AMOR de 
Deus é uma condenação.

Deus olhou para nós, viu nossas mazelas, nossa maldade, me viu, nos viu matando Seu Filho amado e nos viu escolhendo o inferno ao invés Dele. Deus nos declarou culpados, e então nos condenou ao Seu Amor.
  
Entendamos que condenar é declarar pena do réu [3]. Somos réu do Seu amor. Apesar de nossas mazelas, de nossas escolhas torpes, Deus nos amou, e esse amor deve ser estendido apesar de qualquer coisa. Essa é a nossa sentença, a morte não tem mais vitória, ela é agora a nossa aliada. O amor dEle lança fora o nosso medo, pois quando seriamos dignos dele? 

E isso acontece por quê?
  •  Porque não é por nossas obras que Ele nos ama;
Não é pelo que fazemos ou deixamos de fazer que Deus nos ama mais ou menos. Ele nos amou antes mesmos de que nós fôssemos criados.
  • Porque não é por merecimento que Ele nos ama.
Não é por nossa beleza nem nada do gênero que nos fez ser amados, sendo assim, não há nada que façamos que vá nos separar do amor de Deus. Nós não conseguimos esse amor, ele nos foi dado, não pertence a nós, e se não nos foi dado por qualquer fator, não temos como perder, pois esse amor pertence a Deus.

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 8:38-39

A única solução que nos resta é retribuir esse amor, amando a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos (Mt 12:30-31).

Como amar ao próximo?
  • Não fique questionando se ama ou não, haja como se amasse (C.S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples);
  • Saiba perdoar. O perdão não é um evento único, mas eterno. É necessário que nos esqueçamos do pecado do outro, e lembremo-nos que somos iguais a ele, e quem sabe até não pior;  
  • Saiba servir, se colocar no lugar do outro; Saiba que ao servir ao próximo, é ao próprio Deus a quem você serve (Mt 25:40). 
 
Não, o próximo talvez não seja digno do nosso amor realmente, mas também nós não somos dignos do amor de Deus, porém apesar disso somos amados por Ele, e dessa forma devemos amar ao próximo como Ele nos ama, em ação. 
Ronnedy Paiva
Colunista




[1]      SIGNIFICADOS. Disponível em: http://www.significados.com.br/verbo/
[2] GOOGLE. Disponível em: https://www.google.com.br/search?q=conjugar&ie=utf-8&oe=utf-8&gws_rd=cr&ei=7Rz2Vpa4AcuYwASjyrKgCA#q=conjugar+significado
[3]      DICIONÁRIO INFORMAL. Dispon´vel em: http://www.dicionarioinformal.com.br/condena%C3%A7%C3%A3o/

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Devocional: Um lugar pra descansar

Talvez você possa achar estranho, e até um tanto incomum, mas gosto de pensar que Deus usa as coisas loucas do mundo mesmo para confundir as sábias. E foi em uma dessas coisas loucas que algo começou a florescer em meu coração. Poderia ter sido com uma musica da Aline Barros, do Fernandinho ou de qualquer outro cantor gospel, mas Deus falou comigo através da musica Anjos do Rappa. Por favor, sem criticas, mas reparem na letra da canção.

Se você não aceita o conselho, te respeito. Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem. Só que você sai em desvantagem se você não tem fé.

Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo, pra te provar e mostrar que a vida é linda. Ela é dura, sofrida, carente em qualquer continente, mas boa de se viver em qualquer lugar.

Volte a brilhar, volte a brilhar. Um vinho, um pão e uma reza. Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas.

Em algum lugar, pra relaxar. Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim. Pra quem tem fé. A vida nunca tem fim. Não tem fim.

Então comecei a refletir: onde nós descansamos normalmente?
Onde vocês descansam geralmente?


E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? Marcos 4:35-41


A nossa vida, geralmente, é como esse barco. Os ventos são os problemas. Os pedestres os banhistas e os barcos são como os carros. Mas quando estamos com Jesus, ainda que o barco esteja a ponto de virar, podemos descansar.



          Jesus é o nosso lugar de descanso. Ele é a nossa paz, nosso aconchego, nosso pai. E o mais importante: Ele não quer de nós exibicionismo, alegorias, ele quer o nosso coração. Nossa fé.



E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou. Mateus 8:5-13



Por vezes, nos achamos como esse modesto Centurião, indignos da presença dEle, mas saiba, realmente não somos dignos. Mas se o filho de Deus decidiu nascer em uma manjedoura, porque Ele não aceitaria nascer em nosso coração? Saiba, o véu se rasgou, Agora podemos ter contato direto com Ele por intermédio da obra redentora de Cristo. Além do mais, não somos nós quem achamos Jesus, mas Ele quem nos acha, quem nos encontra, porque quem está perdido somos nós.

A obra de Jesus foi por mim e por você. Você é especial para Ele. E com Jesus, a vida fica mais linda. Da para entender isso? O cara que para o vento, que anda sobre as águas e cura os cegos, conhece a mim e a você. Mas mais do que isso, Ele quer que sejamos parecidos com Ele.

           Nós somos a Fotocópia de Jesus. E devemos deixar Ele brilhar em nós.

"Volte a brilhar..."

            Ele é o nosso lugar de descanso porque nEle não precisamos nos exibir como um bobo da corte frente ao rei. E quando percebemos isso, que Ele é um pai, o que nos resta apenas é imita-lo, deixar que Ele aja em nós. 

Quem conhece a oração que Jesus nos ensinou? (Mateus 6:9)

As pessoas antigamente chamavam Deus de Deus de Abraão, de Isaac e Jacó. Mas Jesus apresenta Deus como um Pai. 
  • Se temos intimidade com o Pai, podemos pedir que Ele nos dê descanso e tudo quanto mais.
Na oração que Jesus nos ensinou Ele nos ensina a pedir o melhor que há nessa terra. Um teólogo (Joachim Jeremias), diz que a melhor tradução para “pão nosso de cada dia” é o pão de amanhã, o pão de sábado recebido na sexta.

Quando Moisés tirou o povo do Egito, descia maná dos céus. Era a provisão divina. Na sexta caia porção dobrada de Big Frango Maná Duplo Hot, para sexta e sábado.

Jesus está simplesmente nos ensinando a pedir mais do maná. Ele está nos ensinando a pedir a provisão de Deus, a sua plenitude, aquilo que não sacia a nossa barriga, mas a nossa alma. Ele está nos ensinando a pedir o próprio Cristo.

Ele sabia que eu e você passaríamos por brigas, tribulações, fome, desamparo e mais um monte de coisas. Mas Ele nos proporcionou o melhor lugar que poderíamos estar. No centro da sua vontade, ou seja, nEle mesmo.
“Pra quem tem fé. A vida nunca tem fim. Não tem fim.”

domingo, 3 de maio de 2015

ARQUEIRO

- Finalmente voltei para casa! Este, sim, é o meu verdadeiro lar! Aqui é o meu lugar. É esta a terra pela qual tenho aspirado a vida inteira, embora até agora não a conhecesse. A razão por que amávamos a antiga Nárnia é que ela, às vezes, se parecia um pouquinho com isso aqui. - E acrescentou, soltando um longo relincho: Avancemos! Continuemos subindo!
(Fala do unicórnio ao chegar a nova Nárnia em A Última Batalha - Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis. p. 730) 


Como disse o Rodolfo Abantes um dia desses: não quero ser conhecido de onde eu vim, mas para onde eu vou. 


Há uma frase, de cujo autor desconheço, que fala que existe uma falta dentro do ser humano que é do tamanho de Deus. Essa falta tenta ser preenchida de inúmeras maneiras, maneiras dais quais nem preciso citar. Porém nada preenche, não por completo. 

É somente quando nos damos conta de que, como C. S. Lewis mesmo nos fala (Cristianismo Puro e Simples, 1942) , que se nada terreno nos completa totalmente, isso é uma prova de que não somos daqui. E não, não somos mesmos desse mundo. Somos estrangeiros no campo inimigo e estamos voltando para casa, e como bons viajantes, devemos levar - apontando o Caminho, todos  aqueles que vagam como murimbundos tentando achar a estrada, mas se perdem em cada bifurcação, devemos aponta-los para o Alvo, como um arco nas mãos do Arqueiro - como gosta de dizer um amigo meu, devemos atira-los para o Céu. Para a Vida Eterna. Para o Paraíso. Paraiso este que creio ser mais que um lugar, que creio ser uma Pessoa. A pessoa de Jesus Cristo, que pagou um alto preço para que eu e você possamos ter uma conversinha com Ele. Então avancemos, continuamente, para o trono da graça para encontramos graça e socorro em momento oportuno (Hb 4:16).

Ronnedy Paiva,
Colunista

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Estendi as mãos e ninguém me puxou



Texto Base: Salmos 69:1-17

   Quando penso em sofrimento lembro-me do Deserto, de Jó, de José e Jesus. Fico imaginando: 40 anos. É muito tempo esperando. Hoje em dia queremos tudo o mais rápido possível. Se pedirmos algo, desejamos que seja o mais rápido possível. Imagino Moisés esperando 40 anos para se apossar da terra prometida, guiando um povo incrédulo e muito provavelmente chato, e no final não poder entrar nela. 40 anos esperando.

   Fico imaginando também Jó, homem integro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal (Jó 1:1), mas que apesar disso, perdeu tudo, começou a viver como um moribundo pela terra, esquecido pelos seus e julgados pelos amigos. Deve ter sido uma peleja muito grande para entender tudo isso.
Imagino José, odiado pelos irmãos, vendido pela própria família, abandonado em uma cela, mas ainda assim firme. 

   Imagino também Jesus, o filho de Deus abandonado na hora mais angustiante para Ele. Esse sim era justo, este sim nos guia para a terra prometida. Ele teve que esperar 33 anos para que a vontade do Pai se cumprisse. Foi levado a um madeiro e morreu sem murmurar. 

***
   Às vezes andamos no deserto, sem nada, sofrendo calado. Caímos muitas vezes, mas conseguimos forças para nos levantarmos até o momento de cairmos novamente. Caído praticamente sem forças, força apenas para estender a mão. E com a mão estendidos, muitas, mas muitas vezes temos o sentimento que ninguém nos puxa. E não nos puxa mesmo. Sentimo-nos sós, abandonados, assim como Moisés, Jó, José e Jesus.

   Você já se sentiu abandonado? É um dos piores sentimentos. Moisés, Jó, José e Jesus uma hora ou outra em meio ao seu sofrimento se sentiram assim. É frustrante. Mas uma coisa aprendi em meio ao sofrimento. Quando não temos mais forças, quando nos sentimos abandonados, quando levantamos nossas mãos mais ninguém nos puxa, quando estamos caídos, não é em qualquer lugar que estamos, mas estamos caídos no colo do Pai.

   Nele podemos repousar, podemos descansar, podemos ter certeza que quando o sol raiar - demore o tempo que for - o choro vai cessar. Moisés morreu, mas guiou o povo até o lugar prometido, foi fiel a Deus, e viu a Sua Palavra se cumprir. Jó, mais do que receber tudo mais quanto tinha perdido, agora conhecia a Deus não só de ouvir falar, mas de vê-lo. José, abandonado, conseguiu unir forças e não abandonou o seu dom, pelo contrário, usou-o para salvar todo o Egito, e a sua família da fome, e foi honrado por Deus por isso. Jesus, ainda que abandonado na Cruz declarou que a vontade do Seu Pai fosse feita, e após morrer, cumpriu essa vontade ressuscitando; hoje Ele está ao lado do Pai nos esperando. 

   Conosco será assim também, basta crermos, continuarmos firmes, pois não estamos caídos em qualquer lugar, mas no Seu colo, o melhor lugar onde podemos esperar. E lembremo-nos: ainda que o mundo caia, Deus é Deus.


Ronnedy Paiva
Colunista

sábado, 22 de novembro de 2014

Sem VOCÊ, eu ando pra TRÁS




Texto Base: João 6:62-69.

Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” João 6:68

Gosto de uma musica, em particular, do cantor Lucas Souza, que se chama: Eu vou ficar aqui. Em um trecho dessa canção ele declara: Jesus [...] ando pra trás quando não te vejo. A base dessa letra fala de um lugar onde podemos ficar e nos esconder, onde podemos ouvir a Sua voz ecoar em nosso coração e onde aprendemos a amar e temos liberdade para isso. Esse lugar do qual a musica fala, é Jesus, e quando não O vemos, simplesmente estamos andando para trás. 


Imagino que para Pedro essa musica falaria muito, pois ao ser questionado por Jesus se queria retirar-se juntamente com os outros discípulos (v.67), ele, o único a responder, disse: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." (v.68). Tipo assim: Jesus... Sem você eu ando pra trás... não existe outro que nos leve para a vida eterna... do seu lado não arredo o pé.  Pedro sabia que ao lado de Jesus era o melhor lugar, embora posteriormente Pedro o tenha negado, o seu vinculo afetivo o trouxe de volta para Jesus, pois sem Ele, Pedro sabia que não estava indo a lugar algum. Sua pesca agora era de homens, não mais de peixes. 

Essa passagem, juntamente com a musica, nos ensina que quando temos Jesus como alvo, ainda que a morte nos detenha da vida, Ele nos tem preparado um novo lugar onde viveremos eternamente, um lugar que "não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Ap 21:4). Nesse lugar caminharemos ao Seu lado - o melhor lugar onde podemos estar.

Ronnedy Paiva

Colunista

Link “Eu vou ficar aqui – Lucas Souza”- http://youtu.be/5y1thcgJ_jU

Link Foto original - http://propmark.uol.com.br/image/resize/946/630/?img=/images/fotositecrack.jpg